Sábado, 20 de Julho de 2019
Craque

Elas sofrem...

A difícil arte de ser mãe dos homens do apito



1.jpg Mãe de Carlos Frutuoso conta que leva um fone de ouvido aos estádios
11/05/2013 às 14:48

Mãe de árbitro ou assistente padece no campo de futebol, esteja ela presente ou não.

Não há figura mais requisitada nos palavrões do torcedor, dirigente ou jogador em dia de jogo. Mas hoje é dia de trégua. Elas serão homenageadas não apenas pelo seu dia, mas também por assimilar com bom humor os xingamentos, além de valorizar o trabalho dos filhos.

Lindalva da Silva Frutuoso, 53, é mãe do árbitro Antônio Carlos Frutuoso, 32, cotado como o melhor árbitro do Campeonato Amazonense de 2013, tem orgulho da profissão do filho. Nos dias em que Antônio Carlos está escalado para conduzir a arbitragem, Lindalva acompanha os jogos para torcer pelo árbitro.

Para se livrar dos xingamentos ela leva um fone de ouvido e dana a orar na arquibancada para que tudo dê certo para Antônio. Todavia, tudo começa em casa. Lindalva lava, passa e dobra de forma impecável a roupa de arbitragem do caçula de quatro irmãos. Quando Antônio chega em casa às pressas para logo sair em dia de jogo, o equipamento já está a postos. “No começo eu não queria muito (que o filho fosse árbitro) por causa de todo esse xingamento e pressão em cima do árbitro. Mas foi algo que ele (Antônio) escolheu e eu como mãe tenho que apoiar. Depois eu me acostumei com toda essa pressão e hoje eu oro bastante para que Deus lhe ilumine nas arbitragem”, diz Lindalva.

Agradecido, Antônio enaltece a importância da mãe no dia a dia em casa e rende a ela todas as conquistas profissionais. “Perdemos meu pai há seis anos, que morreu de cirrose. Ele era goleiro e se chamava Romualdo. Meu pai não deixou de ser uma inspiração para mim no futebol. A partir daí minha mãe, foi pai, patrocinadora, psicóloga, enfim, foi tudo para mim. Tudo que sou hoje devo a ela”, afirma Antônio, formado em educação física, professor da rede pública estadual e atua como personal trainner na academia Biogym.

Antônio já é arbitro credenciado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e tem objetivo de se tornar aspirante da Fifa. “Tenho um sonho de apitar uma Série A”.

Ela não dá bola para a torcida

Maria Marlene, 65, mãe do assistente Jander Rodrigues Lopes, que faz faculdade de sistema de informação, também pena em dia de jogo. Mas ela também diz não dar a mínima para os palavrões em seu nome e faz questão de estar ao lado do filho quando tem oportunidade. “Esse comportamento (xingamentos) é típico do futebol. Há os mais mal educados na torcida, mas há também o torcedor respeitoso, inclusive com os árbitros. Isso não me atinge”, explica a aposentada, que acompanhou Jander em Manacapuru, quando o Princesa do Solimões conseguiu vaga na final ao empatar contra o Fast Clube por 1 a 1. “Foi uma tarde chuvosa, mas eu gostei da torcida do Princesa. Fui conquistada pelo clube”.

Três perguntas

Lindalva Frutuoso mãe de Antônio Carlos Frutuoso

 

Ser mãe de árbitro é padecer na mão da torcida no campo de futebol?

No início eu não aceitava muito ele ser árbitro por causa dos palavrões, insultos, ofensas. É uma pressão muito grande de todos sobre os árbitros. Mas depois eu vi que era realmente o que ele (Antônio) queria. Como mãe eu tinha que apoiar a escolha dele, como o fiz. Eu cuido de tudo.

O fone de ouvido alivia as ofensas?

Sim. Eu nem ouço o que falam dele (Antônio). O pessoal grita, xinga, ofende, enquanto eu oro para que tudo saia em paz e meu filho faça um bom trabalho. A profissão de árbitro deve ser um pouco mais respeitada, porque ele sempre é culpado pela derrota. Não adianta fazer um trabalho justo. Vai sempre ter xingamentos.

A senhora é a fã número um do Antônio?

Quando tem jogo na televisão (o Campeonato Amazonense é transmitido ao vivo pela TV A Crítica (Record)), eu gasto todos meus créditos do celular ligando para amigos e familiares em Manaus e outras cidades, como Maués, para assistirem ele (Antônio) na arbitragem. Fico orgulhosa quando ele atua. Gosto vê-lo fazer o que gosta.

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