Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
Craque

Especialista fala sobre infestação do gramado da Arena, e alerta: ‘Pode prejudicar as Olimpíadas’

Praga ameaçadora que devasta tapete verde do estádio das Olimpíadas pode acarretar na perda total do gramado. Falta de manutenção e descuído são principais causas do avanço da infestação



1.jpg Praga pode deixar Arena da Amazônia de fora dos jogos Olímpicos
21/11/2015 às 15:26

Uma simples praga que todo ano prejudica áreas com grama no Amazonas poderá, de forma rápida, arruinar o palco verde da Arena da Amazônia e acabar com o sonho de Manaus sediar a Olimpíada 2016. O “passaporte” garantido da capital no evento está sob ameaças de lagartas, que até o momento, estão arruinando o gramado do estádio.

Devido ao atraso de mais de seis meses no pagamento da empresa que cuida do gramado da Arena, há mais de vinte dias a grama não recebe reparos. Procurado pelo CRAQUE, o engenheiro agrônomo especialista em grama e empresário do ramo, Carlos Alonso, 56, revelou que a infestação que ocorre desde o início da semana põe a cidade em alerta, uma vez que praga age de forma devastadora. A perda total do gramado e a implantação de um novo poderiam tirar Manaus das Olimpíadas. O estádio precisa ser entregue ao Comitê Rio 2016 no início de junho.



“Em três dias todos viram o estrago que essa infestação fez. Foi um quarto do gramado. Mais cinco a oito dias o gramado vai estar todo infestado. Vão perder o gramado todo. Aí a solução não seria mais o controle (da praga), e sim a troca do gramado. E essa solução desde o plantio é de seis a nove meses. Pode prejudicar as Olimpíadas”, alertou o engenheiro.


O gramado da Arena custou R$ 2 milhões aos cofres

“No período de baixa resistência (climática) aqui no Amazonas temos a infestação de algumas pragas. No caso da lagarta, ela só se alastra se não identificar a tempo e fizer o combate de imediato com agrotóxico. A doença fica por cima, mas depois chega até a raiz. E na medida em que vai passando os dias o estrago vai ser pior. Os trabalhos para o restabelecimento duram em torno de 45 dias. Para que isso não ocorra, é preciso olhar todo dia para identificar a praga e fazer o controle”, explicou Carlos, analisando os motivos da infestação.

“Precisamos ver qual o tipo dessa lagarta. Essa grama Bermuda ela é frágil. E essa praga é associada ao período seco, associada a uma falta de manutenção, aí temos uma instabilidade para que ocorra a manifestação de pragas e doenças”, declarou Carlos, incomodado com a crítica situação da praça esportiva.

Procurado pela reportagem, a Secretaria de Comunicação do Estado (Secom) informou que o contrato com a empresa que cuida da manutenção do gramado será retomado. A Secom não informou a data.

Problema durante a Copa: Gramado da Arena da Amazônia já apresentou problemas. Dias antes da partida entre Inglaterra e Itália pelo Mundial, gramado apresentou falhas e foi bastante criticado

Três perguntas: Carlos Alonso engenheiro agrônomo especialista em gramado esportivo

1 - O tratamento para recuperação do gramado é demorado?

Não é muito rápido. Precisaria de 45 dias para fazer o controle da praga para em seguida  entrar com o processo de um reforço nutricional do gramado, para poder dar estabilidade.

2 - A manutenção a ser dada no gramado é de um valor alto?

É muito mais caro deixar a infestação tomar conta. Isso só ocorreu por falta de manutenção. A  manutenção do gramado não é só o combate da praga e doença. É uma série de trabalhos. Esses trabalhos exigem que o profissional esteja dia a dia inspecionando o gramado. Sessenta mil (reais) dá para fazer um trabalho bom. E ainda temos inimigos naturais dessa lagarta que é uma espécie de libélula.


Grama do estádio sofre com infestação da praga

3 - Quando o gramado da Arena foi colocado durou cerca de três meses. O que muda para uma nova colocação?

Só que neste caso nós teremos mais uma etapa, que é a retirada, correção do solo e em seguida a implantação. Ainda mais, em 120 dias, fica bonito para fotografia, mais impróprio para pisoteio de uma partida de futebol.

Ex-diretor técnico da FVO lamenta

O ex-diretor técnico que esteve à frente da Fundação Vila Olímpica (FVO) por mais de 25 anos, e foi exonerado em abril deste ano, lamentou o estado atual do gramado da Arena da Amazônia.

Com a experiência de quem conviveu com o problema ainda na antiga fase do Colosso do Norte, Ariovaldo Malízia, 70, falou sobre como o combate às pragas se dava no passado. 

“Naquele tempo tínhamos alguns problemas com a grama do Vivaldo Lima. Era uma mistura de grama e tinha que ter cuidado com a praga tiririca. Aí tínhamos que fazer o tratamento e revitalizar o gramado”, lembrou o ex-gestor.

“Eu não gostaria de estar passando por isso. A transição do verão para o inverno ocorre de a praga se manifestar. Como eu sabia disso fazia logo um trabalho preventivo. Fiz isso na Arena quando estava por lá e tinha inseticida para matar essa larva. Isso não pode acontecer”, lamentou.

Fim da FVO

A reforma administrativa do Governo do Amazonas vai levar a Fundação Vila Olímpica (FVO) à extinção. A partir do dia 31 de dezembro o órgão deixa de existir e todos os trabalhos feitos pela entidade serão repassados para a Secretaria de esportes do estado (Sejel).  O decreto, que visa economizar os gastos do governo, foi publicado no dia 08 de outubro no Diário Oficial.


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