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Dossiê Olímpico: CRAQUE conta um pouco sobre história do maior evento esportivo do mundo

Neste episódio contamos os primeiros registros oficiais das Olimpíadas, o culto aos deuses e o primeiro heroi olímpico. Roberto Gesta conta a história da primeira medalha dos Jogos 20/02/2016 às 11:12
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Jogos Olímpicos da Antiguidade
Denir Simplício e Roberto Gesta Manaus (AM)

O Brasil “respira” os Jogos Rio 2016 e restando 173 dias para o início da 31ª Olimpíada da Era Moderna, o CRAQUE convida o leitor a um “mergulho” na origem dos Jogos Olímpicos numa série de reportagens que contará um pouco de cada edição do maior evento esportivo do mundo. Curiosidades, modalidades esportivas, vitórias marcantes, dramas, heróis e, é claro, a participação brasileira nos Jogos.

Para iniciar essa fantástica viagem ao mundo das Olimpíadas voltamos no tempo, mais precisamente ao ano 776 a.C. (antes de Cristo), quando teve início o primeiro registro ininterrupto dos Jogos Olímpicos. No entanto, a origem dos Jogos é bem mais antiga e data de cerca de 2.500 anos a. C.

Criada pelos gregos para exibir suas habilidades atléticas e honrar aos deuses do Olimpo – principalmente a Zeus, maior das divindades gregas – a Olimpíada era uma das quatro grandes festas religiosas pan-helênicas celebradas na Grécia Antiga. Assim como o festival Pítico, Ístmico e o Nemeu, a Olimpíada era assistida por visitantes vindos de todas cidades-estado que formavam o mundo grego, e também a mais importante de todas, que recebeu esse nome por ser sediada no santuário de Olímpia. A importância dos Jogos era tão significativa para os gregos que até as guerras eram interrompidas no período da Olimpíada e a chamada “trégua sagrada” era levada à risca por toda a Grécia.

Os primeiros Jogos se limitavam a uma única prova, a corrida do Stadion (Estádio), com cerca de 192 metros. Em 724 a. C. introduziu-se uma nova modalidade semelhante aos atuais 400 metros rasos. Em 680 a C. foi incluída a corrida de “carros”, semelhantes às bigas romanas. Com formato arredondado na frente e abertos atrás, os veículos corriam sobre rodas baixas, sendo puxados por dois ou quatro cavalos. Outras competições com animais foram incluídas, como uma corrida de cavalos montados, sendo que a glória da vitória era dada aos donos dos animais e não aos seus condutores.

Atualmente, 42 modalidades esportivas fazem parte da Olimpíada, já nos Jogos Olímpicos da antiguidade as disputas variaram com o decorrer do tempo. As provas praticadas eram as Corridas Pedestres, divididas em quatro modalidades: Hoplitódromo (corrida com armas), Estádio, Diaulós (denominado duplos estádio) e Dolichos; Corrida Equestre, que incluía cavalo de sela e bigas; Luta, Pugilato e Pancrácio. Posteriormente, o pentatlo (salto horizontal, lançamento do disco, lançamento do dardo, corrida do estádio e luta) foi inserido na Olimpíada.

O primeiro campeão olímpico que se tem registro é justamente do ano 776 a.C. e na única prova daqueles Jogos. Por causa de uma forte chuva, apenas a Corrida do Estádio foi disputada e coube a um humilde cozinheiro (ler mais no Museo Olímpico) a glória de se tornar o primeiro herói olímpico que se tem conhecimento. Como premiação pelo feito, o atleta recebeu um ramo de oliveira, que é um dos símbolos dos Jogos.

Decadência

A decadência dos Jogos Olímpicos da Antiguidade começou em 456 a.C., quando o império romano invadiu e dominou a Grécia. O espírito original de integração, harmonia e de disputas cordiais da Olimpíada foi aos poucos sendo substituída pelos bárbaros e sangrentos combates.

A última Olimpíada da Era Antiga foi disputada em 393 d.C., quando o imperador Teodósio I, que se converteu ao Cristianismo, proibiu a adoração aos deuses e cancelou os Jogos. Desde 776 a.C. foram realizados 293 Jogos.

