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Em entrevista para o CRAQUE, Nando abre o coração e revela que vai torcer pro Nacional subir

Depois de dois meses de silêncio após mais uma polêmica, o jogador resolvou abrir o coração e falou com exclusividade ao CRAQUE 05/06/2015 às 20:12
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Nando abre o jogo
Felipe de Paula Manaus (AM)

Amado por uns, odiado por outros, Alessandro Libório Vieira, o Nando, é sem sombra de dúvidas um dos mais emblemáticos personagem da história recente do futebol amazonense. Aos 38 anos, o temperamental atacante do Princesa do Solimões acumula títulos e polêmicas na carreira. Cinco vezes campeão da Série A do Campeonato Amazonense, o jogador costuma criar grande identificação com as torcidas dos times por onde passa. E, não raras as vezes, despertar o ódio nas torcidas rivais.

Em sua segunda passagem pelo Princesa do Solimões (chegou a ser artilheiro do Estadual de 2010), o jogador está no Princesa desde 2013, quando o time conquistou pela primeira vez o título de campeão amazonense, em final diante do maior campeão do certame, o Nacional. No ano seguinte, viu o Leão se vingar e reverter grande vantagem do Tubarão no primeiro jogo da final do Estadual, arrastando o título que já era cantado em Manacapuru.

Hoje, o pai de Iago, 17, Ian, 14, e Alessandra, 11, procura passar a experiência adquirida na vitória e na derrota para os companheiros mais novos, principalmente a da virada do ano passado, em que a situação de vantagem do Princesa era ainda mais difícil que a que o Tubarão encontrará hoje diante do Fast, já que precisa de dois gols para garantir a vaga e o Nacional precisava de três, tendo feito cinco.

Pois foi depois de dois meses de silêncio após mais uma polêmica que o jogador resolvou abrir o coração e falou com exclusividade ao CRAQUE. E como falou! Sem fugir de nenhuma pergunta, Nando comentou a partida de volta da semifinal do Amazonense contra o Fast, as polêmicas nas quais se envolveu recentemente e fez declarações surpreendentes, como a revelação de que vai torcer para o Nacional subir para a Série C do Brasileiro neste ano.

Confira a entrevista concedida no CT do Princesa, em Manacapuru. 


Nando, hoje quando falamos seu nome automaticamente vem uma aura de polêmica, principalmente depois de fatos como os do campeonato amazonense de 2014 e neste ano, ambos contra o nacional. em algum momento você se arrependeu de alguma coisa e o que você diria às pessoas que tem essa imagem ruim de você?

Com certeza (me arrependo). Me arrependo principalmente pela final do ano passado, que eu já cumpri, já paguei. Aquilo foi momento. Foi um momento de cinco segundos de leseira da minha vida. Mas a gente supera, ali não fui o primeiro tem muito menos serei o último. O que importa é que e todo time que eu passei eu sempre procurei dar o meu melhor, sempre procurei conseguir títulos, é o que Deus vem fazendo na minha vida. Claro que ninguém é perfeito, todo mundo comete erros, se arrepende. Eu me arrependi muito daquele erro contra o Leonardo. Nesse ano no primeiro jogo contra o Nacional, acontece aquele episódio em que eu vou saindo, a torcida me xingando, os caras jogando cerveja, me cuspindo, jogando sandálias. Eu tenho a imagem. Só que eles falaram só da parte deles. Mas isso eu deixei pra lá.


Você ainda não havia falado depois do incidente, né?

É, depois daquela situação, é a primeira vez que eu estou falando. Deixei o silêncio para que nessa fase eu possa dar a volta por cima e mostrar quem eu sou de verdade. Eu sinto sim, fiquei com vergonha até porque minha imagem foi muito lá pra baixo. Eu tenho esposa, tenho filha que vai pro estádio, aí vem gente me chamando de bandido, maconheiro, marginal. No jogo passado de novo, mas agora eu estou concentrado dentro de campo. O que eu quero passar pras pessoas que não me conhecem é que eu não sou aquela pessoa que falaram de mim. Esse é meu intuito, de dar a volta por cima com o título. 

E se você tivesse um mensagem pros torcedores do Nacional, qual seria?

Esse ano vou torcer pro Nacional subir. Primeiramente eu sou Amazonas. Vou torcer pro Nacional subir pra Série C, porque esse é o futebol amazonense. Eu vivi os grandes momentos do futebol amazonense, na série B (com o São Raimundo), e gostaria muito de ver de novo um time do Norte, representando bem o Amazonas como naquela época a gente representou. Eu sou Amazonas, vou torcer pro Nacional fazer um bom Campeonato Brasileiro, pra que suba, pra que se olhe para o nosso estado.  O futebol está crescendo e reviver de novo aquelas momentos maravilhosos de Série B, de Copa do Brasil, que eu fiz parte e agradeço muito a Deus por isso.

