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Em entrevista exclusiva, Taffarel dá a receita para o Brasil conquistar a Copa de 2014

Herói do tetracampeonato dá dicas para a Seleção Brasileira conquistar mais um campeonato mundial de futebol 03/11/2013 às 12:26
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Herói do tetracampeonato, Taffarel dá dicas
PAULO RICARDO OLIVEIRA ---

Na voz rasgada, estridente e carregada na letra “R” do narrador Galvão Bueno, o goleiro Taffarel, hoje com 47 anos, ganhava contornos de herói nacional. “Vai que é sua, Taffarel!”. Era uma espécie de mantra, muitíssimo adequado à campanha de 1994, quando o Brasil foi tetracampeão contando inclusive com o fator sorte, tendo todos os jogadores cumprindo papel de protagonistas, inclusive Taffarel. O segredo daquela conquista, segundo o próprio Taffa, foi a união do grupo. No Mundial dos EUA, Taffarel também fez seus milagres e até defendeu um pênalti na final do Mundial, cobrado pelo volante italiano Daniele Massaro, na inesquecível batalha do estádio Rose Bowl.

Taffarel saiu de cena dentro do campo e atua hoje fora dele, mas sempre próximo ao gol. Ele trabalha há três anos como treinador de goleiros do Galatasaray, clube tradicional da Turquia. Da conquista do tetra o goleirão guarda boas recordações, mas isso é passado e Taffarel vive o presente. As entrevistas e aparições na mídia ficaram mais escassas, mas o herói do tetra falou com exclusividade ao CRAQUE sobre Copa do Mundo, vida profissional na atualidade, deu dicas sobre como a Seleção de Felipão deve fazer para se dar bem dentro de casa, entre outros temas. Taffarel é o segundo entrevistado da série “Dossiê Copa do Mundo” - que traz depoimentos exclusivos de jogadores que conquistaram títulos mundiais com a camisa amarelinha.

Foram 123 jogos. Taffarel viveu o inferno da desclassificação para a Argentina no gol que sofreu de Cannigia, em 1990, e a fatídica derrota na final da Copa do Mundo de 1998. Mas é claro que ele sempre será lembrado pelo título mais importante de sua vida: o tetracampeonato mundial de 1994.

Abaixo, trechos da conversa com o ex-goleiro que reinou absoluto no gol da Seleção Brasileira de 1987 até 1998.

Qual a sua expectativa sobre a Seleção Brasileira na disputa da Copa de 2014?

Aumentou bastante ultimamente, já com uma postura diferente, mas a Seleção ainda está em processo de melhoramento. Acontecendo isso, com certeza às expectativas serão grandes de todos os torcedores.

O fato de ser sede do Mundial é favorável para a equipe de Felipão ou a pressão será bem maior em razão disso?

Os dois juntos. A Seleção Brasileira deve usar o fator casa em seu favor, para poder jogar concentrada, atenta, com vibração, não dando chances para uma possível pressão vinda do próprio torcedor brasileiro. A torcida quer ver a sua Seleção jogando bem e ganhando sempre, o que é normal de um torcedor.

A conquista da Copa das Confederações terá alguma influência positiva na disputa do Mundial?

Futuramente não, os derrotados já esqueceram. A Seleção pode ver e mostrar que contra grandes adversários sabe jogar bem, e deve ter como base essa competição.

Durante os jogos da Copa das Confederações houve uma onda de protestos pelos gastos públicos com a construção de arenas e estádios. O povo foi às ruas cobrar educação, segurança, saúde, transporte digno e, sobretudo, transparência com os gastos públicos e contra a corrupção. Qual sua opinião sobre isso?

Dou toda a razão ao povo. Gostaria de estar lá no meio deles, lógico que pacificamente, como a maioria fez. Mas a causa dessa indignação não é a Copa ou os gastos. É um Brasil sem educação adequada, sem segurança, com saúde precária, estradas horríveis, corrupção correndo solta. Os políticos, juntamente com o governo, usam esses eventos como a Copa e Olimpíada para disfarçarem seus maus trabalhos em prol do povo.

Você acha que o Brasil tem infraestrutura suficiente para suportar uma Copa do Mundo sem problemas?

Se o turista ou torcedor de outro país não precisar de um hospital, não sair na rua errada, não pegar uma estrada como a BR 101 (que liga o Rio Grande no Norte ao Rio Grande do Sul), que conheço bem e, depois de mais de dez anos, ainda não está pronta... Nesse caso, eu acho que seremos bons anfitriões, mas disfarçados.

Qual a sua impressão geral sobre a equipe que vem sendo convocada pelo Felipão, salvo uma ou outra mudança?

Acho que ele (Felipão) tem um time na cabeça, mas aproveita essa fase para fazer testes nestes amistosos.

E de goleiro, a Seleção está bem servida com Júlio Cesar, Jefferson e Diego Cavalieri?

O Felipão optou pela experiência do Júlio, do Jeferson e do Diego. Creio que fez boa escolha. Estamos bem servidos de goleiros, na minha opinião.

O que o Brasil tem que fazer dentro e fora de campo para conquistar o hexacampeonato, levando em conta a pressão por jogar em casa?

Fazer o que fez em todas as copas que ganhou: jogar com seriedade, sem querer dar espetáculo, jogar com conjunto e sem vaidade. Assim, poderemos fazer uma ótima Copa.

Qual a principal lembrança que você guarda da conquista do tetra?

Com certeza a união dos jogadores fez sairmos todos vitoriosos e com o dever cumprido diante do torcedor brasileiro.

Que lições aquela Seleção pode ter deixado para a atual?

União, união e união.

Você lembra de ter jogado em Manaus? Quando e contra quem?

Apenas passei por aí (Manaus), foi uma pena não ter jogado.

Manaus será uma das cidades-sede da Copa, com uma obra vistosa, a Arena da Amazônia, que está quase 90% concluída e custará em torno de R$ 600 milhões. Mas nosso futebol não passa da Série D. Qual sua avaliação sobre esse quadro?

A Amazônia é vista com muito carinho e interesse pelo resto do mundo, mas muitas vezes as coisas são feitas com um interesse não muito lógico. Essa Arena é um deles, com certeza. O mínimo que espero é que essa onda de Copa e estádio novo possa impulsionar o futebol amazonense.

Como está o trabalho na Galatasaray e até quando vai o seu contrato?

Esse é o meu terceiro ano aqui como treinador de goleiro. Gosto muito desse país (Turquia). Tenho contrato até maio do próximo ano. Depois vamos ver o que acontece.

Você voltaria ao Brasil se recebesse uma proposta de trabalho boa, até como técnico de futebol?

Com certeza voltaria, mas não como técnico, não é minha área.

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