Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020
'NOVO NORMAL'

Futebol de base se adapta à nova realidade por conta da pandemia

Com torneios interrompidos e até cancelados, base amazonense precisou se adaptar a treinos à distância, interrupção de trabalhos e agora analisa o retorno das atividades



WhatsApp_Image_2020-07-05_at_15.46.26_68D4C35D-F20D-44EE-8CBA-F602764ED7EA.jpeg (Foto: Junio Matos)
05/07/2020 às 16:01

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) não afetou somente o nível profissional do esporte mais popular do país. No Amazonas, as categorias de base foram impactadas com cancelamentos e até longa paralisação de torneios estaduais. Agora, sob incertezas do que vem pela frente, jogadores, treinadores e clubes tentam evitar perdas técnicas em campo e de gerações fora dele.

O CRAQUE entrou em contato com alguns personagens do futebol de base baré que foram prejudicados, especialmente, com a paralisação do Amazonense Sub-19. Entre as dificuldades de se manter distante do que mais amam fazer e a interrupção brusca de trabalhos, treinadores e jogadores comentam sobre como o 'núcleo' de formação de jogadores do estado vai precisa driblar os problemas durante a temporada de 2020.



Vale lembrar que a categoria Sub-19 deve ser a única a conseguir finalizar o Estadual neste ano - a mesma iniciou pouco antes da chegada da pandemia à capital baré. Demais categorias, como a Sub-21 e as com atletas menores de idade ficarão para o ano de 2021, como revelou ao CRAQUE, há algumas semanas, Thiago Durante, diretor de futebol de base da Federação Amazonense de Futebol (FAF). 

DISTÂNCIA DO CAMPO

Para o meia-atacante do Real Manaus, João Paulo, que chegou a atuar pela base do Goiás em 2016, o impacto da paralisação foi imediato na sua rotina. “Quando começou a pandemia foi um choque muito grande para nós, pois estávamos determinados e motivados para sermos campeões. Aí quando paralisou o campeonato, fiquei desmotivado. Cheguei a passar duas semanas sem fazer nada em casa, porque não tinha motivação, estava frustrado”, destacou.

Companheiro de equipe, o lateral-esquerdo João Alencar, que também teve passagem pelo Goiás, mas no ano de 2015, reforçou as palavras de João Paulo e destacou a dificuldade de manter o nível adequado treinando em casa.

"Acho que a maior dificuldade é a do recomeço. Você tenta treinar em casa, mas às vezes não temos o material apropriado, o local não te ajuda. Quando estamos no campo com o grupo é bem mais fácil, mas quando estamos em casa tendo que fazer tudo sozinho, às vezes a motivação não ‘bate’”, explicou Alencar, do Real Manaus.

Os atletas do Manaus FC também tocaram nos problemas de motivação, mas alguns deles, como o meia Caio Smith, de 18 anos, destacaram a falta de equipamento para desempenhar um bom treinamento. O sentimento, nesse caso, pode ser confundido com a saudade pela bola, algo natural para os jogadores nesse momento de pandemia, seja da base ou do nível profissional.

“A maior dificuldade é a estrutura, que a gente não tem em casa. A gente faz um trabalho que não é a mesma coisa do que estar treinado com a rapaziada do time, com um nível de intensidade que o treinador pede. Em casa a gente não se condiciona fisicamente bem, o ritmo de jogo não se desenvolve, a gente fica longe da bola. Isso tudo prejudica”, disse o meia do Gavião do Norte que é fã do belga Kevin De Bruyne, do Manchester City.

TRABALHO INTERROMPIDO

O coordenador e técnico da base do Real Manaus, Victor Alonso, conhecido como ‘Totti’, falou sobre todo o trabalho que a sua equipe vinha fazendo antes da paralisação e as dificuldades pelas quais a comissão técnica vem passando para manter os atletas com o máximo de acompanhamento mesmo em período de distanciamento social.

“Nos preocupamos em estabelecer atividades para os atletas que são possíveis de fazer em um quintal, um quarto ou uma sala, para manter o mínimo do nível físico. Na questão tática, separamos vídeos com links de partidas ao vivo para os atletas acompanharem, aprenderem a assistir futebol, pois nessa idade se não são bem orientados, eles acabam pegando aspectos da partida que não são importantes”, explicou Totti.

Jaime Vauly, treinador do Gavião do Norte, destacou a questão física dos atletas. Para o técnico, o trabalho terá que ser feito do zero, novamente, sem pensar de imediato em treino tático e técnico, pois os atletas precisarão entrar em forma antes de assimilar qualquer ideia.

“Quase todo futebol hoje é físico, e com essa parada acabamos perdendo tudo. Vamos precisar começar do zero fisicamente, até já falei com o Fabiano (preparado físico) que esse vai ser um trabalho em que ele vai precisar colocar o pessoal do elenco em dia. Planejamos separar pelo menos 15 ou 20 dias apenas para recuperar a questão física, sem tocar em bola”, afirmou o comandante do Gavião, apontando para realização de nova pré-temporada.

Repórter de A Crítica

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