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Futebol, paz e amor: Torcida Rasta do Vasco é fundamentada no respeito e na religiosidade

Manaus tem representação local da Rasta, com 70 sócios e cerca de 300 ‘simpatizantes’; objetivo é mostrar que torcida organizada também pode ser sinônimo de harmonia nos estádios 23/09/2014 às 14:41
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De acordo com os dirigentes, a organizada vascaína desenvolve atividades sociais e filantrópicas
Felipe de Paula Manaus (AM)

A expressão “torcida organizada” parece trazer consigo uma série de comportamentos recorrentes à cultura radical e fanática de muitos torcedores em várias partes do mundo: apostar na violência como estratégia de imposição sobre as torcidas adversárias.

Dos prejuízos causados pelos tradicionais hooligans ingleses até os lamentáveis incidentes envolvendo torcidas de grandes clubes brasileiros, a violência entre fãs de clubes rivais é quase sempre associada a esses grupos de torcedores, politicamente incorretos e que nem merecem ser considerados como grupos organizados.

Para mudar essa imagem de agressividade e vandalismo, devolvendo ao futebol a aura de espetáculo que é sua vocação original, nasceu a Torcida Rasta do Vasco, cujo nome é inspirado no movimento religioso, muito difundido pelo ícone do reggae, Bob Marley (rastafári).

O cantor, que pregava a paz como modo de purificação humana, também é o símbolo maior da torcida criada no Rio de Janeiro há sete anos.

Em Manaus desde 2012, a facção vascaína tem 70 sócios e cerca de 300 “simpatizantes”, como diz Rodrigo Dias, 27, presidente da associação.

“A nossa torcida é mais voltada pra apoiar o clube, cobrar quando tem que cobrar, mas sem violência. Nosso ícone maior é o Bob Marley, que é mundialmente conhecido por sua luta contra o racismo e contra a violência”, diz ele, citando a própria história do Clube de Regatas Vasco da Gama.

“O Vasco foi o primeiro clube a aceitar negros no Brasil. Então nosso clube tem uma história de luta por negros, operários, a fim de fazer inclusão social”, diz o líder da torcida “paz e amor” do Vascão.

“Tem gente que diz que tem aí o time do povo e tal... mas esses times grandes eram todos contra isso, só queriam jogadores brancos, da elite. O Vasco da Gama foi quem realmente trouxe isso (inclusão) para o futebol brasileiro”, provocou Rodrigo.

Ali, a provocação é saudável, sem excessos nem apologia à violência, como explica outro membro do grupo, Sandro Arlen, 39. “A ideologia rasta é a ideologia da paz. A gente não canta música que tenha apologia à violência. Tem algumas músicas contra a ‘mulambada’ (gíria para identificar flamenguistas), mas sem nenhum absurdo ou forte provocação”, diz outro membro do grupo cruzmaltino. “É paz, amor, futebol e reggae”, completa.

Na prática

Mas não é só da boca para fora que os rastafáris vascaínos de Manaus falam sobre “paz e amor”. Segundo o presidente da Torcida Rasta do Vasco em Manaus, Rodrigo Dias, a facção tem a preocupação de orientar os torcedores a melhor se comportarem nos estádios e também realizam atividades filantrópicas regularmente.

“A gente faz projetos sociais, doação de sangue, doação de brinquedos, alimentos... em parceria com instituições sérias”, diz Rodrigo, que acredita na paixão pelo futebol como motor de uma transformação positiva na sociedade. “É a transformação social por meio do futebol”, finaliza.

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