Sexta-feira, 03 de Abril de 2020
Cria do 'Gavião'

Formado no Manaus FC, Alex Douglas fala sobre a carreira e estreia como profissional

Meia-atacante de 18 anos atuou em todos os torneios de base pelo 'Gavião do Norte' , do infantil ao juniores, até chegar ao elenco principal, estreando diante do Fast, pela 2ª rodada do returno do Barezão



bola_82C4EDA6-2A3F-41F1-A588-5199F490B529.JPG Foto: Ismael Monteiro/Manaus FC
18/03/2020 às 16:15

O dia 12 de março de 2020 vai ficar para sempre na memória do jovem Alex Douglas. Foi neste dia que o jovem meia-atacante, de apenas 18 anos, atuou pela primeira vez como jogador profissional do Manaus.

Em entrevista exclusiva ao Manaus Hoje, o jogador conta todos os passos de sua caminhada, até se tornar uma das estrelas do clube esmeraldino, que disputará a Série C do Brasileirão deste ano.



Começo no futsal

“Comecei nas ruas do bairro Coroado, com apenas 9 anos de idade. Com uns 10 anos, fui convidado a participar de um projeto que havia por lá, chamado ‘Girassol’, de futsal, onde comecei a disputar meus primeiros campeonatos. Meu amor pelo futebol fez com que eu me destacasse no meio de vários outros que jogavam, pela facilidade que tenho em driblar. Fui campeão e artilheiro, mas tudo isso não passava de uma brincadeira na época, onde eu ia para brincar de jogar bola", revela Alex Douglas, que 5 anos depois, vestiu pela 1ª vez a camisa do clube que o tornaria profissional.

“Aos 15 anos, fui convidado para participar de uma peneira do Manaus, na categoria infantil, onde passei e disputei meu primeiro Campeonato Amazonense de campo, em 2017. Me destaquei, mas o campeonato era curto e o Manaus em 2017 não era o Manaus de hoje. Não tinha calendário. Então, retornei para o futsal, no ‘Projeto Santa Bola’”, detalha o meia-atacante, que no ano seguinte, começou sua ‘peregrinação’ no mundo do futebol.

Viagens e volta ao gavião

“Em 2018, tive oportunidade de viajar para o interior de São Paulo, para tentar jogar o Campeonato Paulista. Fiquei pelo período de uma semana, em teste, mas fui reprovado. Em seguida, consegui mais uma oportunidade para viajar, só que dessa vez, para o Mato Grosso do Sul. Fiquei uma semana de teste no Operário de Dourados, onde passei e fiquei 5 meses, mas não deu certo”, pontua o jovem, que retornou para Manaus no fim daquele ano, para consagrar-se de vez com a camisa do ‘Gavião do Norte’.

“Quando voltei, estava rolando o Campeonato Amazonense sub-17. Mais uma vez, fui convidado a jogar no elenco do Manaus, pela categoria juvenil. Joguei todo o campeonato, mas naquele ano, não conquistamos o título. Mesmo assim, continuei treinando no Manaus, porque o Campeonato Amazonense sub-19 iria começar no início de 2019” relembra o jogador, que assim como muitos atletas das categorias de base, passou por dificuldades.

Sede de vitória

“Indo treinar todos os dias, começou a virar objetivo me tornar profissional. Já estava decidido o que eu queria pra minha vida. Quando faltava o dinheiro para pegar o transporte público, meus familiares me ajudavam. Apesar de todas as dificuldades, eu nunca deixei de sonhar. Tinha no meu coração que minha hora ia chegar e nada daquilo que eu estava fazendo era em vão”, relata Alex, que teve um primeiro semestre razoável no Juniores, mas ‘destruiu’ na categoria sub-21.

“Com 17 anos, disputei o sub-19, onde tive uma atuação discreta pelo Manaus, chegando até as quartas de final. No segundo semestre, teve o Campeonato Amazonense sub-21. Treinei e me dediquei ainda mais, sempre dando meu melhor a cada dia e acabei recomensado. Fiz o meu melhor campeonato com a camisa do Manaus, me destaquei e chegamos até as semifinais. Consegui despertar olhares da direção do profissional, que entraram em contato comigo. E no dia 3 de janeiro de 2020, me apresentei com o time principal. Parecia não ser realidade porque um mês atrás, eu não tinha nem o dinheiro da passagem, e no começo de 2020, estava no time principal, realizando um sonho de criança que não parava por ali”, explica o camisa 70 do clube esmeraldino.

O grande dia

Depois de passar pelas categorias infantil, juvenil e juniores do clube esmeraldino, Alex Douglas começou os trabalhos no time profissional do Manaus. Como todo novato, o meia-atacante teve aquele básico ‘frio na barriga’.

“Nos primeiros treinos eu tive muita dificuldade, porque o nervosismo tomava conta, mas com vários jogadores experientes, que já haviam vivido aquilo que eu estava passando, recebi todo suporte. Eles falavam para eu ser eu mesmo e não ter medo de errar, porque se eu havia chegado ali, era porque eu tinha capacidade. Treinando forte, consegui ser relacionado para o primeiro jogo da temporada, onde seguia sem acreditar que estava ali. Porém, seguia querendo mais, até que tive oportunidade de estreiar como profissional, diante do Fast”, conta o prodígio esmeraldino, que atuou por apenas cinco minutos contra o ‘Rolo Compressor’, na bela vitória do Manaus por 3 a 0.

“Foi um momento muito especial na minha vida, mesmo vivendo por poucos minutos. Passou um filme na minha cabeça de tudo que eu tinha passado. 18 anos, frio na barriga, ansiedade pra pegar na bola, nervosismo. Só quem já viveu sabe como é. Sou muito grato a Deus por tudo que ele fez na minha vida. Realmente ninguém explica Deus e nada é em vão”, emociona-se Alex Douglas, que agora, vai em busca da realização de seu mais novo sonho.

“Meu objetivo agora é conseguir me destacar, para despertar vários olhares, como despertei para virar profissional”, finaliza o jovem meia-atacante.


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