Sábado, 18 de Janeiro de 2020
Craque

Entrevista com o presidente da Comissão de Arbitragem do Amazonas

O que dizer sobre a ‘importação’ de árbitros para a final do Campeonato Amazonense?



1.gif Presidente da Comissão Estadual de Arbitragem da Federação Amazonense de Futebol (FAF), Vladimir Pessoa Bastos
29/05/2012 às 09:22

Presidente da Comissão Estadual de Arbitragem da Federação Amazonense de Futebol (FAF), Vladimir Pessoa Bastos, de 62 anos, é responsável pelo controle de qualidade de árbitros e assistentes no Campeonato Amazonense. É Vladimir quem faz pessoalmente a avaliação técnica e físicas do trio de arbitragem nos jogos do Estadual. A missão é espinhosa, tendo em vista o nível de cobrança e pressão de dirigentes, comissão técnica, torcedores, jogadores dos clubes locais: não há uma figura mais odiada e xingada que o membro do trio de arbitragem do futebol amazonense. Há casos extremos de agressão física, a exemplo de João Batista Cunha de Brito, que levou socos, chutes e sopapos de Derlan, do Iranduba.

“Não há respeito em todos os níveis com os árbitros e assistentes locais. Isso é cultural no futebol amazonense. Mas o quadro da FAF não deixa nada a desejar a nenhum Estado. Todos têm treinamento nos padrões da CBF e atuam com isenção”, garante Vladimir, que concedeu a seguinte entrevista: 



Como o senhor analisa a contração de árbitros do fora em detrimento dos locais?
É lamentável, porque a nossa arbitragem daria segurança tanto quanto deu o Leandro Vuaden na final entre Fast e Nacional. Por outro lado até agradecemos porque trouxeram um árbitro Fifa, candidato a árbitro da Copa do Mundo de 2014. Foi válido trocar experiência. Mas o próprio Vuaden disse ter sido abordado por um torcedor do Vasco que disse ‘obrigado pelo senhor desclassificar meu time da Libertadores’. Aí Vuaden disse ter respondido: ‘Você tem de cobrar do Diego Souza, que perdeu um gol que faria a diferença no jogo’. Então tanto lá quanto aqui a cobrança e a culpa pela derrota vão ser creditadas na conta da arbitragem. 

Então por que há toda essa desconfiança em relação à arbitragem local por parte dos clubes?
Creio que seja por falta de consciência. Todos sabem que a FAF cumpre as exigências da CBF no que se refere a treinamentos práticos e teóricos, inclusive nos padrões Fifa. Ainda assim se prefere pagar caro por uma arbitragem de fora, mas se recusa a dar aumento para os daqui. Acho que isso é um contrassenso. Veja bem, a equipe do Nacional pagou R$ 14, 6 mil somente para arbitragem de um jogo da final. Para o campeonato todo, o clube pagou R$ 11 mil de arbitragem local. Então acho que há uma distorção aí, porque o Nacional foi campeão do primeiro turno com arbitragem da FAF.

Qual a avaliação que o senhor faz do Estadual de 2012 como um todo no quesito arbitragem?
Acho que houve um belo progresso. Nós tivemos esse ano duas avaliações dos árbitros locais, o Fifa teste. Então não há do que reclamar. Nossos árbitros atuam com isenção. Tenha certeza disso. É nossa maior preocupação na FAF. Agora o erro acontece, mas não somente aqui. É humanamente impossível não falhar. Eu tive uma reunião com os dirigentes dos clubes e desafiei todos a me apontarem um jogo que tenha tido o resultado influenciado por falhas da arbitragem. Nós até já tínhamos pré-selecionado o trio de árbitros para a final.

Houve muitos problemas relacionados a agressão a árbitros este ano?
Nós tivemos três casos: o goleiro do Fast (Nailson) que deu uma peitada no árbitro Djalma Santos Souza, no primeiro turno, o goleiro do Operário (Stanley), que partiu para cima do árbitro Weden Castro, mas foi contido. E tivemos o caso do Derlan, que agrediu mesmo o João Batista. Em todas as situações, não houve qualquer falha que justificasse os exageros. É indisciplina.  


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