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Especial Copa do Mundo, um ano depois: A base esquecida: times juniores de futebol impedidos de jogar nos COT’s da Copa do Mundo

O chamado legado do Mundial da Fifa não chegou até as categorias de base do futebol amazonense. Competição que pode revelar futuros craques locais está paralisada por falta de local para a disputa 12/06/2015 às 13:33
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Futuros craques do futebol Baré têm de enfrentar campos de barro para alimentar o sonho de ser profissional.
Camila Leonel, Denir Simplício e Leanderson Lima Manaus

Legado. Eis a palavra que serviu de senha para justificar os inúmeros gastos feitos em nome da Copa do Mundo em Manaus. O problema é que quem deveria ser beneficiado com a “herança” do torneio, parece ter ficado fora do “testamento”.

É o que acontece com o futebol de base, no Estado.  Os times que participam do Campeonato Amazonense de Juniores deste ano sequer conseguem mandar suas partidas nos estádios Carlos Zamith e Ismael Benigno.

O Governo do Estado, por meio da Fundação Vila Olímpica (FVO) - responsável pela administração das praças esportivas -, cobra valores de R$ 350 (para o Zamith) e R$ 490  (para jogos na Colina). A FVO alega que precisa cobrar as taxas para pagar os funcionários da fundação que, quando estão a serviço do torneio, estão fora do horário de trabalho, portanto, fazendo um serviço extra. Já os clubes alegam não possuir recursos financeiros para bancar o aluguel dos estádios.

Por conta do impasse, no momento, o campeonato encontra-se paralisado, até que os clubes consigam novos campos para mandar as partidas.


O descaso com o futebol de base se reflete no nível de aproveitamento dos atletas nascidos no Amazonas no futebol profissional. Dos pouco mais de 240 atletas que foram inscritos no Campeonato Amazonense de Futebol Profissional deste ano, quase 58% eram jogadores nascidos em outros Estados. Ou seja, mais da metade dos atletas vêm de fora do Amazonas.

Das dez equipes que iniciaram a disputa do Campeonato Amazonense deste ano, apenas o Rio Negro utilizou um time praticamente inteiro de garotos da base do clube. A opção, porém, foi mais financeira, já que o clube não tinha recursos para contratar atletas de outras praças. O clube da Praça da Saudade terminou o campeonato na penúltima colocação e só não foi rebaixado para a Segunda Divisão do Amazonense porque este torneio acabou sendo extinto ainda no primeiro semestre do ano.

Discurso e prática

A situação do futebol base e mais especificamente do  Campeonato Amazonense de Juniores é mais um exemplo da diferença existente entre o discurso e prática, em tudo que envolve o tema Copa do Mundo em Manaus.

No discurso, por exemplo, em 2009, os governantes projetavam que o Amazonas teria pelo menos um time na divisão de elite do futebol brasileiro até o ano de realização da Copa do Mundo. O mais perto que o futebol baré chegou de sair da Quarta Divisão aconteceu no ano de 2010, quando o América chegou a conquistar o acesso para a Série C dentro de campo. Porém, acabou novamente “rebaixado” por ter escalado jogadores de forma irregular.

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