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‘Vou ganhar de todos os oponentes que o UFC me mandar’, diz Jacaré

O lutador falou ao CRAQUE sobre a preparação para a luta de hoje, e confessou que “trocou figurinhas” com Anderson Silva, que também luta no evento 11/02/2017 às 14:23 - Atualizado em 11/02/2017 às 14:49
Show jaca
Com 23 vitórias e 4 derrotas, o lutador radicado em Manaus sobre no octógono neste sábado (Foto: Fernando Maia/Reebok)
Camila Leonel Manaus (AM)

Ronaldo Jacaré subirá no octógono no UFC 208, que acontece no Brooklin, em Nova York,neste sábado (11). Porém, ao contrário do que os fãs brasileiros sonhavam, a luta não será contra Michael Bisping, detentor do cinturão dos médios, mas contra o americano Tim Boetsch.

Apesar de lutar apenas contra o 13° do ranking, Jacaré não desanima. Em entrevista exclusiva ao CRAQUE, o lutador capixaba radicado em Manaus promete que a apresentação será tão boa quando a de uma luta pelo cinturão. A motivação do atleta dos médios vem da vontade de chamar a atenção dos organizadores e, assim, finalmente ter a chance de desafiar o campeão Bisping.

“Eu decidi que vou ganhar de todos os oponentes que o UFC me mandar. Eu luto pela minha família e pelos fãs, e isso que eles querem. Vou enfileirar todos da categoria até o UFC perceber que não terá jeito, terá que dar uma chance de tentar o  cinturão”, disse.

Sem lutar desde maio do ano passado - quando venceu Victor Belfort no UFC 198 -, Jacaré busca se manter em atividade e, por isso, a luta que foi casada há pouco mais de um mês é uma forma de se manter na ativa e em foco.

Mesmo com todos os percalços, Jacaré terá pela frente  Tim Boetsch, um oponente que pretende vencer e lutará sério. E mesmo que o americano tenha três derrotas nas últimas cinco lutas, o brasileiro reconhece os pontos fortes do adversário e estudou bem para anular as virtudes.

“Tim é um cara duro, muito perigoso. Tem um forte wrestling, mãos pesadas, uma verdadeira encrenca”, alertou o brasileiro que não se considera favorito e diz que está tranquilo.

Confira a conversa completa com Ronaldo Jacaré.

Como foi a preparação para esta luta? Quais os pontos fortes do seu adversário. O que você estudou sobre ele?

Fiz um bom período de treinamento, mesmo com a luta sendo casada há um mês, mais ou menos. Mas eu já vinha treinando forte, me mantendo forte, saudável, então estou pronto para me apresentar muito bem para os fãs e fazer uma grande luta. O Tim é um cara duro, muito perigoso. Tem um forte wrestling, mãos pesadas, uma verdadeira encrenca. Eu vou fazer o que sempre fiz em minhas lutas: dar pressão o tempo inteiro, sem deixar o oponente respirar. Exatamente como faz um jacaré (risos).

Você é o favorito da luta, mas o Boetsch falou que vem melhor como azarão. Pra você é melhor ser o favorito, o azarão, ou não faz diferença? Como você trabalha para que isso não pese, ou pese o mínimo possível quando entra no octógono?

Não faz menor diferença ser azarão ou favorito. Dentro do octógono, o bicho pega. São 50% para cada um. Eu me sinto bem lutando de qualquer maneira, e tenho certeza que sairei do cage com a vitória.

O seu empresário colocou anúncio nos classificados em busca de uma luta e falou ao Combate da necessidade de você estar competindo e não apenas fazendo uma luta por ano. Como isso influencia na sua preparação?

Eu procuro me manter sempre treinado, sempre pronto para qualquer desafio que aparecer. Fiz isso a minha vida inteira, mas o problema é que os tops da categoria não querem lutar. O campeão está fugindo de mim, é um campeão de meia tigela. O Rockhold ia lutar comigo e aí disse que se lesionou, mas queria lutar grappling com o Jon Jones. Fiquei sem entender. Me pareceu que ele correu de mim.

Qual a quantidade de lutas ideal para um atleta de alto nível fazer por ano (no sentido físico e de dinheiro para pagar as contas, como o seu empresário falou)?

Eu acredito que três lutas por ano seja o ideal, período bom para você se manter sempre ativo e no ritmo de luta. Quero fazer de três a quatro lutas neste ano.

Seu adversário é o 13° no ranking da categoria. Você é o terceiro. Como é para um aspirante ao cinturão lutar com adversários que estão bem abaixo de você no ranking? É uma estratégia ‘correr por fora’ na sua categoria?

É uma estratégia para me manter em ritmo de luta. Eu decidi que vou ganhar de todos os oponentes que o UFC me mandar. Eu luto pela minha família e pelos fãs, e isso que  eles querem. Vou enfileirar todos da catego ria até o UFC perceber que não terá jeito, terá que dar uma chance de tentar cinturão.

Um dos brasileiros que reinou por muito tempo na categoria dos médios é o Anderson Silva. Nesse UFC ele volta após um tempo sem lutar. Como é estar no mesmo card de um dos lutadores que fizeram história na categoria? Vocês conversaram em algum momento, ou não?

Sim, conversamos muito. Depois de muito tempo, voltamos a treinar juntos. Ele fez o camp no Rio de Janeiro, na X-Gym, junto comigo. Foi ótimo ter a presença dele nos treinos. Ele é um gênio, é o maior campeão da história do UFC, então sempre engrandece os treinamentos. Trocamos ideias, técnicas, ele me ajudou, eu o ajudei, e esperamos comemorar duas vitórias no sábado.

Falando em Anderson Silva, desde que ele perdeu o cinturão, o título tem tido uma rotatividade grande. Como fica a cabeça de um lutador em uma categoria tão disputada e ainda mais com polêmicas como a fuga do Bisping, a questão do Yoel, etc?

Minha cabeça sempre está boa, sou um cara tranquilo. Sou focado nos meus ideais, e claro que o cinturão é um deles. Mas não fico mais desesperado esperando isso. Sei que mereço, que já deveria ter tido a chance, mas as coisas vão acontecer no tempo certo. Sigo fazendo meu trabalho, treinando duro, tudo para a chance aparecer. Tenho uma luta dura pela frente, estou focado nela e pronto para conquistar mais uma grande vitória. Quero agradecer ao povo do Amazonas pelo carinho de sempre. Recebo muitas mensagens nas redes sociais dos fã daí e eles são sempre incríveis. Espero a torcida de todos neste sábado!

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