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Especial Copa do Mundo, um ano depois: Manaus construiu dois estádios, caros e com problemas

Construídos como Centros Oficiais de Treinamentos para a Copa do Mundo, os chamados COT’s precisam se ajustar à realidade do futebol amazonense. Escadarias, alambrados e setor de imprensa no “padrão Fifa” são algumas dos entraves a serem resolvidos 12/06/2015 às 14:15
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COT´s construídos no padrão Fifa têm de passar por adequações para se ajustar à realidade do futebol local.
Camila Leonel, Denir Simplício e Leanderson Lima. Manaus (AM)

Dois estádios completamente novos chamados de Campos Oficiais de Treinamento (COTs)   foram construídos para atender as “exigências” do caderno de encargos da Fifa. A justificativa era que eles serviriam para receber os treinos das seleções que jogariam o torneio da Fifa em Manaus.

O COT Jornalista Carlos Zamith, localizado no bairro Coroado, Zona Leste (com capacidade para 5 mil pessoas), e o COT Ismael Benigno - o estádio da Colina (com capacidade para 10 mil espectadores) -, situado no bairro São Raimundo, Zona Oeste custaram  juntos aproximadamente R$ 39 milhões aos cofres públicos. 


O curioso é que, durante o Mundial, nenhuma seleção treinou no COT do Coroado e apenas dois jogadores ingleses  (a dupla Chamberlain e Welbeck) fizeram um pequeno treino de recuperação física no COT da Zona Oeste de Manaus.

Padrão Baré

Depois da Copa, os dois estádios foram usados para abrigar partidas do Campeonato Amazonense de Futebol. E, para surpresa geral, as estruturas vendidas como “de primeiro mundo” mostraram diversos problemas.

O estádio da Colina, que custou R$ 24 milhões, por exemplo, tem oito escadarias que dão acesso ao gramado nos dois lances de arquibancada. A estrutura fica muito próxima ao campo de jogo e coloca em perigo a integridade física dos atletas, já que um choque pode ocorrer durante as partidas.


A solução encontrada pela administração foi  improvisar colchonetes de ginástica amarrados com elásticos no local, a fim de evitar   danos aos jogadores. São aproximadamente 200 colchonetes, que ao custo de R$ 45 (média do equipamento em lojas especializadas) chegamos ao total de R$ 9 mil com o “improviso”.  E as escadarias não são problema apenas para os jogadores que atuam no estádio pelo risco de colisões. A questão é que elas também facilitam uma invasão, já que dão acesso ao campo de jogo.

Tudo próximo

Outro problema identificado ao longo do Campeonato Amazonense diz respeito à proximidade de uma das arquibancadas aos bancos de reserva.

Depois de uma confusão entre a torcida do Nacional e os jogadores do Princesa do Solimões, neste local, no primeiro turno, a Polícia Militar isolou a área  para evitar maiores transtornos naquele setor do estádio.

Torcedor Baré sem teto

O estádio da Colina, assim como o Carlos Zamith, possui um problema em comum: eles não têm cobertura, o que faz a torcida amazonense sentir “saudade” do acanhando estádio do Sesi que, apesar da estrutura amadora, possuía uma cobertura que  protegia a torcida do clima amazônico, que mescla altas temperaturas com fortes chuvas repentinas.


Para completar a situação, os guarda-chuvas foram proibidos nas duas praças esportivas. Houve jogos em que os torcedores tomaram chuva ou enfrentaram altas temperaturas por conta do veto e da falta de cobertura.

O projeto dos dois estádios também não contemplou as áreas destinadas ao trabalho da imprensa esportiva. No estádio da Colina, por exemplo, não existem divisórias para as emissoras de rádio e televisão. No estádio Carlos Zamith a situação é um pouco mais complicada. Cabem no máximo duas equipes no local e, para quem não consegue vaga, o jeito é ficar mesmo do lado de fora   

Zamithão pela metade

O estádio Carlos Zamith custou R$ 15 milhões e foi  erguido em parceria entre Prefeitura de Manaus (que cedeu o terreno) e Governo do Estado (responsável pela construção).

A esperança do bom aproveitamento do estádio  veio com o início do Campeonato Amazonense de futebol profissional de 2015. Porém um laudo do Corpo de Bombeiros interditou as arquibancadas do setor A, localizada do lado oposto às cabines de imprensa.


O alambrado que separa a torcida do gramado precisa ser aumentado em pelo menos um metro para ser liberado. Por conta disso, apenas a 2,5 mil lugares foram liberados  fazendo com que as torcidas adversárias dividissem a mesma arquibancada nos 27 jogos do Amazonense que ocorreram no local.

Na época do impedimento, a assessoria de imprensa da Fundação Vila Olímpica (FVO), responsável pela administração do estádio, afirmou que a interdição seria provisória e que em menos de uma semana o problema estaria resolvido. Segundo o setor de comunicação da FVO, a obra de expansão do alambrado estava como na garantia da construtora.

O Campeonato Amazonense de 2015 se encerra no próximo dia 20 e as obras não foram feitas no local.

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