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Esportes
HERÓI DO GALO

Berg - 20 anos sem o craque do Rio Negro que brilhou no Botafogo

No mês que completa duas décadas da morte de Nininberg dos Santos Guerra, o CRAQUE relembra a carreira do amazonense que despontou no Rio Negro e brilhou no Botafogo. Também "achamos" a filha do jogador, que relembra dos breves momentos ao lado do pai 25/07/2016 às 12:01 - Atualizado em 25/07/2016 às 14:36
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Berg morreu aos 33 anos não antes de ajudar o Botafogo a sair da fila de 21 anos sem títulos (Foto: reprodução)
Denir Simplício Manaus (AM)

“É tão estranho, os bons morrem jovens”, a frase de uma das mais belas músicas de Renato Russo expressa um pouco o sentimento da perda precoce de alguém que tinha muito o que viver e ensinar. Pra muitos não parece, mas já se passaram 20 anos da morte de Ninimberg dos Santos Guerra, o Berg. O craque, que despontou para o futebol ainda na equipe juvenil do Rio Negro, deixou a vida aos 33 anos, após um infarto fulminante quando fazia o que mais gostava: jogava futebol.

No mês em que se completam duas décadas sem um dos maiores atletas surgidos no Amazonas, o CRAQUE faz uma pequena homenagem a quem tão bem representou o futebol Baré pelo Brasil a fora.

Saudade

Nascido no dia 16 de março de 1963, Berg foi um canhoto de extrema habilidade. Deu seus primeiros chutes pelas ruas do bairro São Jorge, na Zona Oeste de Manaus, onde até hoje moram alguns irmãos. Bom de bola, passou pelos juvenis do América, antes de vestir a camisa do Galo da Praça da Saudade. No time Barriga Preta, ganhou notoriedade e despertou o interesse do Botafogo, após uma partida contra o Flamengo, pelo Brasileirão de 1982, em que o duelo terminou 1 a 1. 

No Botafogo, atuou como meia-atacante, também como “falso 9” e até de ponta-esquerda, posição, aliás, que lhe rendeu o prêmio Bola de Ouro da revista Placar, em 1987. Esteve no elenco que tirou o Glorioso da fila de 21 anos sem títulos em 1989, com a conquista do Campeonato Carioca contra o Flamengo, o mesmo que lhe viu surgir para o Brasil sete anos antes.

Em 1987, no Botafogo, num timaço que entre outros tinha Wilson Gotardo (acima) e Éder, ao lado de Berg. (foto: reprodução)  

Ainda ajudou o Fogão a conquistar o bicampeonato carioca de 1990 antes de vestir as camisas do Cerro Porteño-PAR, Coritiba, Atlético-PR, América-RJ, Americano de Campos-RJ e América de São José do Rio Preto, seu último clube. A morte precoce veio no período de férias em uma pelada com os amigos, na Barra da Tijuca.

Coincidência ou não, a mãe de Berg, dona Gleis Guerra, faleceu no último dia 4 deste mês, quase 20 anos após o filho e estão enterrados no mesmo túmulo. O pai do craque, Antônio Guerra, está com a saúde frágil, após contrair o mal de Azheimer.

Berg, a mãe, dona Gleis, e irmãos, em foto de 1983, logo após ser contratado pelo Botafogo (Foto: arquivo/AC) 

Mesmo consternada, uma das irmãs, Glauze Guerra, 40, falou sobre a lembrança dos 20 anos da morte do irmão. “20 anos. Muito tempo, mas a saudade e o amor continuam o mesmo. Pois Berg foi um filho e irmão maravilhoso conosco. Muito humilde e dedicado a família. Com certeza inesquecível. Acabamos de perder nossa mãe, estamos extremamente tristes, porém, gratos à Deus por ter nos presenteado com uma mãe e irmão de personalidade tão linda! Estamos ligados eternamente pelo amor.  Nosso amor está além da vida...”, concluiu.  

Berg 'vive'

Quando Berg deixou a vida já estava casado. A esposa era Marta Guedes. Do amor entre Berg e Marta, nasceu  a pequena Bruna, o mais belo gol da breve carreira do craque amazonense. No entanto, a convivência entre pai e filha foi de pouco mais de sete meses. Logo após, veio a tragédia. 

Hoje, aos 20 anos, a filha de Berg relembra com a ajuda da mãe dos poucos momentos que teve ao lado do pai. 

“Minha mãe sempre me diz que eu puxei muito a ele. O jeito tranquilo  de ser, essa preocupação com a saúde e com o corpo. E fala também que ele sempre foi um pai excelente. Que era muito apaixonado por mim e que vivia desse jeito aí da foto. (Imagem ao lado). Era o verdadeiro “pai babão”. Ficava grudado comigo sempre que podia! Ela diz que eu senti muito a falta dele quando ele morreu”, comenta a moça que nasceu no Rio de Janeiro, mas sempre que pode visita os parentes de Manaus e diz adorar a cidade onde o pai nasceu.

Berg e a filha Bruna, na época com meses de nascida, em momento de carinho (Foto: arquivo pessoal)

“A última vez fui a Manaus foi em novembro de 2009. Adoro aí! Além de gostar por estar perto da minha família e me sentir muito bem recebida, gosto da cidade. Eu tinha fotos, inclusive, mas apagaram todas acidentalmente enquanto eu ainda estava em Manaus. Fiquei arrasada”, disse a filha do craque. 

Bruna Guerra cursa faculdade de Biomedicina e lembra outras coisas que mostram o quanto o sangue de Berg corre em suas veias. A jovem afirma que não herdou a habilidade com a bola que teve o astro do Botafogo, mas tem outros dotes que o “paizão” deixou pra ela. 

Hoje, aos 20 anos, Bruna carrega a imagem do pai no coração e no celular (Foto: arquivo pessoal)

“Eu adanço, malho. Gosto de praticar esportes. Minha mãe disse que esse meu lado eu puxei do meu pai, porque ela não é nada ‘geração saúde’ e eu já adoro praticar esportes. Mas sou péssima em esportes de quadra/campo.  Infelizmente, não puxei a habilidade dele”, pontuou. Mesmo de longe Bruna acompanha o drama da famíla paterna. Ficou muito triste com a morte da avó e sempre que pode, pede informações sobre o estado de saúde do avô. A jovem não confirmou, mas pode retornar a Manaus para visitar os parentes em breve.   


 

 

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