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Técnico Fernando Possenti revela os segredos da maratona aquática

Quatro vezes vencedor do prêmio de melhor técnico do mundo, em maratonas aquáticas, Fernando Possenti fala sobre o Rio Negro Challenge, Jogos Olímpicos de Tóquio e muito mais 08/12/2018 às 23:34
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Fernando Possenti está em Manaus para acompanhar a performance de Ana Marcela no desafio das campeãs
Leanderson Lima Manaus

Quatro vezes vencedor do prêmio de melhor técnico do mundo em maratonas aquáticas. Escolhido em 2018 como o melhor treinador de modalidade individual do Brasil, pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). 

Paulista de Guarulhos, Fernando Possenti, de 39 anos, é uma máquina de vencer, e parece incansável na busca pelos seus objetivos.

O próximo, ou melhor, “o” desafio, como ele classifica é levar a maratonista aquática Ana Marcela Cunha ao pódio nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, em 2020. Sobre estes e outros temas, o treinador conversou com exclusividade com o portal acritica.com  

Vamos começar bem do início, Fernando. Quando você tem o teu primeiro contato com a natação?

Eu fui nadador e como muitas crianças no Brasil e no mundo eu tinha bronquite e tinha crises de asma e meus pais me colocaram na natação, para curar a bronquite, ajudar nesse processo. Para não ficar tomando tanto remédio, e eu peguei gosto comecei a participar de algumas competições. Tive a oportunidade de nadar campeonatos paulistas. Fui campeão paulista, campeão do Chico Piscina, que é um brasileiro de seleções, enfim ganhei algumas competições. Digamos que eu cheguei ao meu limite como nadador.

Eu comecei a trabalhar com natação em janeiro de 1997. Faz 21 anos. Eu não tenho 40 anos ainda então faz mais da metade da minha vida que eu trabalho com natação. 

Quando foi que aconteceu o teu primeiro encontro com a Ana Marcela e quando vocês começaram a trabalhar juntos?

A Ana acabou me conhecendo pelos resultados que eu começava a ter dentro das maratonas aquáticas. 

Em 2009, no Sesi, nosso time foi campeão brasileira por equipes. Eu tive três atletas convocados para o Sul-Americano juvenil. Alguns atletas incomodando no adulto, atleta juvenil pegando pódio no Campeonato Brasileiro Absoluto, como a própria Ana Marcela participando da prova, então ela começou a ver que uma geração que eu vinha formando vinha dando resultado, que era alguém que estava envolvido com a modalidade.

No ano de 2012 a gente conversou um pouco. Ela (Ana Marcela) tava um pouco triste porque tinha perdido a vaga para a Olimpíada (de Londres), enfim, trocamos algumas palavras até que surgiu um projeto do Sesi, em 2013, para aumentar a equipe para o profissional.

Foi feito o convite, ela aceitou, e a gente começou a trabalhar. Em janeiro de 2013 foi a nossa primeira temporada juntos.

Como foi o crescimento do trabalho de vocês? Porque vocês chegaram ao ápice. Como foi a caminhada até lá? 

Eu costumo dizer que para o trabalho dar certo primeiro o atleta tem que confiar. Tem que comprar a ideia e entender uma frase do (Albert) Einstein super antiga ... Para ter resultados diferentes não adianta ficar fazendo a mesma coisa. Você tem que fazer coisas diferentes. Mas eu acho que o que nos moveu para chegar até onde a gente chegou é uma insatisfação eterna. Quanto mais a gente conquista, mais a gente descobre objetivos maiores que podem ser conquistados. 

E como foi assistir a frustração dos Jogos Olímpicos de 2016?

Eu não sei porque eu não estava trabalhando com ela. A nossa primeira temporada foi de janeiro de 2013, até novembro de 2015. Em novembro de 2015 houve um problema contratual entre o clube e a atleta, os patrocinadores. Enfim, problema que estava além da nossa alçada. Não era algo que eu pudesse resolver ou ela. Nossa vontade era de continuar juntos, mas ela acabou se mudando de clube, de programa e de treinador nesta época. Foi um momento triste, eu acredito, para mim e para ela, foi realmente uma separação dolorosa. Então até o mês de maio de 2017 a gente não trabalhou junto de junto. De novembro de 2015 a maio de 2017, ela tava treinando e morando em Santos, e trabalhando com um treinador lá de Santos, então eu assisti essa frustração pela TV. 

