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Gastos com estádios da Copa do Mundo no Brasil subiram 50%, diz relatório do TCU

Tribunal de Contas da União divulgará informações sobre os custos com as arenas do Mundial da Fifa. Estimativa de gastos era de R$ 5,6 bilhões, no entanto, ao final do torneio a despesa chegou a R$ 8,44 bilhões 04/12/2014 às 16:15
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Arena da Amazônia, em Manaus, custou quase R$ 700 milhões aos cofres públicos.
Andrew Downie/Reuters São Paulo (SP)

Os 12 estádios usados na Copa do Mundo deste ano no Brasil custaram 50 por cento a mais do que o previsto e apenas seis dos 35 projetos de transporte público prometidos foram concluídos a tempo, de acordo com um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) obtido pela Reuters, que ainda não foi publicado.

Doze arenas foram construídas ou reformadas a um custo de 8,44 bilhões de reais, disse o TCU em seu relatório mais completo sobre os gastos da Copa desde o final do torneio, em julho. A estimativa original de gastos, em 2010, era de 5,6 bilhões de reais.

Segundo o relatório, que deverá ser publicado até a próxima segunda-feira (8), a obra mais cara foi a remodelação do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, que custou 1,44 bilhão de reais, quase o dobro de sua estimativa inicial.

"Os estádios custaram muito mais do que deveriam", disse o consultor de finanças e marketing Amir Somoggi. "Eles fizeram obras faraônicas e nós ficamos com os elefantes brancos."

Com muitos estádios entregues em cima da hora e projetos de mobilidade urbana incompletos ou abandonados, havia o temor de que a Copa de 2014 fosse caótica. No entanto, o torneio foi considerado um sucesso, com alguns dos melhores jogos em muitos anos e sem problemas sérios fora de campo. A Alemanha venceu a Argentina por 1 a 0 na final no Maracanã.

O relatório de 130 páginas, porém, deixou claro que ainda havia muito trabalho a ser feito.

O governo prometeu 26 novos projetos de aeroportos, mas apenas 14 foram terminados a tempo, segundo o relatório. E apenas seis dos 35 projetos de transporte público prometidos foram concluídos até o início do torneio.

"Eles disseram que a Copa do Mundo ajudaria o Brasil a dar um enorme salto em termos de transporte público, mas tudo que eles fizeram foram os estádios. A economia não está mais em uma grande fase, então não há garantia de que eles vão ser concluídos", declarou Somoggi.

Autoridades do governo têm afirmado que vão terminar o que começaram, mas nenhum dos 29 projetos que estavam inacabados em junho foram concluídos desde então. Cinco dos 29 projetos inacabados não foram tocados e em vários outros quase não existe trabalho.

O relatório do TCU, no entanto, destacou alguns pontos da realização do Mundial no Brasil.

"Merece destaque, ainda, o fato de parcela expressiva dos projetos encontrarem-se em avançado estágio de desenvolvimento ao tempo do torneio desportivo, o que torna inexorável a sua completa execução", disse o relatório.

"Sem dúvida alguma, a conclusão desses empreendimentos representará importante legado da Copa", acrescentou.

O Brasil também vai sediar os próximos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, em 2016. A cidade garante que os preparativos estão dentro do cronograma, embora existam preocupações sobre os locais de vela e golfe.


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