Você é remanescente do time de 2013, que foi campeão amazonense pela primeira vez e logo em seguida foi vice. É o período mais vitorioso da história do time de Manacapuru. Como se sente fazendo parte dessa história?

Eu me sinto só orgulhoso. Sempre falo pros meninos. Sou o cara mais experiente. Não o mais velho, mas o mais experiente (risos). Mas digo que é uma honra fazer parte desse elenco, de grandes jogadores que aqui se encontram, jogadores de diversos estados e graças a Deus todos também passaram a me conhecer dessa forma. Sabem que eu sou dentro e fora de campo, não sou aquela pessoa que falaram que eu era. Eu passei momento conturbado nesse campeonato, mas eles me apoiaram. Agora, um título de 2013, pra essa cidade que eu passei a amar, esse manto que eu passei a amar. Estou há três anos, já tinha jogado em 2010, em que não fomos campeões, mas eu fui artilheiro. E passou as ser minha família e o meu manto. É o Princesa que eu defendo e graças a Deus é de uma história vitoriosa. Fomos campeões em 2013, vice em 2014, o que eu posso falar? Tenho a dizer que Deus tem sido maravilhoso e tem me honrado nos momentos decisivos, e creio que esse ano não vai ser diferente.

Nesta semana, o Júnior Lacraia falou ao CRAQUE que alguns jogadores mais experientes do Princesa, como você e o Deurick, passaram uma mensagem positiva pra o grupo, lembrando até a derrota do ano passado, em que o Nacional superou grande vantagem do Princesa com uma goleada no jogo de volta. O que foi falado para os jogadores?


Esse jogo é muito importante para nós. Futebol nem sempre é do jeito que a gente quer. Como aconteceu no ano passado. Tinha uma vantagem, poderíamos perder por até dois gols e o Nacional virou. O futebol dá vários exemplos. O Atlético Mineiro foi campeão da Libertadores revertendo vários jogos. Foi isso o que a gente conversou. Tentei passar para eles que só os campeões serão lembrados. Tem que tirar força de onde pensa que não tem que é do fundo do coração!

Que experiência do time de 2013 você procura passar pros garotos de hoje?

Eu sempre falo que quando o grupo quer, ele se fecha de uma forma que não deixa passar nada. Eu acho que agora a equipe criou isso. Ela criou um vínculo. Nossa equipe ela está unida, um puxando o outro, ela está querendo ser campeã.  Eu 2013, tínhamos um elenco reduzido, ninguém acreditava. Classificamos em último e levamos o título. Acho que esse ano temos tudo pra conseguir o objetivo e se Deus quiser encerrar essa parte da minha vida sendo campeão.

Você deve parar de jogar neste ano então?

Eu digo pra eles (jogadores do Princesa): me ajuda a jogar mais um ano. Me dá esse título que eu jogo ano que vem. Se não for, vou pensar, falar com minha família, pra ver se vou jogar mais um ano, mais dois anos. 

E quando parar, o que pretende fazer?

Penso em seguir a carreira de treinador. Tenho amigos que estão fazendo curso no Rio de Janeiro, São Paulo, amigos que jogaram comigo no Paraná, em São Paulo. Eu já entrei em contato com eles, estou querendo também seguir, pagar esse curso, querendo ver o que vai ser da minha vida.


E com a experiência que você tem, dá pra dar pitaco no time?Principalmente nessa fase. Como tenho cinco títulos amazonenses só da série A, isso conta muito né?

Nessa parte, quando chega nessa parte mata-mata, são jogos diferentes. É hora de saber os homens dos meninos, e aí que aparecem os detalhes, onde a gente tem que estar ligado. Um erro nesse jogo a gente perde o campeonato. Foi o que aconteceu ano passado, que esse ano se Deus quiser não vamos deixar acontecer os erros do ano passado.

Hoje Princesa e Nacional fazem são grandes rivais do futebol amazonense. O que dizer da recente rivalidade entre estes dois clubes?

É maravilhosa. É bom, sempre tem que ter essa rivalidade no futebol. Tem quer ter clássico. Hoje Princesa e Nacional não deixa de ser um clássico. Sempre jogos bons, maravilhosos. Então tem que fazer parte essa rivalidade no futebol tem que existir.

Técnico Zé Marco. Qual sua relação com ele e a do grupo? O que você poderia dizer do “professor”?

É um cara gente boa. Cara que jogou futebol, sabe como é a vida de profissional. É um cara sincero, correto nas suas atitudes. Eu desejo muita sorte pra ele. Eu falo: “professor, esse ano vai ser o primeiro título do senhor numa sequência de vários que eu vou ver na sua vida”. Um cara verdadeiro, sincero, simples, humilde. Tem tudo pra ser um grande jogador no futuro. Está começando agora, tem tudo pra se tornar.

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