Mas como você trabalhou com a Ana, deve ter dado aquela frustração, não? (Ana Marcela ficou em décimo lugar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, e teve problemas para fazer alimentação, o que prejudicou o seu rendimento na prova.). 

Não digo nem frustração. Eu acredito que conheço bem a Ana e eu sei da capacidade dela. Ela é uma atleta fantástica, é uma atleta que tem um potencial enorme, acredito que até hoje, aos 26 anos, ela não sabe o tamanho do potencial dela. Então lógico dá uma certa tristeza. Eu acho que ela merecia um pódio, uma colocação melhor por tudo que ela trabalhou, por tudo que a gente fez nestes anos de 13,14 e 15.

E quando vocês voltam a trabalhar juntos?

Maio de 2017

Como foi essa retomada?

Foi muito boa. Ela já tinha até nadado umas duas etapas da Copa do Mundo, já tinha voltado a competir, mas não estava obtendo os resultados que ela gostaria, assim como nos outros anos em que nós estivemos juntos. E aí ela me procurou. Eu já estava trabalhando em outras áreas. Eu gosto muito de maratona aquática, mas eu não me importo de trabalhar com outros esportes. Então naquela época eu tava trabalhando com triatlo, tava trabalhando com ciclismo, tava trabalhando com hipismo, esportes que não tem nada a ver com a maratona aquática. Eu gosto de esporte em geral, e aí, em maio de 2017, ela e o pai dela me procuraram pra gente retomar a parceria, e faltavam ali oito semanas para o Mundial. 

Então veio o Campeonato Mundial...

Que foi um campeonato muito bom. Ela chegou sem nenhuma pressão, porque ela vinha de uma última etapa de Copa do Mundo, em Abu Dhabi, onde ela tinha sido décima segunda a um minuto das líderes. O pessoal a tinha como carta fora do baralho, então ela chegou sem pressão e a gente conseguiu em oito semanas fazer um trabalho muito bom. Ela se dedicou muito e ganhou três medalhas em três provas individuais, o que é uma coisa inédita, coisa que ninguém tinha feito. 

Foi a grande volta por cima... 

Eu diria para os dois. Foi o momento em que eu voltei a trabalhar com natação. 

Como foi esse momento pra você? Nesta retomada você coloca a Ana de volta ao seu melhor em um espaço tão curto de tempo...

Eu fiquei muito feliz. Era um sentimento de que se eu tinha alguma dúvida do quanto eu gostava de trabalhar com isso, essa dúvida acabou ali. Eu realmente amo o que eu faço e amo o esporte maratona aquática, águas abertas. 

Foi um momento de grande emoção.  Só que com a mesma mentalidade: acabou o mundial, 24 horas depois, bom, o que nós vamos ganhar agora? Ou seja, com a mesma mentalidade de antes. Mas foi muito bacana.

Nós estamos a dois anos das Olimpíadas de Tóquio, no Japão. Este é o grande objetivo daqui pra frente?

É “o” objetivo. É o que falta, na minha opinião, na carreira dela. E ela tem capacidade para isso.  Eu acho que se ela fizer por merecer, e ela faz, porque ela se dedica, ela se empenha, ela se Deus quiser vai conseguir uma medalha olímpica, não dá pra dizer se é ouro, prata ou bronze, acho que uma medalha olímpica ela tem totais condições de conquistar em Tóquio. E é pra isso que a gente tá trabalhando. 

Como é que o Fernando Possenti faz para se atualizar?

Eu gosto muito de ler artigos sobre natação. E eu tenho graças a Deus muitos amigos... Infelizmente isso não é uma cultura no Brasil. Mas eu tenho muitos amigos treinadores no exterior. Uma coisa que abriu muitas portas para o meu conhecimento, atualização, foi eu poder falar espanhol, inglês, francês, ter acesso a outros treinadores graças a língua, então esses outros treinadores eles me enchem e eu também os encho, de matéria, de artigo. Olha eu li uma coisa no jornal da Inglaterra dá uma olhada. O que você acha? Eu apliquei com tal atleta, o que você acha? Essa discussão, essa troca de conhecimento que é muito comum lá fora, infelizmente não acontece com muita intensidade aqui. Aqui o treinador brasileiro acha que ele tem o segredo, que tem que guardar a sete chaves, porque ele tem a receita do sucesso.  Na verdade, a receita ela muda de atleta para atleta. O que funciona para um não vai funcionar para o outro. O importante é o conceito. 

