Quarta-feira, 23 de Setembro de 2020
PREPARAÇÃO

Em passagem por Manaus, Poliana Botelho fala de próxima luta no UFC

A atleta peso mosca do ultimate veio à capital amazonense para realizar um exame de vista e, liberada para o combate, falou sobre a carreira e o clima para entrar novamente no octógono



WhatsApp_Image_2020-09-13_at_16.22.44_6A9A7485-EF96-441C-B03B-18FFD9B5FAE7.jpeg (Foto: Junio Matos)
14/09/2020 às 07:05

A lutadora peso mosca do UFC, a mineira Poliana Botelho, atleta da Nova União, esteve em Manaus neste final de semana para realizar um exame de vista – procedimento necessário para profissionais de MMA – projetando o seu confronto para o próximo dia 17 de outubro, nos Emirados Árabes, contra a canadense Gillian Robertson, no UFC Fight Night, que terá como luta principal, Brian Ortega contra o Zumbi Coreano.

Em conversa exclusiva para o CRAQUE, a mineira contou que por conhecer o trabalho dos profissionais da clinica manauara e alinhado à curiosidade de conhecer a cidade, tudo acabou motivando a atleta a desembarcar na capital amazonense.



“Foi um casamento perfeito, pois eu precisava de uma clinica que me oferecesse toda a estrutura para realizar meus exames de vista, e também eu sempre tive a curiosidade de conhecer a cidade que revela um verdadeiro esquadrão de campeões pela Nova União, como por exemplo, o nosso rei, José Aldo, ou a Ketlen Vieira, o Galvão, então isso acabou me entusiasmando. Ainda mais que eu sempre fui doida para conhecer Manaus”, disse Poliana.

Sobre o procedimento que Poliana precisou fazer, o medico oftalmologista Cavalcanti Júnior explicou as lesões que os atletas de alta performance podem ter em suas lutas e atentou para o cuidado que a organização tem para que esse acompanhamento seja feito de forma correta. Segundo ele, a lutadora da Nova União está sem nenhum problema para o seu próximo compromisso no UFC.

“É muito mais comum os atletas terem mais as lesões por contusão, que são aquelas que formam hematomas que ficam em volta dos olhos ou hemorragias que ficam no branco do olho. Já as lacerações cortam a pálpebra, a parte da sobrancelha ou do supercílio. E sem contar com as lesões internas, que são mais graves, como catarata traumática, descolamento de retina, que inclusive, pode causar cegueira. Então a ideia do UFC é para proteger a saúde visual do atleta, a gente faz um check-up ocular para ver se ela estar apta para sofrer algumas “injurias”, e a Poliana não apresentou nenhuma lesão, desde a parte externa, até a parte mais interna, ela está com a visão perfeita para o seu próximo compromisso”, destacou o médico.

Experiência nos 52kg

Após se sagrar campeã peso mosca (até 56kg) do evento Xtreme Fighting Championships (XFC) em meados de 2015, a atleta chamou a atenção de evento mais popular de MMA do planeta e fechou com o UFC em 2016. Poliana só conseguiu estrear em 2017, quando venceu a americana Pearl Gonzales, por decisão unanime, na categoria abaixo do que ela naturalmente estava acostumada a se apresentar, no peso palha (até 52kg).

Poliana explicou para o CRAQUE que a mudança de peso acabou atrapalhando sua performance tanto nas lutas como nos treinamentos, e que em certo momento da sua carreira, ela já se preocupava mais em perder os quilos necessários para bater os 52 da categoria, do que aprimorar seus atributos dentro da academia. A atleta ainda lutou mais duas vezes no peso palha, quando venceu a japonesa Syuri Kondo por nocaute no primeiro round e na sua única derrota no ultimate, quando foi finalizada no primeiro round pela americana Cynthia Calvillo.

“Nessa minha última derrota, eu vim de processo de perda de peso, lutando em uma categoria que eu não estava acostumada a atuar, precisei perder 18 quilos para conseguir bater a marca de 52 quilos, já era a terceira vez que eu estava passando por este processo difícil, eu já não conseguia nem treinar mais, a minha saúde começou a ficar realmente debilitada. Foi quando eu decidir que não ia mais bater essa faixa de peso, pois já estava afetando meu rendimento no dia-a-dia”, explicou a lutadora peso palha do UFC.

Retorno aos 56kg e treino de grappling

Com 10 lutas na carreira, sendo quatro no UFC, Poliana é conhecida pelo seu poder de nocaute, das oito vitórias que a mineira conquistou, apenas duas foram para a decisão dos juízes, curiosamente, essa duas lutas foram todas no próprio UFC, sendo a última já no peso mosca, contra a americana Lauren Mueller, em 2019. E como sua última derrota foi para uma lutadora que tem mais armas na luta agarrada e a sua próxima adversária também conta com essas características, Poliana disse que precisou treinar mais wrestling e jiu-jitsu, e que hoje se sente uma lutadora mais completa.

“Agora eu me sinto uma lutadora muito mais completa, tenho treinado muito wrestling, jiu-jitsu, me dedicado muito forte, as meninas estão até brincando na academia que estou me tornando uma grappling, mas eu sempre digo que nunca vou deixar meu carro chefe, que é a luta em pé, eu sempre busco nocautear, sou uma striker, mas eu me sinto uma nova lutadora neste momento da minha carreira”, afirmou Poliana.

Em caso de vitória na próxima luta, Poliana deve conquistar pelo menos a 15ª posição do peso mosca, que hoje é da própria Gillian Robertson, e entrar no ranking do UFC da categoria. Mesmo projetando chegar nos tops da divisão e conseguir disputar o cinturão, que hoje estar em posse da temida Valentina Shevchenco, Poliana prega calma na sua caminhada e diz que não tem pressa para chegar na parte de cima.

“Para o meu futuro, eu desejo chegar nas cabeças e disputar o cinturão, mas eu sei que precisamos ir aos poucos, sem ter pressa ou pensar em que eu posso enfrentar na próxima rodada caso eu vença, acho que quem tem que pensar isso é o UFC, então eu tenho que focar sempre na minha adversária, que agora será a Gillian Roberts, para depois pensar na sequência do trabalho”, explicou Botelho.

No UFC desde 2017, a mineira é 3-1 na organização, a única derrota foi para Cynthia Calvillo, que tem apenas uma derrota no UFC em sete lutas. O confronto contra Gillian será o primeiro de Poliana em 2020 e o segundo dentro da organização na volta ao peso que lhe deu o título do peso mosca no evento XFC. Na última luta, a mineira venceu a americana Lauren Mueller por decisão unanime, no dia 13 de abril de 2019.

Repórter de A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.