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CICLO OLÍMPICO

Em preparação para Jogos de Tóquio, Zé Roberto fala sobre renovação: 'é inevitável'

Técnico comanda a seleção brasileira feminina de vôlei em amistoso contra a Republica Dominicana, nesta terça-feira (30), na Arena Amadeu Teixeira, em Manaus. 30/05/2017 às 18:03
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(Foto: Antonio Lima)
Lorenna Serrão Manaus

Único brasileiro tricampeão olímpico, José Roberto Guimarães, ouro nos Jogos de Barcelona 1992, à frente da equipe masculina, e em Pequim 2008 e Londres 2012, como treinador da seleção brasileira feminina, está em Manaus para comandar as meninas diante da República Dominicana. O amistoso, que marca o início do ciclo olímpico, rumo a Tóquio 2020, acontece nesta terça-feira (30), às 20h30, na Arena Amadeu Teixeira, Zona Centro-Sul de Manaus.

Após o último treino da equipe brasileira, na manhã de hoje, o treinador bateu um papo exclusivo com o Portal A Crítica, e entre muitos assuntos, falou sobre a renovação do grupo canarinho, derrotas e vitórias ao longo da carreira, e também sobre a amazonense Moara, atleta do Barueri, time comandado por ele, que no último mês garantiu o acesso para a primeira divisão da Superliga de Vôlei.

Quais são as dificuldades na hora de renovar uma equipe de vôlei?
É  inevitável que essa renovação aconteça. Nós chegamos em um momento no feminino em que algumas jogadoras queriam ser mães, queriam cuidar da família, isso faz parte do contexto do vôlei feminino, todas passaram por esse processo. Então já era esperado. Estamos tendo essa renovação, mas algumas dessas jogadoras nós já tínhamos trabalhado. Elas estão em um processo de crescimento e desenvolvimento importante, agora é cada vez mais tentar dá experiência internacional para que elas consigam jogar contra as melhores equipes e jogadoras do mundo, exatamente pra consolidar esse processo de evolução. O que eu espero é que a gente consiga fazer bons jogos  e que elas consigam aproveitar e aprender com esses jogos, e consigam se desenvolver melhor.

O que motiva um treinador, que não precisa provar mais nada pra ninguém, seguir no comando da seleção brasileira?
O que me motiva é que eu venho pro treino como se fosse a melhor coisa do mundo. Eu tenho prazer, eu adoro aquilo que eu faço, eu não sinto que é um trabalho, nada me sobrecarrega. Como eu venho fazer o que eu gosto e me dedicar ao que eu gosto, eu sinto que é a melhor coisa do mundo.  Apesar de trabalhar com pessoas, que é a grande dificuldade, porque cada uma é de uma maneira, cada uma tem um sonho, um comportamento diferente, eu acho que é muito gostoso estar convivendo e ajudar nesse processo de evolução. E a coisa mais importante é representar o meu País. Essa é a missão mais gostosa de todas. E que eu levo como as missões mais importantes que já me deram. Eu não sinto peso, acho que ainda tenho coisas para ensinar e aprender.

A eliminação nos Jogos do Rio 2016 foi o momento mais triste da sua carreira?
Foi um dos momentos mais difíceis. Quando a gente tem uma eliminação precoce de um campeonato que nós treinamos, nos dedicamos e planejamos durante quatro anos, em um mata-mata e em um jogo como aquele (contra as chinesas) é complicado. Mas também os outros treinam pra ganhar.  A mesma coisa já aconteceu com a gente de outras formas. Em Londres, nós começamos como a China começou e acabamos ganhando. E agora foi a nossa vez de pagar o preço. Isso faz parte da nossa vida, ganhar ou perder, e aprender também com essas derrotas; se a gente souber entender o porquê que ela veio, o caminho que a gente tem que seguir, as coisas vão bem. Tudo na vida é aprendizado e a gente tem que planejar um ciclo novo, com jogadoras novas, que precisam ganhar experiência, com muitos jogos pela frente, muitos treinamentos, muitos sacrifícios, mas ao mesmo tempo tudo vale a pena, independente do resultado final como foi no Rio, mas nós tivemos muitos momentos felizes como foi em Pequim e em Londres.

Sobre o Barueri, você esperava conseguir esse acesso tão rápido e no primeiro ano do projeto?
Eu confiei desde o primeiro momento. E depois foi o trabalho também que levou a gente a essa grande conquista. Mas o que me moveu a esse desafio, que talvez tenha sido um dos maiores da minha vida, foi o fato de terem acabado com as categorias de base em 2016, em Barueri, na cidade onde eu moro. Isso me tocou. Eu pensei: 'isso não pode acabar dessa maneira, a gente precisa dar continuidade,  precisamos continuar fornecendo jogadoras pra base e pra seleção brasileira'. E aí foi a corrida atrás de patrocinadores e de gente pra poder ajudar. E nós acabamos encontrando o nosso anjo que foi a Hinode, marca de cosméticos, que abraçou a causa e está nos ajudando até agora. Foi um grande desafio, mas as jogadoras acreditaram, e algumas delas já estavam quase desistindo, sem a possibilidade de jogar na Superliga, e eu disse, 'vamos tentar, vocês nos ajudam'. Elas toparam, aceitaram e conseguimos vencer todas as nossas etapas e hoje estamos na A. Agora segura porque vai ser mais difícil.

O que você tem a dizer sobre a Moara, que é amazonense e joga no Barueri, como foi essa descoberta?
Ela apareceu na peneira, pra treinamento, mas ela não fez a peneira com todo mundo, ela fez uma peneira antecipada com o técnico da sub-17. Eu tava ginásio tinha acabado de comandar um treino, tinha um compromisso e não vi. Mas o Alê disse que ela era talentosa, que tinha fundamentos importantes e que era regular. E aí começou esse processo, nós puxamos a Moara pro time adulto, treinando e jogando, e ela correspondeu do início ao fim. É uma jogadora inteligente e que tem condições de jogar no alto nível. Ela é jovem e tem tudo pra evoluir.

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