E como é que você analisa hoje o mercado da maratona aquática do Brasil? 

Eu acho que é um esporte que cresceu muito, mas ainda tem muito mercado para crescer. Você tem dois mercados aí pelo menos, eu diria até três, na maratona aquática, que se dividem no mercado mais financeiro, que é aquele mercado de provas comerciais, são provas como a Fuga das Ilhas, em São Paulo, onde você tem 1.500, 2 mil inscritos. Rei e Rainha do Mar. Eu poderia citar aqui várias provas comerciais, que atraem as pessoas, atraem muito o público master. Um público mais velho, que está em um momento de vida, onde ele pode decidir o que fazer para a vida dele, ele quer se desafiar, ele quer fazer alguma coisa para colocar como meta. Ele quer ter mais saúde, ele quer perder peso. É a questão da maratona ajudando. É um esporte que tem contato, mas não tem impacto, como os esportes terrestres. Tem um mercado enorme comercial. Já o mercado esportivo propriamente dito, que é um mercado mais voltado para o alto rendimento, esse precisa ser melhor explorado. Porque senão nós não vamos ter renovação e esse é o grande perigo. Nós temos grandes ícones, grandes atletas, nós temos medalhistas olímpicos, como a Poliana (Okimoto), temos medalhistas de mundial como a Ana Marcela, temos campeão do circuito mundial como o Alan do Carmo, e não estamos tendo renovação. É necessário que os treinadores, eu sempre chamo a responsabilidade para os treinadores, para que eles incentivem os atletas a participar dessa modalidade. Não somente da natação de piscina. Ele pode ter um talento na mão de maratona aquática e não saber, pelo simples fato de não deixar menino ou a menina participar da prova.

Fernando não falta também mais qualificação para os nossos treinadores para descobrir esse mercado que tem de maratona e incentivar os seus atletas?

Se você for pensar em maratona eu vou concordar com você porque pouca gente estuda essa modalidade. Mas tem uma coisa que é, tava discutindo isso aqui com uns treinadores, quando você pensa em natação de piscina, me sinto a vontade de falar porque eu trabalhei bastante com piscina, a gente tem muito treinador qualificado no Brasil, mas qualificado a nível internacional, cara bom mesmo, o que falta é atitude do atleta. Hoje em dia alguns atletas brasileiros, muitos deles são atletas pouco esforçados, que acham que a coisa vai cair do céu, que existe um caminho mais curto, um jeitinho, não é por aí. Em compensação existe uma geração nova surgindo que vem com muita vontade.

Tempos atrás o nadador Thiago Pereira deu uma declaração dizendo que a natação feminina de piscina não se desenvolvia muito por que as mulheres eram muito vaidosas, porque as mulheres não queriam ficar com ombro largo, tem isso também?

Mais uma vez. É cultural. Tem e às vezes é incentivado pela família. Às vezes a menina até quer, mas a família fala: “não, para com isso. Vai ficar muito feia. Vai ficar masculinizada. Vai ficar forte”. Mais uma vez: cultural. Mas é aquela história: quem quer corre atrás. Hoje se eu tivesse que dizer pra você porque que a natação não dispara, e olha que a natação do Brasil não deixa a desejar para ninguém no mundo. Eu assisti o Pan Pacífico, o revezamento o Brasil brigando de igual para igual contra os Estados Unidos, foi um negócio lindo, a gente só não tem mais quantidade, porque realmente é uma geração que não tem essa “pegada”.

O segredo é "pegada" e "sangue nos olhos"...

