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AINDA DE PÉ?

Empresa chinesa nega compra do Nacional e clube do Amazonas justifica

Ledman emite nota negando a “compra do Nacional”’, mas silencia sobre terceirização do departamento de futebol. Nacional garante que o negócio está em processo de finalização 04/05/2018 às 04:22
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Após aprovação no fim de março, contrato com chineses segue sem oficialização. (Foto: Divulgação Nacional)
Valter Cardoso Manaus (AM)

A noite do dia 23 de março foi de comemoração em um dos clubes mais tradicionais do Amazonas. Após Assembleia Geral Extraordinária, os sócios do Nacional Futebol Clube aprovaram por unanimidade a proposta para terceirização do Departamento de Futebol do clube. A empresa chinesa Ledman Sports foi anunciada como responsável pela gestão e os investimentos no setor, com previsões milionárias de aporte, mas até esta quinta-feira (03), o acordo não foi finalizado. 

Uma nota oficial emitida pela multinacional no início de abril levantou uma série de dúvidas sobre a validade da negociação. No comunicado, com data de 9 de abril, a Ledman nega a aquisição do clube amazonense, como alguns veículos da imprensa nacional chegaram a noticiar, e silencia sobre o acordo de terceirização.

Na nota, a empresa classifica as informações de compra do time como “falsas e deturpadas”. E aponta que a Ledman Sports, citada como responsável pelo investimento, não é uma entidade comercial independente. A nota afirma que “nenhuma aquisição foi feita pelas subsidiárias”, mas não faz menção sobre a negociação referente à gestão terceirizada do time amazonense.



Explicação

De acordo com o presidente do Nacional, Roberto Peggy, o documento emitido pela empresa em abril tem a função de evitar problemas judiciais com o governo chinês. “O que nós tivemos de retorno sobre essa nota foi que, na China, chegou a informação de que eles (Ledman) estavam comprando um clube de futebol em Manaus sem informar ao governo. Eles foram obrigados a emitir uma nota desmentindo que não havia nenhum processo de compra”, explicou.

Segundo Peggy, uma nova nota seria emitida em seguida dizendo que existe uma parceria sendo desenvolvida em relação a patrocínio e terceirização do departamento de futebol. Ele conversou com a equipe do Portal A Crítica no dia 20 de abril, uma sexta-feira. Mais de dez dias depois, no entanto, nenhuma nova nota foi divulgada com os esclarecimentos apontados. 

Procurado novamente, o dirigente do Nacional afirmou que os parceiros enviaram um comunicado interno colocando a BSI Soccer (empresa  paulista de agenciamento e marketing esportivo) como a empresa que está intermediando a negociação e que logo emitiriam uma nova nota oficial no site. “Ontem (2 de maio) eu falei com o representante local da BSI e ele disse que já tinham sinalizado que estava tudo 'ok' com relação a parte contratual e que agora é só aguardar mesmo a minuta de contrato”, justificou Peggy na quinta-feira (03).

A minuta de contrato citada também teve datas seguidamente adiadas. Ainda em março, após a assembleia, a previsão era de que em algumas semanas o contrato fosse celebrado. No dia 20 de abril, a previsão passou para a semana seguinte. “Como estamos neste momento: no aguardo do envio da minuta de contrato final para que o Nacional possa reunir o seu conselho deliberativo, fazer uma última análise e também aprovar essa minuta para a assinatura. A previsão que nos entregaram é que essa minuta deve chegar entre terça e quarta-feira (no caso, dias 24 e 25 de abril)”, apontava Peggy. Novamente  procurado pela reportagem, o presidente considerou a variação de datas normal. “Nós consideramos normal porque, na conversa da semana passada, vieram conversas muito específicas da parceria”, avaliou o presidente.

O dirigente apontou que os chineses teriam solicitado alojamento para quarenta jogadores de base para intercâmbio, a comissão técnica também faria um processo com até dois auxiliares na equipe e até mesmo a antecipação da gestão da equipe para a Série D deste ano, sem necessidade de um processo de transição, como anunciado inicialmente.  A nova previsão, segundo o presidente, é até a próxima segunda-feira. Após esta fase, a assinatura do contrato será celebrada.  “Imagino que dentro de dez dias isso tudo esteja alinhado”, disse.

Por fim, o presidente do Nacional reafirmou a validade da negociação com os chineses. “Até o momento não recebemos nenhuma negativa. Segue, e toda a documentação que eles pediram para nós foi atendida dentro do prazo hábil então, da parte do Nacional não existe nenhuma pendência que pudesse impedir o contrato. Da parte deles, eles já sinalizaram que por eles também está OK. Neste momento, segue”, finalizou Roberto Peggy.

Sem resposta

A equipe de reportagem tentou contato diretamente com a empresa Ledman para uma posição sobre a terceirização e parceria,  mas não recebeu as respostas. 

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