Sexta-feira, 03 de Julho de 2020
Hérois do tatame

Em meio à pandemia, professora de jiu-jítsu dá aulas online para deficientes

A decisão de não abandonar seus pupilos, mesmo em meio a pandemia, partiu da premissa de que o esporte é tão essencial para pessoas com deficiência, quanto para qualquer outra



WhatsApp_Image_2020-05-24_at_16.13.18_28266D00-BD1F-40A5-9E51-6A9918FB4FB6.jpeg Foto: Euzivaldo Queiroz
24/05/2020 às 15:44

Nas grandes histórias de super-herói, seja nos filmes de Hollywood ou histórias em quadrinho, sempre que o vilão está levando a melhor, o protagonista consegue manter sua esperança e lutar diante do mal. Fora da ficção, no ‘mundo real’, atualmente enfrentamos um inimigo digno de cinema, jamais visto na sociedade. Se por um lado, temos o Coronavírus (Covid-19) como nosso antagonista, é claro que também temos muitos dispostos a combatê-lo: os profissionais da saúde, os pais de família que seguem colocando comida na mesa, os cientistas em busca de uma vacina e os que de sua maneira levam um pouco de alegria para dentro de outras casas. Não super, mas com certeza heroína, a professora faixa-preta de jiu-jítsu, Karina Dias, segue dando aulas online - totalmente adaptadas -, para seus alunos com deficiência.

A decisão de não abandonar seus pupilos, mesmo em meio a pandemia, partiu da premissa de que o esporte é tão essencial para pessoas com deficiência, quanto para qualquer outra e a falta desta atividade teria consequências desastrosas para as crianças. Assim como diversos personagens fictícios, Karina traz a luz da esperança àqueles que poderiam ficar no ‘escuro’ dentro do atual cenário. 



“A nossa academia, a Kimura, sempre se dedicou à causa dos deficientes. São cerca de 30 alunos nesta condição, praticando o jiu-jítsu com a gente. Entre autistas, síndrome de down, paralisia cerebral, deficiência auditiva e por aí vai. Não podia permitir que eles ficassem sem o jiu-jítsu, quando vi escolas realizando as aulas online, logo tratei de bolar um jeito de fazer isso com eles”, destacou a professora, que há 14 anos, entra no tatame para trazer mais qualidade de vida aos alunos e pela primeira vez realiza sua missão via internet.

Os treinos adaptados acontecem por plataforma de videochamada - iniciando às 16h até 19h -, alguns individuais e outros em ‘turma’, para que os pequenos também possam socializar com seus colegas de academia. Ela explica como utiliza o espaço da casa dos alunos, para adaptar os exercícios e a felicidade dos guerreiros mirins com a rotina de aulas.

“Na minha casa, por exemplo, tenho o boneco utilizado para praticar. Como eles não possuem esse equipamento, peço que usem um travesseiro ou cadeira. Tudo nós conseguimos dar um jeito, não é difícil. Muitos ficam com um pé atrás, mas eles são completamente capazes de realizar as atividades. Eles ficam super animados quando vai chegando a hora da aula, as mães sempre relatam que ficam na expectativa”, disse a heroína do jiu-jítsu, que combate principalmente o desânimo e ociosidade causada pelo Coronavírus.

Atualmente, a demanda de Karina em relação ao número de participantes é de 20 crianças, 30 minutos por cada aluno ou grupo, entre deficientes e não. Ela revela que há certa resistência por parte de alguns pais, devido à desconfiança em relação às atividades online. 

“É algo extremamente novo, muitos pensam que é impossível treinar o jiu-jítsu online, por se tratar de um esporte de contato. Porém, todos eles estão tendo um desempenho extraordinário, os deficientes ficam extremamente felizes de continuar treinando. Olhar o sorriso deles ao fim das aulas é algo que me deixa muito grata. Isso também ajuda em casa, as crianças gastam toda aquela energia nas aulas”, concluiu sobre sua jornada heróica e contando que a batalha contra o vírus é travada com muito gosto.

 

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Repórter de A CRÍTICA

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