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Focado em 2015, Ring Boxe busca revelar talentos, mas critica o poder público pela falta de apoio

Projeto social de boxe realizado há mais de 25 anos ajuda jovens da periferia a sair da ociosidade, mundo das drogas e do mal que a vida pode oferecer 21/12/2014 às 10:32
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Pedro Nunes, o Ring Boxe (centro), durante orientação para pugilistas amazonenses
Anderson Silva Manaus (AM)

Há 25 anos o projeto social Ring Boxe, localizado no ginásio Zezão, na Avenida Grande Circular, São José, Zona Leste, ajuda jovens da periferia a sair da ociosidade, mundo das drogas e do mal que a vida pode oferecer.

Patrocinadores e apoiadores são um dos pilares que sustentam o projeto, além de o próprio coordenador e presidente da Federação de Pugilismo do Amazonas, Pedro Nunes, o Ring Boxe, 50, que tira dinheiro do próprio bolso para completar os custos de manter mais de 10 competições ao logo do ano e, ainda, os gastos com a manutenção do projeto.

O amor e disponibilidade pelo projeto deram resultados. O mais destacado de todos foi com a pugilista Maria Marreta, revelada em 2001 e que foi campeã brasileira meio-médio em 2002.

Focado já em 2015, Pedro quer ajudar novas promessas a se tornarem grande destaques, mas, como de costume, critica o poder público pela falta de apoio às revelações.

“A Maria Marreta só parou de lutar porque ela não recebia mais os R$ 500 do projeto Amazonas Campeão. O projeto foi cancelado pelo Governo e, como ela não recebia, ela precisava trabalhar e desistiu do boxe”, explicou o coordenador, que atribui a falta de valorização do esporte aos políticos amazonenses.  “Se um atleta vê outro atleta ganhando dinheiro ele entra no esporte. Se não tem ninguém recebendo dinheiro, ele nem pratica. É preciso que os deputados, que acabaram de aumentar seus próprios salários, tomem vergonha e voltem com os projetos para ajudar os novos talentos. Assim, da forma que está, estamos enxugando gelo”, afirmou o dirigente, conhecido por não ter “papas na língua”.

Sem parar
 Para a temporada que vem Pedro não vai perder tempo. Nos primeiros dias do ano de 2015, o coordenador garante que vai até às secretarias de esporte solicitar apoio para as competições.

“No início do ano vou levar às secretarias o calendário das nossas lutas e encaminhar os ofícios solicitando apoio. Aqui precisamos de apoio. Estou pelejando com os meninos. Você pode até ter talento, mas se não tiver oportunidade não vai a lugar nenhum. Quero lapidar esses atletas sem cobrar um tostão e ainda tiro do meu bolso para ajudar”, garantiu.

Projeto expandindo
A força de vontade de ver o pugilismo crescer no Amazonas levou Ring Boxe a ter mais projetos “filiados” pelo interior. Novo Airão, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva e Benjamin Constant são as cidades que possuem um núcleo do projeto.

“São meus ex-alunos que moram no interior e resolveram montar um ringue no quintal da casa deles. Temos bons atletas que saem das cidades e vem para Manaus competir. As prefeituras dos municípios não ajudam, mas eu pago as passagens, mando saco de areia, luvas, protetores... o boxe é um esporte de pobre, mas com equipamentos caros. Mesmo assim eu ajudo esses atletas”, afirmou o gestor, que assim como em 2014 vai realizar 10 etapas do Amazonense de Boxe, além de lutas para descobrir novos talentos.

Ajuda para a construção de um novo ring

O projeto social pede doações  para a compra de telhas e madeiras para a construção de um novo ring. A madeira do localfoi atacada por  cupins e não suporta mais os treinamentos. Informações e doações: 99135-0128.

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