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Esportes
A pelada!

Galo da Madrugada, um time de masters que nasceu de uma pelada entre amigos

Tradicional jogo de pelada entre amigos da Zona Norte, o Galo da Madrugada se tornou um fenômeno de público e amor pelo futebol amador e convivência social 06/10/2017 às 20:32 - Atualizado em 07/10/2017 às 09:29
Show ga
Galo da Madrugada se tornou tradição na Zona Norte (Arte: Thiago Rocha)
Denir Simplício Manaus (AM)

Todo bom boleiro tem aquela pelada considerada imperdível. Aquela partida em que ele espera a semana inteira se preparando como se fosse uma final de campeonato. Aquele jogo que ele madruga e antes mesmo do galo cantar já está à beira do campo. Essa é a essência do “Galo da Madrugada”, uma tradicional pelada de amigos que se transformou em um dos times mais queridos do Peladão.

Como time de Master no Peladão,  o Galo da Madrugada atua há sete edições, mas a “Pelada do Galo” já tem 17 anos, e haja história pra contar.  Para quem pensa que o Galo da Madrugada tem algo a ver com o famoso bloco de carnaval de Pernambuco, esqueça! A folia dessa turma é madrugar pra bater bola. 

O Galo surgiu em 2000 quando um grupo de amigos do conjunto Oswaldo Frota se reuniu pra bater uma pelada no campo da Zona Norte de Manaus. As peladas aconteciam às sextas-feiras a noite, mas com o passar do tempo a quantidade de boleiros foi aumentando e o jeito foi alterar o horário. Como a maioria é de veteranos, foi decidido que a pelada mudaria de sexta para o primeiro horário disponível no domingo, o das 6 horas da matina.


Galera do Galo é quem canta alto no terreiro do Oswaldão (Foto: Evandro Seixas)

“Antes jogávamos às 8 horas, mas nesse horário o sol já começava a ‘queimar’ e a maioria tem idade acima dos 40 anos. Assim resolvemos mudar pras 6 horas”, relembra Agamenon Lemos, 50, técnico do Galo contando que os boleiros chegam cedo pra pegar seu lugar no time.

“Como a pelada é concorrida, às 4h30 da madrugada já tem gente aqui no campo esperando pra dar seu nome e se garantir no jogo”, comenta Agamenon. 

Tudo pelo Galo

Entre tantas histórias engraçadas que envolvem o Galo da Madrugada tem a de um integrante que pede licença aos fiéis para “dar uns chutinhos”. “O Galo é cheio de histórias interessantes como a do Pastor Zezinho, que  saía da vigília dele, numa igreja evangélica aqui de perto do campo. Corria pra cá, dava o nome dele e voltava pra vigília. Quando dava 7 horas ele estava aqui todo uniformizado pra bater a pelada. Quando acabava ele voltava pra vigília com os fieis dele”, conta Elisson Bentes, 44, meio-campista do Galo da Madrugada revelendo que já teve umas briguinhas com a patroa por conta da pelada.

“Minha esposa às vezes reclama por conta do despertador que dispara às 4h30 e que nunca acorda comigo aos domingos. Mas aí eu dou a desculpa de que terei o restante do domingo todo só pra ela e as coisas ficam tranquilas”, brinca.  


Veteranos do galo dão show de bola no Oswaldo Frota (Foto: Evandro Seixas)

A dimensão da famosa pelada cresceu tanto que a direção do Galo promove trimestralmente eventos especiais, como a Pelada do Carnaval, onde a turma se veste de mulher pra jogar bola. Também tem a famosa “Flamengo x Resto do Mundo”,  nos fins de ano.

Em sua terceira geração, os chamados “pintinhos” e “frangotes” se juntam aos Galos para bater uma pelada. “Hoje o Galo sobrevive dos pais, filhos e até netos. Tem garoto que joga aqui que o avô já jogou. Mas temos uma regra, sempre colocamos no time cinco jogadores acima dos 40 anos. Nunca esquecemos dos mais velhos”, pontua Agamenon Lemos.

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