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Especialista fala sobre infestação do gramado da Arena, e alerta: ‘Pode prejudicar as Olimpíadas’

Praga ameaçadora que devasta tapete verde do estádio das Olimpíadas pode acarretar na perda total do gramado. Falta de manutenção e descuído são principais causas do avanço da infestação 21/11/2015 às 15:26
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Praga pode deixar Arena da Amazônia de fora dos jogos Olímpicos
Anderson Silva Manaus (AM)

Uma simples praga que todo ano prejudica áreas com grama no Amazonas poderá, de forma rápida, arruinar o palco verde da Arena da Amazônia e acabar com o sonho de Manaus sediar a Olimpíada 2016. O “passaporte” garantido da capital no evento está sob ameaças de lagartas, que até o momento, estão arruinando o gramado do estádio.

Devido ao atraso de mais de seis meses no pagamento da empresa que cuida do gramado da Arena, há mais de vinte dias a grama não recebe reparos. Procurado pelo CRAQUE, o engenheiro agrônomo especialista em grama e empresário do ramo, Carlos Alonso, 56, revelou que a infestação que ocorre desde o início da semana põe a cidade em alerta, uma vez que praga age de forma devastadora. A perda total do gramado e a implantação de um novo poderiam tirar Manaus das Olimpíadas. O estádio precisa ser entregue ao Comitê Rio 2016 no início de junho.

“Em três dias todos viram o estrago que essa infestação fez. Foi um quarto do gramado. Mais cinco a oito dias o gramado vai estar todo infestado. Vão perder o gramado todo. Aí a solução não seria mais o controle (da praga), e sim a troca do gramado. E essa solução desde o plantio é de seis a nove meses. Pode prejudicar as Olimpíadas”, alertou o engenheiro.


O gramado da Arena custou R$ 2 milhões aos cofres

“No período de baixa resistência (climática) aqui no Amazonas temos a infestação de algumas pragas. No caso da lagarta, ela só se alastra se não identificar a tempo e fizer o combate de imediato com agrotóxico. A doença fica por cima, mas depois chega até a raiz. E na medida em que vai passando os dias o estrago vai ser pior. Os trabalhos para o restabelecimento duram em torno de 45 dias. Para que isso não ocorra, é preciso olhar todo dia para identificar a praga e fazer o controle”, explicou Carlos, analisando os motivos da infestação.

“Precisamos ver qual o tipo dessa lagarta. Essa grama Bermuda ela é frágil. E essa praga é associada ao período seco, associada a uma falta de manutenção, aí temos uma instabilidade para que ocorra a manifestação de pragas e doenças”, declarou Carlos, incomodado com a crítica situação da praça esportiva.

Procurado pela reportagem, a Secretaria de Comunicação do Estado (Secom) informou que o contrato com a empresa que cuida da manutenção do gramado será retomado. A Secom não informou a data.

Problema durante a Copa: Gramado da Arena da Amazônia já apresentou problemas. Dias antes da partida entre Inglaterra e Itália pelo Mundial, gramado apresentou falhas e foi bastante criticado

Três perguntas: Carlos Alonso engenheiro agrônomo especialista em gramado esportivo

1 - O tratamento para recuperação do gramado é demorado?

Não é muito rápido. Precisaria de 45 dias para fazer o controle da praga para em seguida  entrar com o processo de um reforço nutricional do gramado, para poder dar estabilidade.

2 - A manutenção a ser dada no gramado é de um valor alto?

É muito mais caro deixar a infestação tomar conta. Isso só ocorreu por falta de manutenção. A  manutenção do gramado não é só o combate da praga e doença. É uma série de trabalhos. Esses trabalhos exigem que o profissional esteja dia a dia inspecionando o gramado. Sessenta mil (reais) dá para fazer um trabalho bom. E ainda temos inimigos naturais dessa lagarta que é uma espécie de libélula.


Grama do estádio sofre com infestação da praga

3 - Quando o gramado da Arena foi colocado durou cerca de três meses. O que muda para uma nova colocação?

Só que neste caso nós teremos mais uma etapa, que é a retirada, correção do solo e em seguida a implantação. Ainda mais, em 120 dias, fica bonito para fotografia, mais impróprio para pisoteio de uma partida de futebol.

Ex-diretor técnico da FVO lamenta

O ex-diretor técnico que esteve à frente da Fundação Vila Olímpica (FVO) por mais de 25 anos, e foi exonerado em abril deste ano, lamentou o estado atual do gramado da Arena da Amazônia.

Com a experiência de quem conviveu com o problema ainda na antiga fase do Colosso do Norte, Ariovaldo Malízia, 70, falou sobre como o combate às pragas se dava no passado. 

“Naquele tempo tínhamos alguns problemas com a grama do Vivaldo Lima. Era uma mistura de grama e tinha que ter cuidado com a praga tiririca. Aí tínhamos que fazer o tratamento e revitalizar o gramado”, lembrou o ex-gestor.

“Eu não gostaria de estar passando por isso. A transição do verão para o inverno ocorre de a praga se manifestar. Como eu sabia disso fazia logo um trabalho preventivo. Fiz isso na Arena quando estava por lá e tinha inseticida para matar essa larva. Isso não pode acontecer”, lamentou.

Fim da FVO

A reforma administrativa do Governo do Amazonas vai levar a Fundação Vila Olímpica (FVO) à extinção. A partir do dia 31 de dezembro o órgão deixa de existir e todos os trabalhos feitos pela entidade serão repassados para a Secretaria de esportes do estado (Sejel).  O decreto, que visa economizar os gastos do governo, foi publicado no dia 08 de outubro no Diário Oficial.

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