Os nossos atletas que chegaram ao topo, eles têm isso. Você vê o Bruno Fratus é um cara que quer muito, ele é obstinado pelos objetivos dele. Tô citando outros exemplos que não são o da Ana. A Ana é até fácil de eu falar, porque eu tô com ela no dia a dia, mas os outros que eu vejo: atletas de piscina, essa nova geração, (Vinicius) Lanza, o próprio (Guilherme) Guido, que já é um cara de idade, de 31 anos, mas você vê nadando com vontade, com dedicação, você vê ele extremamente em forma, sabe, um cara que se cuida, esses atletas que atingem esse nível é porque eles realmente querem muito. Então existe um buraco, uma lacuna entre esses atletas, e a grande parte da pirâmide que não tem esse ímpeto. 

E do ponto de vista financeiro dá retorno ser treinador de maratonas aquáticas?

Só se você chegar neste nível. O início, não. No início muitos clubes, muitas pessoas, vão trabalhar com maratona como complemento. Eu hoje tenho uma situação um pouco melhor por ter chegado onde cheguei. Mas realmente não é fácil a vida de professor de educação física. “A gente ganha pouco, mas a gente se diverte”. É o dilema da faculdade.

Você se sagrou vencedor do Prêmio Brasil Olímpico do COB como melhor técnico do ano. Como foi que você recebeu essa vitória?

Foi uma grata surpresa. Não vou dizer que não esperava, mas talvez não esperasse agora. Eu sou um pouco exigente comigo mesmo. Eu quero completar muito mais o meu currículo, apesar de oito medalhas em mundiais, quatro vezes eleito pela Fina o melhor do mundo, acho que ainda falta uma medalha olímpica, falta ainda um desenvolvimento maior da modalidade influenciado por aquilo que eu posso aportar, me doar para a modalidade. Então eu me cobro muito em termos de resultado. Achei que isso viria um dia, mas não agora, foi uma grata surpresa. Foi um ano realmente bom, não digo que não sou merecedor, quero ser mais merecedor ainda. Quando for ganhar o segundo (Prêmio Brasil Olímpico) quero estar com mais bagagem.

Vencedor pela quarta vez do prêmio de melhor técnico do mundo, vencedor do Prêmio Brasil Olímpico. Você tá fechando 2018 como um ano espetacular na tua vida, não? 

Foi. Mas em todos os sentidos. Eu diria que foi um ano profissionalmente espetacular. Mas eu tive outras vitórias fora do âmbito profissional que me deixaram muito feliz. Uma das vitórias foi poder voltar a trabalhar e viver no meu País. Eu tinha uma certa mágoa de ter que colocar meu potencial a serviço dos outros, trabalhar em outro país para conseguir desenvolver meu potencial, então, o meu retorno pra cá, a oportunidade que o COB me deu, de poder fazer o meu trabalho aqui, estar perto das minhas filhas, falando a minha língua, no meu país... Isso não tem preço. Foi um ganho, uma vitória que eu tive no lado profissional, mas também do lado pessoal de estar mais perto da minha família, entre outras boas marés... Uma namorada maravilhosa... O ano foi impecável. Eu estou pensando em como melhora-lo em 2019. Vai ser difícil.

E como você tá analisando esta disputa entre a Ana Marcela e Sharon van Rouwendaal neste domingo (9) no Rio Negro Challenge ?

Eu estou muito contente de estar aqui. O clima está muito gostoso. É uma competição, não deixa de ser, se você conversar com qualquer uma das duas, nenhuma vai querer perder. Elas não gostam disso, elas são extremamente competitivas, mas ao mesmo tempo é um clima ameno, amigável. Elas se dão muito bem, o ambiente aqui que foi preparado está super gostoso, então qualquer uma que ganhar ou perder vai sair feliz de ter estado aqui. Elas estão em momentos diferentes na temporada delas. A Sharon tá começando uma temporada porque no hemisfério norte é inverno. Aqui a gente tá terminando a nossa, a gente está quase em destreino, férias, para retomar nossa temporada em janeiro. Então elas estão em momentos de treino diferente, mas as duas estão felizes de estar aqui e isso é o que mais importa, porque às vezes (o atleta) precisa disso também para a cabeça. 

E o que você diria para o garoto que vai ler a gente, e que já tá no alto rendimento e que quer se dedicar as maratonas aquáticas? E depois queria que você mandasse um recado para pessoas comuns que querem praticar este esporte. Para aquela galera que fazia esporte, mas parou, para o público mais velho que deseja voltar, qual o caminho que tem que fazer?

