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Esportistas passam por dificuldades após mudança nas regras do ‘Bolsa Atleta’

Atletas e Prefeitura seguem ‘trocando farpas’ sobre novas regras do programa Bolsa Atleta: 35 competidores tiveram benefício cortado e enfrentam dificuldades 11/09/2015 às 13:54
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O lançador de dardo Jander Cardoso, 30, é um dos prejudicados
PAULO ANDRÉ NUNES/MANAUS HOJE ---

O decreto municipal nº 3.159, de 18 de agosto deste ano, que modificou os critérios para pagamento do Bolsa Atleta, gerou uma disputa entre atletas de ponta do Estado que eram beneficiados -e que sonham em recuperar o direito de receber a bolsa - contra a Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel).

Inconformados por terem ficado de fora, atletas de modalidades como o judô, atletismo, natação e triatlo afirmam estar passando por várias dificuldades para continuar treinando. Além da revolta. eles são unânimes em afirmar que há a possibilidade de se buscar até mesmo na esfera jurídica a retomada do pagamento de R$ 4 mil mensais. Dos anteriores 52 contemplados, agora apenas 17 atletas recebem o benefício.

O lançador de dardo Jander Cardoso, 30, é um dos prejudicados. Segundo lugar do ranking no ano passado, e frequentemente convocado para competições pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), ele se recupera de contusão no cotovelo direito e nos quadris. A ausência do benefício só dificulta ainda mais a recuperação. “Ficou difícil. Estou prejudicado no meu tratamento e treinamento. Não sei a quem apelar. Mas já estou pensando em acionar um advogado e buscar meus direitos”, diz ele.

Vendendo tudo

Uma das novas exigências é de que apenas quem figura até o 5º lugar no ranking nacional de sua modalidade pode receber o Bolsa. Isso afetou diretamente a triatleta Jéssica Santos. “Sou a atual 8º lugar na categoria Elite. E para pontuar tenho que participar de provas internacionais. Mas agora, sem o Bolsa-Atleta, ficou pior. Ainda não tomei nenhuma decisão, mas penso em entrar na Justiça para tentar reverter esse decreto que está prejudicando muitas pessoas”, conta ela, que só vai disputar o Mundial de Chicago (EUA), na semana que vem, porquê pagou R$ 800 da taxa de inscrição após vender sua antiga bicicleta de provas, e o pai custeou a passagem de R$ 2 mil.

Pela natação, um total de 12 atletas ficaram de fora do pagamento, entre elas Isabelle Nobre, 19, que recebia o benefício desde 2013 e que é convocada para a seleção desde 2012. Sua mãe, Cláudia Nobre, e outros representantes de nadadores, estudam tomar medidas legais. Aguardem próximos capítulos!

Três perguntas para Sildomar Abtibol, Secretário Municipal de Esporte

O pleito dos atletas que deixaram de receber o Bolsa é válido?

Nós visamos que todos os atletas amparados pelo Bolsa sejam atendidos, e esses critérios são mecanismos para que eles fiquem aptos a receber. A pessoa tem que ter sido convocada para a seleção brasileira de uma forma oficial no site da entidade. O que existe é que há atletas que não foram convocados, e sim convidados pela sua confederação. Sabemos que o decreto iria gerar polêmica porque isso mexe com o bolso das pessoas.

O atleta José Ricardo, do halterofilismo paralímpico, me disse que não vai receber o benefício porque não viajou em 2014. No entanto, ele disputou recentemente o Parapan. Ele receberá a premiação bônus de R$ 1 mil em 2016?

Ele tem que entrar com a documentação para receber o valor. Todo atleta tem que apresentar o documento oficial da confederação deles, e quando forem convocados, com custeio todo pago pela confederação, isso tem que estar no site da entidade.

E será pago o retroativo desde janeiro aos atletas que recebiam anteriormente?

Eu entrei na Semjel em 29 de abril deste ano, e eu não posso responder pelo que aconteceu antes disso. Agora, se eu for instigado, vamos ver cada caso e se o atleta tiver direito não há dúvida que o Prefeito vai seguir a regra em caso de pendência. Mas, até agora, nenhum atleta requereu.

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