Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020
PERSPECTIVA

Feliz 2020: atletas amazonenses falam da expectativa para os Jogos de Tóquio

Em uma perspectiva especial, A CRÍTICA mostra quem são os atletas que almejam representar o Amazonas e o Brasil nos Jogos de Tóquio em 2020



WhatsApp_Image_2019-12-31_at_18.35.19_A04F3366-17CE-41FF-9B3F-D490AA93C58D.jpeg Foto: Junior Matos
31/12/2019 às 16:37

Por Lucas Henrique e Gabriel Ferreira

O ano de 2020 ‘bate à porta’. Com ele, o cenário do esporte mundial terá como destaque os Jogos Olímpicos e os Jogos Paralímpicos de Tóquio, que acontecem no período de 24 de julho a 6 de setembro do próximo ano - juntando a duração dos dois eventos -, na capital do Japão. E se tratando de esporte, o CRAQUE não poderia ficar de fora. Hoje (31), apontamos cinco representantes barés cotados para participarem dos eventos.



Em relação aos Jogos Paralímpicos, dois atletas históricos do Amazonas estão no ‘ciclo’. Enquanto Laiana Rodrigues já está confirmada com a Seleção Brasileira de vôlei sentado, Guilherme Costa continua na disputa para subir no ranking e conquistar a tão sonhada vaga. Deficiente visual, Brendow Christian também sonha com a vaga no lançamento de dardo.

No desporto, o boxeador Kalil Paiva e a arqueira Graziela Paulino, assim como Guilherme e Brendow, ainda ‘lutam’ por vagas para partirem rumo às ‘terras nipônicas’ em 2020.

A segunda e última?

Se despedindo de 2019 e mirando novos desafios para o próximo ano, a paratleta amazonense de vôlei sentado, Laiana Rodrigues, tem o passaporte carimbado para aquela que pode ser a segunda e última Paralimpíada de sua carreira: os Jogos de Tóquio, no Japão, em 2020.


Laiana foi a primeira mulher amazonense a ser medalhista paralímpica. Foto: Arquivo AC

Com 37 anos de idade e há quatro anos defendendo as cores do Brasil na modalidade, a jogadora foi medalhista paralímpica nos Jogos do Rio, em 2016, conquistando o bronze, e neste ano levou a prata nos Jogos Parapan-Americanos, em Lima, no Peru - garantindo vaga em Tóquio. Com vasta experiência em quadra, Laiana Rodrigues falou das expectativas para o novo desafio paralímpico e a provável despedida.

“São as melhores possíveis! Confiamos nos treinamentos e no que está sendo planejado nesse ciclo. Juntando boa vontade, o treinamento e a união da equipe, podemos ter a vitória como resultado”, afirmou Laiana, comentando a respeito de sua despedida também.

“Sobre minha despedida, é uma escolha minha sim. Mas vou conversar ainda com a comissão técnica a respeito. Eu tenho pesadelo com essa separação. Prefiro não entrar em detalhes ainda, pois algo pode mudar e termos novidades”, ponderou Laiana Rodrigues.

‘Lançando' para a história

Os desafios superados por Brendow Christian durante sua vida são motivações suficientes para ele sonhar com a vaga nos Jogos de Tóquio. Atleta do paradesporto por conta de uma deficiência visual, o amazonense quer fazer história em 2020. Em sua modalidade, um brasileiro nunca conseguiu classificar para os Jogos Paralímpicos. Conseguir a vaga seria um feito marcante não só para o Amazonas, mas para o Brasil.


Brendow pode ser o primeiro brasileiro a conseguir a vaga em sua modalidade. Foto: Acervo pessoal

“Estamos em busca desse sonho de ir para Tóquio e representar não só o Amazonas, mas o Brasil. Vou ter uma sequência de competições bem intensas antes dos Jogos, tanto nacionais quanto internacionais. Está corrido, mas estou depositando todas as energias para conseguir a vagas em Tóquio”, declarou Brendow, que está passando férias em Manaus, onde ‘recarrega as baterias’ com a família.

“Tenho feito treinamentos bem intensos. Pausei um pouco nesse momento porque vim para Manaus passar o final de ano com a família e recarregar as baterias. Iria retornar somente no dia 14 para São Paulo (local de treinos de Brendow), mas precisei adiantar para o dia 2. Lá já volto aos treinos com o foco em Tóquio”, completou Brendow.

O calendário de 2020 traz competições em países como Colômbia, Argentina e Estados Unidos para o amazonense. Em março, o desafio já será um Open Internacional. Todos os torneios valendo para os índices que Comitê Paralímpico Brasileiro e Internacional estipulam para um atleta conseguir a vaga nos Jogos Paralímpicos.