A celebração dos Jogos Olímpicos ficou adormecida por mais de 1.500 anos. Em 1896, graças aos esforços do francês Pierre de Frédy, o Barão de Coubertin, foram realizados os primeiros Jogos Olímpicos modernos, em seu país de origem, a Grécia, na cidade de Atenas. Mas essa é uma outra história, que será contada na próxima edição do Dossiê Jogos Olímpicos.

Museo Olímpico Roberto Gesta

A moeda de prata de Felipe II, rei da Macedônia

Nas cidades-estados da Grécia Clássica, os exercícios físicos e as competições esportivas eram parte integral da educação dos jovens.

Entre os vários Jogos da Antiguidade grega (Jogos Pan-Helênicos), os mais importantes eram os Jogos Olímpicos, realizados no santuário de Olímpia, em Elis. Também tinham destaque os Jogos Ístmicos, Píticos e Nemeus.

Embora já realizados em épocas anteriores, os Jogos Olímpicos tiveram o seu primeiro registro no ano de 776 a.C., com a vitória de Corebo, da Élida, na prova do estádio, a única praticada nas primeiras treze edições dos Jogos. A modalidade tinha essa denominação por se desenrolar em toda extensão da arena desportiva de Olímpia, o que implicava em exatos 192,27 metros.


A época áurea dos Jogos Olímpicos deu-se no século V a. C., no período Clássico. Os Jogos refletiam o esplendor da cultura grega de então. A democracia consolidava-se em Atenas, em contraposição ao conservadorismo aristocrático e militar anterior, e diversas outras cidades atravessavam um período de florescimento. Em Olímpia, durante os Jogos, teriam estado algumas das maiores personalidades da Grécia Antiga, como Platão, Heródoto, Diógenes, Píndaro, Demóstenes, Górgias, Temístocles, Pitágoras e Anáxagoras.

Para participar dos Jogos, os atletas deveriam ser gregos de origem, livres, legítimos de nascimento, honrados, ter treinado dez meses antes do Evento, sendo um na Élida, e ter feito inscrição prévia.

No período de esplendor de Olímpia, os halanódicas (árbitros dos Jogos) fiscalizavam com rigor o atendimento a esses requisitos. Por serem considerados bárbaros e não gregos puros, os macedônios eram discriminados. Heródoto conta que Alexandre I, Rei da Macedônia, teve dificuldades para ser aceito e poder competir.


Porém, seu descendente, o Rei Felipe II, foi vencedor por três vezes nos Jogos Olímpicos : no ano 356 a.C., na corrida com cavalos; no ano 352 a.C., na quadriga; e no ano 348 a.C., na biga). Ressalte-se que eram considerados vencedores, nessas provas, os proprietários dos cavalos.

O grande orador ateniense Demóstenes, entretanto, ainda em 351 a.C., alertava seus conterrâneos sobre o perigo que representava Felipe II. Em 341 a.C., ele referiu-se a Felipe II como " não apenas um não grego, nem relacionado com os gregos, nem sequer um bárbaro de qualquer lugar que possa ser mencionado com honra, mas um pestilento patife da Macedônia ".

Consta, segundo algumas versões que, já com várias cidades gregas sob o jugo macedônio, Felipe enviou uma mensagem a Esparta: "Se eu ganhar essa guerra, vocês serão escravos para sempre ". Ao que os espartanos teriam respondido laconicamente "Se" . Felipe II, prudentemente, nada fez.

O Rei Alexandre o Grande, filho de Filipe II, segundo alguns relatos, declarava, com desdém, que não competiria em Olímpia por não ter reis como adversários.

Um registro notável relacionado a esses acontecimentos históricos é a moeda de prata de 1/5 starter, que tem, na frente, a cabeça de Apolo, voltada para a direita; no verso, um jovem trotando em um cavalo. Considera-se que ela foi cunhada no reinado de Filipe II, entre 359 e 336 a.C., para comemorar uma de suas vitórias nos Jogos Olímpicos.


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