Para o atleta de alto rendimento eu sempre digo avalie, faça uma autoanálise, avalie o quanto você quer. Porque se você quer dar o próximo passo, seria o next step, o próximo degrau, você tem que querer mais do que você queria.  Não basta simplesmente: “Ah eu quero ir pro pódio”. Não, você tem que querer com muita vontade. Então essa é a dica que eu dou: avalie o quanto você realmente quer aquilo. Porque tudo tem um preço, você tem que ver se o quanto você quer é o suficiente para você, se você está disposto a pagar o preço. Pagar o preço de ter que se alimentar direito, de ter que dormir cedo, de não ter que ir pra balada com os amigos. Por exemplo meu amigo vai tomar um refrigerante eu vou tomar água. Falo de realmente abrir mão de algumas coisas. Abrir mão até de uma certa fase da sua vida, em prol de um objetivo maior.

É muito sacrificante. Vale a pena. Alcançando ou não este objetivo o que você aprende para a vida vale a pena. É o que eu posso dizer. Mas ele tem que estar disposto a pagar este preço.

Para a pessoa comum que tá voltando a praticar um esporte, gente não tem sensação de liberdade maior do que você estar em contato com a natureza. Você não tá numa água clorada. Você tá numa água de rio, uma água de mar, uma água de lagoa, você tá em contato direto com a natureza. É uma energia excelente, você tem a liberdade e a confiança de saber que você é capaz de vencer aquela barreira, que é atravessar um rio, cruzar um lago, você vai se preparar pra isso, logicamente, mas a sensação de terminar uma prova, e uma prova em contato com a natureza, é indescritível.

Eu já tive esta sensação (nota: o entrevistador é maratonista aquático amador).

Você sabe o que eu tô falando. É indescritível. É aquela sensação de “putz”, vale a pena. A vida, o esforço, a dedicação, aquilo vale a pena. É emocionante. Só tem um jeito: experimente. Levante do sofá vá lá e experimente. Você não vai acreditar na sensação de grandeza e de liberdade que vai te dar terminar uma prova na natureza. É outra coisa que vale a pena.

Fernando você ainda pratica natação com regularidade ou o dia te consome?

O dia me consome e a natação virou muito trabalho pra mim. Então eu não consigo olhar para a piscina como lazer. Eu olho para a piscina como trabalho. Então não me dá vontade de nadar.  Não tenho a menor vontade de nadar (risos). Costumo brincar: me convida para jogar uma pedala. Eu sou ruim de futebol, mas pelo menos eu vou estar me divertindo. Eu posso até nadar bem. Eu posso até entrar na água. As pessoas vão dizer você nada bem, mas não é uma coisa que eu to fazendo por prazer, eu prefiro fazer outras coisas. Eu gosto de pedalar. Me convida vamos fazer um pedal, vamos fazer uma escalada, vamos fazer uma coisa diferente, isso me dá mais alegria do que nadar. Hoje a natação pra mim é 100% trabalho. 

E como é olhar para este riozão que temos aqui em Manaus e todo esse potencial para os esportes aquáticos?

Cara este lugar é incrível. Ele poderia ser um pouco menos quente para ser bem honesto (risos). Brincadeiras a parte em algumas épocas do ano fica difícil nadar com água tão quente. Mas o lugar é incrível.  Vocês não têm ideia de como a Amazônia é vista pelos outros. É um lugar único no mundo. E você poder pegar um pedacinho disso para praticar o seu esporte, cara, não tem preço. Você tá num lugar único no mundo. Você não vai ter um rio Negro mais negro que o nosso. Você não vai ter a condição de atravessar um rio com oito quilômetros e meio. Rio pra mim que sou paulista é quinhentos metros e olhe lá. A água do rio ela é limpa o suficiente para a prática esportiva, porque você tem locais como a China, por exemplo, com rios enormes extremamente poluídos, então isso aqui é uma joia. Você tem o local, você tem o turismo, você tem as condições de realização de prova, tudo isso em um lugar único. Para mim é uma joia não lapidada, ainda. Eu espero que a própria vinda do esporte continue a priorizar e ajudar na questão ecológica, de que se mantenha o rio limpo, não só para os animais para as pessoas e também para os praticantes de esporte.

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