Publicidade
Esportes
GOL CONTRA

Empresa chinesa que administraria o Nacional nega negociação com clube

"A Ledman não tem negociação ou parceria com qualquer clube ou organização no Brasil", diz a empresa. Chineses alegam que houve falsificação de documento 14/10/2018 às 09:38 - Atualizado em 14/10/2018 às 10:54
Show contrato ok 6017e0e5 32fa 4776 939b 987ff85ecdfb
Negociação teve início em março e nunca saiu do papel. (Foto: Divulgação/Nacional)
Valter Cardoso Manaus

O projeto de terceirização do departamento de futebol do Nacional para uma multinacional chinesa prometia ser revolucionário, mas passou longe disso. De acordo com a Ledman, empresa apontada como investidora no suposto negócio, tal negociação nunca existiu.

Após meses de tentativas de contato com a empresa chinesa, a empresa respondeu aos questionamentos do Portal A Crítica e descartou o investimento no clube amazonense. “A Ledman não tem negociação ou parceria com qualquer clube ou organização no Brasil como já esclarecemos no comunicado anterior”, respondeu a empresa, por e-mail (veja abaixo), apontando o posicionamento apresentado em abril, onde negava a compra do Nacional.

Na época, o Portal A Crítica questionou o presidente do Nacional, Roberto Peggy, que justificou ter havido um problema quanto ao termo apresentado e que a legislação chinesa não permitiria compra, apenas um acordo de terceirização do departamento de futebol. O mandarário do Leão afirmou também, na época, que a empresa emitiria uma nova nota esclarecendo tal situação. 

Depois do comunicado, a Ledman não emitiu qualquer posicionamento oficial. Todas as informações sobre o andamento da suposta negociação eram repassadas pelo Nacional e pelo empresário, e então candidato a deputado estadual,  Luiz Américo (PR), apontado como responsável por intermediar a negociação entre as partes. Em agosto, já questionado pela reportagem, Luiz Américo reafirmava que a negociação era válida e chegou a encaminhar um documento supostamente emitido pela Ledman para comprovar o contato chinês (imagem abaixo).

Documento enviado pelo empresário Luiz Américo para comprovar a suposta representação da Ledman no Brasil

A empresa, no entanto, foi enfática após analisar o documento. “Esse documento é falso. Eles falsificaram. Nós liberamos informações da empresa somente através do site, que é o nosso meio oficial de comunicação”, aponta a resposta da Ledman, que não descarta acionar legalmente os envolvidos. “Vamos discutir as próximas etapas com o nosso departamento jurídico”, concluiu.



Respostas
Questionado pelo Portal A Crítica sobre a afirmação da Ledman de que não havia negociação, Luiz Américo afirmou que as tratativas continuavam acontecendo e justificou que a posição da empresa seria para manter o sigilo. “Toda negociação que acontece a nível Brasil e alguns países onde a Ledman tem contrato de confidencialidade e fidelidade entre eles e a BSI, toda tratativa acontece através da BSI”, respondeu.

Américo ainda garantiu que os chineses devem vir ao Brasil entre o fim deste mês e início de novembro para tratar sobre os contratos no País. Questionado sobre a afirmação de que os documentos seriam falsos, o empresário destacou que precisaria entrar em contato com a BSI para esclarecer o assunto. O Portal A Crítica também tentou contato direto com a empresa, mas não teve retorno.

O presidente do Nacional, Roberto Peggy, explicou que todas declarações sobre as negociações estão sendo feitas através do Conselho Deliberativo e que só irá se manifestar após apurar os fatos. 

O caso

O ‘sonho chinês’ teve início em janeiro deste ano, quando Luiz Américo anunciou o interesse da empresa asiática em fechar uma parceria com clubes do Amazonas. A parceria contaria com investimento chinês tanto em estrutura quanto no intercâmbio de jogadores da China. A negociação seria feita através da BSI, empresa de agenciamento e marketing esportivo.

No dia 23 de março, os sócios do Nacional realizaram Assembleia Geral Extraordinária e votaram, por unanimidade, a favor da terceirização do departamento de futebol do Nacional. A proposta inicial seria de 20 anos de parceria e a empresa repassaria 1 milhão de dólares ao Leão da Vila no ato da assinatura do contrato. Luiz Américo foi apontado como o representante da empresa BSI na região.  A negociação logo virou manchete no país e alcançou até a imprensa internacional.

O primeiro sinal de alerta da negociação surgiu no dia 9 de abril. Nesta data, a multinacional classificou as informações de compra do time como “falsas e deturpadas”. Na época o presidente do Nacional argumentou que a empresa negava apenas a compra, mas que a terceirização seguia em andamento. No dia 7 de junho, o clube convocou uma coletiva de imprensa para anunciar a entrega oficial de contrato de terceirização. No mês seguinte a contraminuta foi enviada aos chineses.

Em agosto, o clima esquentou. No dia 8, o Nacional publicou nota oficial apontando vários motivos que emperraram a negociação, entre eles a falta de documentos oficiais. Luiz Américo divulgou documentos que comprovariam a ligação entre Ledman e BSI.

No dia 4 de outubro, um suposto representante da BSI visitou as instalações do Nacional, justamente três dias antes das eleições.

Publicidade
Publicidade