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Empresário apresenta documentos e faz revelações sobre terceirização no Nacional

Proposta de terceirização do futebol do clube por empresa chinesa ganha contornos de novela e não tem prazo para se concretizar 12/08/2018 às 08:05
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Namoro entre os chineses e o futebol amazonense começou no início do ano e o Leão da Vila Municipal foi o escolhido para a parceria. (Foto: Divulgação Nacional)
Valter Cardoso Manaus (AM)

Dia após dia, o processo envolvendo a “revolução chinesa” no futebol do Amazonas ganha novos elementos que o aproximam de uma verdadeira novela. Na cena mais recente, o empresário e pré-candidato a deputado estadual Luiz Américo, apresentado como representante da BSI, empresa que conduz a negociação com a empresa Ledman, apresentou sua versão sobre os últimos capítulos da negociação.

Após ser cobrado publicamente pelo Nacional, o empresário procurou o CRAQUE para apresentar a credencial apresentada pela empresa BSI, apontada como intermediadora na negociação com a multinacional, e explicou a não apresentação de um documento físico oficial ao clube amazonense. “Eu tenho a documentação digital atual, que chegou, porque a que nós tínhamos não estava autenticada e reconhecida em cartório, isto é fato, só que chegou para mim hoje (sexta-feira, 10), ela já autenticada em cartório, não fisicamente, estou mandando eles me mandarem por correspondência, Sedex. Mas eu a tenho digitalizada e já reconhecida em cartório”, explicou Luiz Américo.

Documento enviado pelo empresário Luiz Américo para comprovar a validade de sua representação durante a negociação.
Documento enviado pelo empresário Luiz Américo

O empresário também revelou que o ritmo das negociações teriam diminuído após novas informações sobre o clube amazonense. “Sabemos que o Nacional está endividado, com alguns problemas jurídicos, trabalhistas e estamos analisando com muito carinho esta situação porque não podemos associar a imagem com algo negativo. Por  isso a negociação é complicada, não é muito simples, é complexa mesmo porque ela estava sendo simples até antes dos últimos acontecimentos em relação ao Nacional. Depois que foi exposto que o clube está com dívidas trabalhistas e alguns outros problemas isso também vem sofrendo alguns problemas”, revelou Luiz Américo. “Estamos  tentando contornar a situação porque para qualquer tipo de negociação algo negativo entre ambas as partes interfere diretamente na negociação futura”, completou.

Procurado para comentar o assunto, o presidente do Nacional, Roberto Peggy, se disse surpreso com o posicionamento. “Desde o primeiro contato que foi feito sobre o assunto, foi apresentada  a situação financeira do clube. Se não fosse por essa questão que nos incomoda desde 2016 não teríamos motivos pra falar em terceirização do departamento de futebol”, disparou Peggy.

O representante da BSI na negociação, Luiz Américo, reafirmou que a oferta segue de pé e que os representantes da China devem desembarcar em Manaus ainda neste ano. “Eles vão vir para ver a estrutura do Nacional, isto que estou alinhando com eles, mas sabemos que não seria   basicamente uma prioridade agora porque o Nacional não tem calendário em 2018 mais. Então é preferível que se estenda um pouquinho mais lá para frente e fecha o negócio com a vinda deles aqui para Manaus e dá continuidade no fechamento do negócio”, acrescentou Américo.

Mais uma vez, a pontuação feita pelo empresário foi contestada por Roberto Peggy. “As reuniões do conselho deliberativo aconteceram após a definição das competições de 2018, onde já estava definido o nosso calendário para 2019. Em nenhum momento isso foi apresentado como empecilho por parte da empresa  uma vez que o contrato para exploração do departamento de futebol está definido para vinte anos, tempo suficiente para se montar um projeto de ascenção de séries. Formalmente não tivemos nenhuma objeção, nem em relação a questão das dívidas, muito menos em relação a calendário esportivo.  Estamos surpresos por essas justificativas estarem sendo feitas através da imprensa e não formalmente como deve ser em uma negociação dessa magnitude”, encerrou o presidente do Nacional.

Luiz Américo reforçou ainda que após apresentar os documentos ao Nacional, a negociação vai seguir normalmente. “Aí é aguardar um pouco já que a minuta foi enviada para a China e é uma decisão que não parte da minha pessoa, já que sou apenas um representante deles, tem que ser definida através do presidente da Ledman em conjunto com o presidente da BSI”, explicou.

Entenda o caso

O primeiro capítulo da novela foi ainda no mês de janeiro. Luiz Américo se apresentou com representante da BSI e apresentou a intenção de uma multinacional chinesa em investir no futebol amazonense. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa na Arena da Amazônia.

Em março, após Assembleia Geral Extraordinária, os sócios do Nacional Futebol Clube aprovaram por unanimidade a proposta para terceirização do Departamento de Futebol do clube para empresa asiática. No fim de semana seguinte, o clube foi eliminado do Barezão e deu adeus às possibilidades de disputar competições nacionais em 2019. Ainda assim, os representantes do Nacional apontavam que a possibilidade já havia sido discutida e que o processo seguiria normalmente.

A notícia correu as manchetes do Brasil e do mundo, mas teve a primeira reviravolta em abril. Em comunicado, com data de 9 de abril, a Ledman negou a aquisição do clube amazonense, como alguns veículos da imprensa nacional chegaram a noticiar. Foi único posicionamento da empresa feito diretamente através de seus meios oficiais até hoje. Na época, o Roberto Peggy argumentou que foi apenas um erro no termo apresentado pela imprensa e reafirmou o prosseguimento do negócio.

Em junho, o Nacional recebeu o contrato da empresa. Após reuniões, o Conselho Deliberativo elaborou uma contraminuta e enviou aos chineses.

Em agosto, o Nacional revelou, através de nota oficial a pendência de documentos que comprovassem Luiz Américo como representante e cobrando contato direto com os investidores.

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