Segunda-feira, 14 de Junho de 2021
Experiência

Encontro de gerações: novos talentos se inspiram em ídolos para escrever mais um capítulo da história do Tufão

Após 15 anos, o São Raimundo está de volta a uma final e espera repetir feitos de um time que entrou para a história do clube colinense



sao_raimundo__joao_armando_-_faf__B9C3F17C-26B0-4699-90CF-945C170301EC.jfif Foto: João Normando/FAF
15/05/2021 às 13:40

Quando o São Raimundo entrar em campo para decidir o título do Campeonato Amazonense de 2021, neste sábado (15), às 16h05, na Arena da Amazônia, o Tufão repetirá um feito que não acontecia há 15 anos: chegar a uma final de estadual. A última vez que o time da Colina disputou um título foi em 2006, quando levantou o hepta campeonato amazonense ao empatar com o Fast em 1 a 1, no estádio Vivaldo Lima, com o gol do título marcado por Delmo.

Mas para falar da final, vamos voltar um pouco no tempo, para o dia 19 de fevereiro de 2021. O time do São Raimundo iniciava os treinamentos se preparando para a Seletiva do Campeonato Amazonense de 2020 e para motivar os atletas, o então técnico, Marinho, convidou Delmo para conversar com os jogadores do elenco e passar uma motivação para a temporada que se iniciava.



“Quando fui convidado pelo ex-treinador, que hoje compõe a comissão técnica, que foi o Marinho, era justamente para dar força aos atletas que ali estavam. Fui lá, apoiei do jeito que tinha que apoiar, conversei e falei muito do time antigo que tínhamos e que se eles quisessem, almejassem chegar à uma final, que seria degrau por degrau e foi o que eles fizeram e chegaram. Para mim foi muito gratificante ter falado tudo isso pra eles”, relembrou Delmo, que contou um pouco dos conselhos que deu ao grupo para o campeonato, mas que podem ser aproveitados para a final.

Visita do ex-jogador Delmo para dar conselhos ao time do São Raimundo | Foto: Divulgação

“Não sei se hoje eles lembram, mas falei pra eles que hoje o futebol é jogado. Não se ganha mais só com o nome ou só com o peso da camisa e expliquei pra eles que até a nossa Seleção Brasileira, que antes era temida por todos, hoje praticamente são poucos os países que respeitam a Seleção porque o futebol avançou muito. Hoje quem tiver mais preparado tanto psicologicamente, quanto tecnicamente dentro de campo que vence o jogo e isso eles colocaram em prática nas partidas finais e conseguiram o objetivo, que foi chegar na final”, completou.

Um dos jogadores que ouviram os conselhos do ídolo do clube foi o atacante Edison Negueba e ele disse ter guardado os conselhos que recebeu antes do treino que aconteceu pouco mais de dois meses atrás. “Foi uma satisfação receber o Delmo no treino, Ele foi um jogador que fez história no clube e ficou marcado em vários jogos do Tufão. Um cara humilde, craque demais e que tem todo o meu respeito. Pela experiência que ele nos passou ajudou muito o nosso elenco a ter esse privilégio e eu me sinto feliz por estar fazendo parte dessa história. Depois de tantos anos, a gente conseguiu resgatar o São Raimundo de volta”, comentou.

Foto: O atacante do São Raimundo, Edison Negueba, guardou os conselhos de Delmo | Foto: João Armando/FAF

Mas ao contrário do Tufão de 2006, o time de 2021 chega à final como um azarão após desbancar times favoritos como o Amazonas, nas quartas, e o invicto Princesa, nas semis. Se há 15 anos o time colinense atropelou no campeonato vencendo o primeiro turno e chegando à final do segundo com a vantagem do empate para levar o estadual, desta vez, o São Raimundo, que foi o sétimo de nove times na primeira fase, vê o adversário ter a vantagem dos resultados iguais. Apesar disso, Negueba exalta a garra e o trabalho que levaram a equipe para a final.

“Nós sabíamos que só dependia da gente. Nosso grupo se fechou, ficou focado e concentrado no objetivo. Acho que todos davam a gente como eliminados no primeiro mata-mata e no segundo também. Pegamos duas equipes bastante qualificadas: o Amazonas e Princesa e sabíamos que era muito difícil, mas trabalhamos focados, concentrados e, com muita humildade, conseguimos chegar. Não chegamos aqui à toa, chegamos porque merecíamos estar na final e contra o Manaus não vai ser diferente. Pode ter certeza que vocês vão ver um São Raimundo muito empenhado, concentrado e com muita garra”, declarou o camisa 20.

Nesta final, o São Raimundo não poderá contar com Delmo dentro de campo, mas o torcedor está mandando boas energias para o time que jogará contra o Manaus.

“Hoje eu como torcedor, espero que eles possam conquistar esse título até porque como eu já falei, o futebol é jogado. O Manaus tem uma grande equipe, que disputa uma Série a mais, mas não tira o mérito do São Raimundo de ter chegado, até porque se eles chegaram até onde eles estão é porque foram merecedores e isso não empata de chegar nesses dois jogos apesar do Manaus ter a vantagem dos dois jogos iguais. Pela motivação nos treinos que estão tendo na Colina, e eu tô acompanhando, acredito que o São Raimundo possa se dar bem. Isso é um palpite de torcedor e não de treinador porque o São Raimundo tem um grande treinador, que é o Sérgio Duarte e acredito que ele vai colocar em campo uma equipe bem instruída para o primeiro jogo, colocar o time para cima para conseguir o resultado e sair campeão. Espero que o São Raimundo possa conseguir essa vitória nas duas partidas de sábado”.

Drama do Artilheiro

Em 2006, o São Raimundo terminou o primeiro turno na liderança e chegou à final do segundo turno invicto e com a vantagem do empate. O título foi conquistado após o empate com Fast em 1 a 1. O gol Alviceleste foi marcado por Delmo aos 35 minutos do primeiro tempo após jogada de Vidinha. Mas o artilheiro que ia se consagrando herói do título, quase viu a sorte mudar ao ser expulso após reclamar com o árbitro e levar o segundo amarelo, o que resultou no cartão vermelho. O Fast empatou com Kitó, mas o Tufão conseguiu segurar o resultado para sair com o título do turno e, consequentemente, do campeonato.

“É gratificante voltar um pouco no passado e contar um pouco dessa história bonita que nós passamos dentro do clube do São Raimundo e naquela final de 2006, infelizmente aconteceu algo que nem eu mesmo poderia imaginar. Aconteceu uma expulsão indevida, que foi a única da minha vida profissional. Até na pelada que eu brinquei nunca fui expulso e naquele jogo aconteceu esse imprevisto, mas a nossa equipe era muito boa e unida e conseguiu segurar. Graças a Deus, na hora que eu saí não tinha cumprido totalmente a minha função que era ficar até o final, mas tive um compartilhamento de um gol no começo da partida e isso fez com que os colegas segurassem esse gol feito até o final e para nos consagrar campeões como fomos”, relembra o ex-atacante, que terminou o Amazonense empatado com Bazinho, que jogava no Fast, com 13 gols marcados.

“O São Raimundo era uma equipe muito unida e que lutava muito pelos objetivos das conquistas que tivemos. E hoje, depois de 14 anos, temos um São Raimundo novo, com uma mentalidade nova, uma equipe nova que nas partidas finais tiveram boas contratações, que fortaleceu a equipe. O Rossini, que veio e colocou praticamente o São Raimundo mais na frente, não desmerecendo os outros, mas ele foi um grande nome que chegou e que o Manaus perdeu e o São Raimundo só ganhou com essa contratação”.


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