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Final do Grand Prix de Vôlei LGBT acontece neste domingo (28), em Manaus

Meninas Poderosas, da Nigéria, e Rainhas da Balada, da Espanha, começam a decidir a quarta edição da competição às 19h, no ginásio Renê Monteiro, avenida Constantino Nery, bairro Chapada 28/09/2014 às 17:06
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Equipe da Espanha pronta para a final do Grand Prix de Voleibol LGBT
Lorenna Serrão Manaus

Com talento, habilidade e muito charme, as “Meninas Poderosas” da Nigéria e as “Rainhas da Balada” da Espanha, se enfrentam, neste domingo, às 19h, na quadra do ginásio Renê Monteiro, Zona Centro-Sul de Manaus. O duelo definirá a equipe campeã da IV edição do Grand Prix de Voleibol LGBT. Antes da decisão, às 17h, Brasil e Costa Rica disputam o terceiro lugar da competição.

Ano passado, em sua primeira participação no campeonato, a Nigéria ficou em sexto lugar. Para os membros da equipe, a colocação foi considerada boa, mas eles queriam mais. E por isso, para o torneio de 2014, correram atrás de patrocinadores e de atletas experientes para formar um grupo competitivo suficiente para chegar à final. E agora vão fazer de tudo para conquistarem o título. A equipe treina na quadra da igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Educandos – o local é cedido pelo padre Amarildo.

Mas a Espanha, vice-campeã de 2012 e que ano passado conseguiu apenas a nona colocação, também está de olho no título. A equipe, que está completando cinco anos, se organizou e contratou atletas mais comprometidos e dispostos a lutar pela primeira posição do IV Grand Prix de Voleibol LGBT.

“Depois da nossa estreia ano passado, nós decidimos que iríamos formar um time para brigar pelo título, então convidamos alguns atletas de fora. A Márcia Alta, que tem mais de dois metros de altura, veio do Pará, e a Raquele, de Vilhena-RO. Elas são altas e isso torna o nosso bloqueio muito mais poderoso”, disse Rúbia, levantadora da Nigéria.

A única atleta de fora na equipe da Espanha é a Sandy, que também veio do Pará exclusivamente para participar do Grand Prix. A paraense, ao lado de Logan Tom e Alicinha, é um dos principais destaques do time das “Rainhas da Balada – cinco anos de sucesso”.

“Sandy é um grande reforço no nosso ataque. A Logan Tom está em ótima forma e tem ajudado muito na nossa defesa, temos ainda a Alicinha, que ano passado foi eleita a melhor levantadora do torneio, e tem tudo para ser eleita este ano novamente. Sem dúvida nenhuma, elas são as principais jogadoras do torneio”, completou Akinradewo.

Para Alicinha, a decisão de hoje será muito complicada, mas o entrosamento entre os atletas da Espanha pode ser um ponto positivo a favor das “Rainhas da Balada”. “Se quisermos vencer teremos que jogar rápido. A Nigéria tem duas atletas muito altas e isso não deixa de ser uma vantagem, mas nosso grupo está muito entrosado e foi justamente por isso que conseguimos chegar à final”, comentou a levantadora.

conhecidosEsta não será a primeira vez que Nigéria e Espanha vão se enfrentar no Grand Prix. Na primeira fase do torneio as equipes fizeram um jogo duro e as “Meninas Poderosas” levaram a melhor e venceram por 2 a 1. Mas isso são águas passadas. “Agora é diferente, é a final do campeonato. Naquela partida (primeira fase), a Espanha não estava completa, mas hoje será diferente. Mesmo assim, a Nigéria vai entrar para vencer, respeitamos as nossas adversárias, mas vamos ganhar esse jogo”, completou Rúbia.


Márcia Alta e Raquele são destaques da Nigéria. Foto: Euzivaldo Queiroz

Contra a homofobia
O Grand Prix de Voleibol LGBT tem como principal objetivo levantar a bandeira de combate à homofobia por meio do esporte. Em quadra, as atletas já mostraram, diversas vezes, que têm talento de sobra e esse é um dos motivos do sucesso da competição, que também é conhecida pela irreverência dos participantes.

“Acho que todo mundo sofre ou já sofreu preconceito, alguns até por parte da família e dos amigos. Através do esporte nós mostramos um lado nosso que muitas pessoas não conhecem, que é um lado mais engraçado. A gente se diverte bastante no Gran Prix, apesar de ser um torneio sério”, comentou Rúbia.

O lado humorístico dos jogadores está presente principalmente na hora de desestabilizar os adversários.

“No meio da partida sempre surgem as provocações. É algo muito engraçado. Nós, as ‘Rainhas da Balada’, não calamos a boca, somos conhecidas por isso também. No jogo de hoje não será diferente, não podemos adiantar nada, mas vai ter muita provocação, sim!”, pontuou Alicinha, da Espanha.

Projetos ousados ‘na agulha’
Após quatro anos à frente do Grand Prix de Voleibol LGBT, Daniel Coelho deixará a coordenação do torneio para assumir uma missão ainda mais ousada. O jornalista e professor de Educação Física irá atrás de apoio para organizar os Jogos Olímpicos LGBT de 2016.

“A ideia é que os jogos aconteçam justamente no ano em que o Brasil vai sediar as Olimpíadas. Nós já temos algumas modalidades coletivas definidas, como vôlei de praia, vôlei de quadra, handebol, futebol e queimada. Mas vamos em busca dos atletas dos esportes individuais também”, disse Coelho.

Daniel é ex-presidente da Liga Gay de Vôlei, competição que existe há mais de 20 anos em Manaus. Em 2011, ele criou o Grand Prix, a Copa do Mundo de voleibol LGBT e também as Divas da Areia.

“Vou sair da coordenação, mas vou continuar apoiando o Grand Prix, buscando apoio e novos parceiros”, completou.

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