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Efeito borboleta. A história de Daynara de Paula, da Vila de Balbina para o mundo

Ela nasceu no Amazonas, mas deixou o Estado quando ainda era pequena. Hoje, essa fera do nado borboleta se prepara para fazer história disputando os Jogos Olímpicos pela terceira vez 24/07/2016 às 23:50
Show day
Nadadora se especializou no estilo borboleta (Foto: Divulgação)
Leanderson Lima Manaus, AM

Uma nadadora amazonense vai disputar este ano a sua terceira Olimpíada. Ela não ainda pensa em aposentadoria, mas, quando este dia chegar, ela já tem um compromisso inadiável: conhecer o Amazonas. A situação da nadadora Daynara de Paula, 26, é paradoxal, mas a série “Amazonas Olímpico” explica.

No final da década de 80, o pai da atleta olímpica, seu José Ferreira de Paula, foi transferido para a trabalhar em Balbina, localizada no município de Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus). Foi lá que ele e dona Joanita Lopes de Paula conceberam a futura nadadora, que nasceu no dia 25 de setembro de 1989. A Usina Hidrelétrica de Balbina, que à época recebeu trabalhadores de várias localidades do País, foi inaugurada exatamente naquele ano. Com o trabalho concluído, a família de Paula fixou residência em Jacareí, município da Região Metropolitana do Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Desde então Daynara nunca mais colocou os pés em sua terra natal.

“Ainda não tive oportunidade de conhecer o Amazonas. Tô me programando para quando eu parar de nadar, que aí eu vou ficar um mês conhecendo tudo. Não dá pra fazer um ‘bate e volta’. É muito longe e eu vou querer conhecer muito. É minha terra natal, mas eu não tive tempo ainda”, explica a atleta especialista no nado borboleta, o mais complexo dos estilos da natação. O Amazonas “descobriu” Daynara nos Jogos Olímpicos de Pequim, na China, em 2008, pelos canais de televisão que transmitiam as Olimpíadas. Ao ser apresentada como uma nadadora nascida no Amazonas, que disputaria as eliminatórias dos 100 metros borboleta, logo a torcida local quis saber quem era ela. De lá pra cá o fã clube só aumentou.

“Eu queria agradecer a vocês que são realmente meus torcedores mais fiéis. Sempre mandam mensagens. Quero pedir desculpa por ainda não conhecer minha terra natal, mas pode ter certeza que está na minha agenda”, comenta.

O início

A relação de Daynara de Paula com a natação começou de um jeito bem inusitado, quando ela tinha apenas sete anos. E no primeiro contato com uma piscina ela já “venceu” sua primeira competição. “Tinha uma piscina numa chácara do meu tio. Eu fiz uma aposta com o meu primo Pedro para nadar e ver quem atravessava a piscina. Nesta aposta eu ganhei”, lembra. O detalhe é que a piscina era funda e Daynara nunca tinha nadado na vida. No dia seguinte, a mãe a matriculou em uma aula de natação.

Brincadeira

A natação estava longe de ser um projeto de vida, uma profissão. Ela praticava apenas pelo amor ao esporte. A nadadora só começou a pensar em levar o esporte a sério depois que venceu uma competição e recebeu sua medalha das mãos de uma lenda da natação brasileira, a ex-nadadora Fabíola Molina. “Foi nesta época que eu quis ser uma nadadora olímpica”, revela.

Do outro lado do mundo

Daynara conta que a sua primeira competição de peso foi justamente os Jogos Olímpicos de 2008. “Foi um baque muito grande pra mim. Eu comecei com os Jogos Olímpicos. Foi uma experiência bem forte. Eu era recordista sul-americana, mas nunca tinha ido a um campeonato sul-americano. Eu nunca tinha ido para uma competição absoluta”, revela.

