Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
Empresário Futebol Clube

Empresários da bola lucram com o futebol amazonense

Agentes aproveitam a desvalorização das cetegorias de base, pelos clubes, para lucrar com jogadores amazonenses



1.jpg Empresários da Bola
17/02/2013 às 15:42

Enquanto os clubes protagonizam histórias de descaso com jogadores das categorias de base no Amazonas, há quem se aproveite dessa situação para lucrar ajudando os jovens talentos do futebol. Envolvidos ou não com times amazonenses, esses agentes criam vínculos com os atletas que consideram promissores, assumem o risco de bancá-los por tempo indeterminado e são unânimes quanto à essência da atividade: vale a pena apostar nas promessas da região.

O trabalho existe a partir de um vínculo oficializado em cartório entre o atleta e o agente. A fatia pertencente ao financiador aqui no Estado varia, em média, entre 10% a 30% dos direitos econômicos do jogador. Assim sendo, o negócio pode ser altamente lucrativo em caso de sucesso nas negociações, mas também expõe o risco de um enorme acumulo de despesas para quem não conseguir vender os jovens.

Pivô da polêmica envolvendo a diretoria do Nacional e os jogadores que disputaram a Copa São Paulo de Futebol Júnior, na qual parte desses passou três noites em um aeroporto, o técnico Darlan Barroso não teve o respaldo de seus comandados no episódio à toa. Além de uma longa amizade com o treinador, iniciada a partir da disputa do Peladinho de 2007, defendendo o Recanto da Criança, parte do grupo cedeu, em média, 15% do passe a ele.

A proposta de estabelecer um vínculo com os garotos no futebol partiu de Darlan, mas a ideia foi de profissionais experientes no ramo, segundo o técnico. “Surgiu essa ideia em 2009, quando eu treinava essa base na categoria infantil do Nacional. O auxiliar-técnico Paulão e o preparador físico Ronaldo Sperry me aconselharam a ter um vínculo com eles porque, depois da Copa São Paulo, o time poderia abandoná-los e os moleques tinham potencial”, revelou.

Entre os jogadores dos quais Darlan Barroso detém o passe, três concretizaram negociações com clubes de outros Estados após a Copinha: o atacante Kayck foi para o Luziânia-DF, também com a ajuda do técnico João Carlos Cavalo, comandante da equipe no Campeonato Brasiliense; o zagueiro Dunga, que tinha contrato com o Naça até o dia 1º de fevereiro, acertou com o Desportivo Brasil-SP, enquanto o volante Jamerson foi para o Gênus-RO.

Na iminência de acertar com um novo clube, o atacante Weverton, o meia Michael Jordan e o lateral esquerdo Renato estão com viagem marcada para Belo Horizonte, onde realizarão um teste no dia 4 de março para integrar o time júnior do Cruzeiro. Os três jogadores defenderam o Nacional na Copinha deste ano, mas todos foram liberados pelo clube. Weverton foi a exceção entres os jovens dispensados. Ele pertence ao Holanda, mas tem contrato com Darlan Barroso até 2016. “Esse vínculo só trouxe coisa boa para mim”, reiterou Weverton.

Dirigentes negam a prática

É fato que os agentes de jogadores existem no futebol do Amazonas, mas os dirigentes dos clubes alegam desconhecer essa atividade na região. Eles ressaltam que, em algumas ocasiões, é inevitável negociar com os empresários dos atletas, mas geralmente isso acontece em conversas com profissionais de fora do Estado.

“É o que a gente mais tem no futebol. Geralmente os jogadores estão sendo agenciados. Mas, aqui de Manaus, não conheço ninguém que trabalha nisso”, disse o vice-presidente do Fast, Cláudio Nobre, que também nega ter estabelecido vínculos com jogadores ao longo da carreira.

Presidente do Sul América, Luiz Costa ficou marcado por apostar em atletas oferecidos por agentes e olheiros pelo Brasil nos últimos anos. Apesar do envolvimento com empresários da bola, ele nega, com bom humor, exercer função semelhante. “Com jogadores eu só perco dinheiro, não ganho nada”, brincou o experiente dirigente.

Olho treinado

Paulinho Nascimento começou a atuar na formação de jovens jogadores quando ainda tinha idade de um atleta juvenil. Aos 16 anos, ele indicava garotos ao time do 3B que jogava o Peladinho de 2004 a 2007. Com acúmulo de contatos e conhecimento no ramo, o amazonense resolveu atuar como autônomo, largou tudo e hoje vive da renda de negociações envolvendo promessas do futebol brasileiro.

Apesar dos sustos e o sacrifício no começo, Nascimento se diz satisfeito com a profissão. “No começo, eu achava que era uma ilusão, achava que estava fazendo uma loucura, gastando e não recebendo. Mas, hoje vejo como uma forma boa, honesta e vivo disso. Minha vida é futebol. O que eu ganho dá para tirar de viagens e alimentação. Meu sonho”, exalta.

O observador técnico, como gosta de ser chamado, abriu uma empresa chamada Marketing Esportivo e promove eventos pelo Brasil envolvendo competições e peneiras. “Desses, eu tiro meu salário. Quando o atleta vai para o clube, eu recebo uma fatia da transferência. Chego ao pai, vejo a situação, o perfil de cada atleta e ofereço as condições”, explicou.

Atualmente, Nascimento diz estar vinculado a 15 atletas e recebe de 10% a 30% dos passes, mas prefere não revelar os nomes. “Por ano, uma faixa de 34 a 40 atletas eu consigo viabilizar a transição. Eles me deram maior conforto e me fazem acreditar que esse trabalho é um ganha-pão maravilhoso”, diz.

Na mais recente transação em que Paulinho teve participação, ele levou o garoto venezuelano Dani Moreno, 14, ao Fluminense.

Risco de dívidas

Ao contrário de Darlan Barroso, o empresário Luizmar Ferreira, o Mazinho, atuou como diretor de futebol e bancou jogadores um pouco mais velhos, que já haviam “estourado” a idade de juniores. Talvez por essa diferença, ele não teve o mesmo sucesso e hoje está afastado do esporte.

“Saí devido à fase do futebol amazonense, que empobreceu muito. Os jogadores que eu empresariava ficavam seis meses desempregados. Além do que, nove deles o Rio Negro não pagou e eu tive que pagar”, lembrou Mazinho. O zagueiro Pastor, o lateral direito Franco, o meia Smith e os atacantes Edinho Canutama e Josimar eram os atletas agenciados por ele que não receberam pelo clube.

Apesar de já ter longa experiência como dirigente no futebol amazonense, Mazinho começou a financiar atletas visando obter lucro com eles a partir de 2011, com o Grêmio Coariense. “Foi o caso do Smith, do Dan, Almirzinho, e Luan. Apostei no potencial dos garotos, mas depois o campeonato começou a ficar muito pobre. Não vi futuro financeiro nem para mim, nem para eles”, lamentou.

Atualmente em Humaitá (a 590 quilômetros a sudoeste de Manaus), Mazinho não descarta voltar ao futebol. “Se eu fosse formar um time, sem dúvidas seria no interior do Estado. Tenho vontade de voltar. Deixa as coisas clarearem, deixa construírem esse estádio (Arena da Amazônia). Hoje, é muito inseguro investir no futebol”, avalia.

Como diretor de futebol, Mazinho ajudou o Nacional, time do coração, a alcançar o título estadual em 2007, e o Holanda, no ano seguinte.

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