Tóquio na ‘mira’ do arco

A atleta indígena Graziela Paulino, de 23 anos, viveu boa parte de sua vida na aldeia Kuanã, junto de sua etnia Karapanã. Antes do profissionalismo no tiro com arco, vieram as brincadeiras de criança, usando os instrumentos que mais tarde seriam seus fiéis companheiros no esporte. Agora, a jovem multicampeã da modalidade busca sua tão sonhada vaga olímpica para Tóquio.


Com bons resultados em torneio nacionais e internacionais, Graziela quer a vaga em Tóquio. Foto: Junio Matos/Freelancer

“A princípio tenho que conquistar uma vaga para o Torneio Pan-Americano deTiro com Arco no México, que será em março. Teremos seletivas em janeiro e fevereiro para saber quem são as mulheres que vão representar o Brasil nessa competição. A primeira vai ser de 13 a 18 de janeiro, e a de fevereiro é de 3 até o dia 8”, disse a atleta sobre o período de ‘provação’ no início de 2020.

As seletivas para o Pan serão realizadas na sede da Confederação Brasileira, em Maricá, no Rio de Janeiro. Graziela já possui certa experiência na competição. Pensando no futuro e em uma possível medalha nos Jogos de Tóquio, Graziela, que já conquistou diversas medalhas em campeonatos nacionais e internacionais - incluindo dois ouros nos Jogos Sul-Americanos de 2018, na Bolívia, e uma prata no Grand Prix do México deste ano -, fala sobre o sentimento especial de defender o Brasil no maior evento poliesportivo.

“É um sonho que tenho desde que comecei a disputar o esporte. Seria uma grande honra e alegria poder estar representando as cores do Brasil”, apontou, lembrando do seu início na modalidade do tiro com arco.

A ‘luta’ por um sonho

O pugilista amazonense Kalil Paiva, fenômeno do boxe brasileiro, é um dos nomes mais cotados para defender o Brasil em Tóquio dentro dos ringues. O atleta sagrou-se tricampeão brasileiro no início deste mês. Porém, o atleta ainda passará por uma seletiva interna em janeiro e promete ‘lutar’ por sua vaga na ‘Terra do Sol Nascente’.


Dos que ainda não estão com vaga, Kalil é o mais próximo de atingir o objetivo. Foto: Antônio Lima

A terceira conquista do campeonato nacional em 2019 fez com que o sonho de infância em participar de uma Olimpíada ficasse ainda mais próximo. Passando férias na capital amazonense, Kalil, atualmente, é 3º Sargento da Marinha e conta com o apoio da corporação para alimentação e moradia. Ele diz estar otimista para a vaga em Tóquio - nem poderia ser diferente. Com a atualização anual do ranking nacional em 2020, o amazonense será o primeiro colocado da modalidade.

“Estou esperançoso e trabalhando duro para que dê certo. Esse ano com certeza entrou para história da minha carreira. Vou pensando um passo de cada vez, daqui até lá (Olimpíadas) tem muita coisa para acontecer”, revelou a respeito da sua cabeça para o futuro. Segundo o atleta, o período de recesso em Manaus também é uma forma de ‘recarregar’ as energias.

“Para mim essa é uma das melhores épocas do ano, fico bastante com minha família e amigos. Quando estou em Manaus, geralmente sigo treinando na Cia Atlética, que sempre abre as portas para mim”, disse o boxeador, que acumula aproximadamente 40 combates de boxe e 16 títulos de campeão.

Pela segunda medalha

Para Guilherme Costa, o ciclo olímpico é apenas ‘mais um’. Em 2016, nos Jogos do Rio, ele foi o primeiro amazonense a ser medalhista paralímpico - junto com Laiana, a primeira das mulheres -, quando levou o bronze no tênis de mesa. Após um 2019 com vitórias sobre atletas do top 10 do ranking internacional, a ideia é ganhar mais posições para alcançar o topo da classificação e chegar à capital japonesa em julho do próximo ano.


Guilherme foi o primeiro homem amazonense a ser medalhista paralímpico, na Rio 2016. Foto: Acervo pessoal

“Devo ir para a Espanha e Itália agora em março. Se Deus quiser, posso conseguir me classificar nesses dois campeonatos. Se eu conseguir jogar bem, posso garantir a vaga. Caso não consiga, ainda tenho uma seletiva na Eslovênia”, explicou o atleta paralímpico do tênis de mesa, que não quer contar com os ‘convites’ do Comitê Internacional.

Já sendo medalhista paralímpico, o sentimento em poder retornar ao maior evento poliesportivo do mundo é ainda mais especial para Gui. “Eu e Laiana fomos os primeiros amazonenses a serem medalhistas paralímpicos no Rio de Janeiro. Agora estou buscando mais uma participação para conquistar mais uma medalha. Vamos lá que o ‘curumim é abusado’”, brincou Gui - como é chamado por amigos e familiares - sobre estar buscando mais uma medalha na capital do Japão.

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