A inexperiência era tanta que a nadadora sequer sabia que tinha que comprar o próprio traje de competição quando chegou à China. “Não tinha ideia que era uma competição tão grandiosa, tão forte, até então eu nadava por diversão, eu praticava não por profissionalismo, como hoje em dia. Eu comecei a dar resultados e aí foi quando eu consegui a vaga (para os Jogos da China). Não sabia nem que cada atleta tinha que correr atrás do seu traje de competição. Foi quando cheguei lá que eu percebi que tinha que ser profissional, que era um outro mundo, uma outra realidade a qual eu não tinha noção do que era”.

Na China, a inexperiência pesou e a atleta disputou apenas a primeira eliminatória, terminando com o tempo de 59s30m nos 100 borboleta. Apesar disso, a experiência marcou a carreira da atleta. “Não pude participar da cerimônia de abertura porque é um dia antes das provas de natação. Vi um pedacinho da abertura pela televisão”. E o dia a dia na Vila Olímpica? “Lá você é uma atleta e fica esbarrando nos melhores atletas do mundo. É surreal! É a realização de um sonho. Você dá três passos e vê um super atleta da Jamaica, dá mais três passos tem um atleta do Estados Unidos, do Canadá, é um sonho! Não tem palavras para descrever, são os melhores atletas do mundo e você está entre eles”, explica.

Londres 2012

Logo que deixou a China, a nadadora deu início ao novo ciclo olímpico visando os Jogos de Londres em 2012. Apesar do planejando nem tudo saiu como o esperado. “Em 2009 eu já mudei porque queria ficar treinando com o Fernando Vanzella. Eu queria fazer o ciclo olímpico com ele. Fui para o Minas (Clube), comecei a treinar com ele pra ir pra Londres, só que um ano antes (dos Jogos) ele foi mandado embora do Minas e acabou o ciclo. Tinha feito toda a preparação com ele e ele não estava mais lá, então fiquei sem clube um ano antes da Olimpíada. Fiquei procurando clube, com quem treinar... Foi meio desgastante. Foi um ano turbulento”, confessa. “Eu não estava na minha melhor forma, não consegui fazer meu melhor resultado. Foi uma Olimpíada na qual eu tinha experiência, mas não estava com o físico preparado”, sentencia.

Rumo aos Jogos do Rio

Dizem que depois da tempestade, vem a bonança. No caso de Daynara, o dito popular faz muito sentido. Passado os Jogos de Londres, ela finalmente encontrou um porto seguro ao começar a treinar no Sesi São Paulo. A parceria com o técnico Fernando Vanzella foi retomada e nadadora conseguiu fazer um ciclo perfeito até os Jogos do Rio de Janeiro. Ela se classificou não só para os 100 metros borboleta como ainda garantiu vaga no revezamento 4x100 livre. “Tô segura, mais experiente, sou profissional agora. Posso dizer que mudou completamente a minha vida. Tô numa rotina forte, com um técnico que me conhece, tô feliz. Minha técnica mudou em alguns pontos, estou muito contente com esse novo ciclo”, comemora.

Daynara contará pela primeira vez com a torcida da família, que vai ao Rio acompanhar as provas. Mas ela espera contar também, é claro, com a força da torcida amazonense. “Eu peço para mandar mensagens positivas, boas vibrações para que eu possa dar o meu melhor resultado. Se Deus quiser vou nadar abaixo da casa dos 58s”, anseia.

E será que o Rio de Janeiro será a última Olimpíada desta fera? “Nunca pensei em parar, eu faço o que eu amo. Eu tenho visão de Tóquio (onde serão os Jogos em 2020), mas muita coisa pode acontecer. É que nem aconteceu em Londres, perguntaram se eu ia parar, eu disse: deixa acontecer”, finalizou.

Três perguntas para Daynara de Paula

  1. Que cenário você espera encontrar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro?

Vai ser a competição mais importante da nossa vida. Os atletas brasileiros vão surpreender.

  1. O que a Daynara faz quando não está treinando e competindo?

Eu fazia dança do ventre, parei. Leio muito, faço inglês, saio com as amigas, com o meu cachorro, um spitz alemão chamado Odin.

  1. Você disse que gosta de ler. Que tipo de leitura faz a cabeça da Daynara?

Gosto de ler romance, ficção... Depende da fase. Agora tô numa fase mais romântica.

 

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