Sexta-feira, 19 de Abril de 2019
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O injustiçado

Ao CRAQUE, Gilmar Popoca 'abre jogo' sobre sua saída do Flamengo

Ex-craque e promissor treinador da base do Flamengo, o amazonense Gilmar Popoca fala com exclusividade ao CRAQUE sobre sua conturbada demissão da Gávea


27/08/2017 às 16:40

O Flamengo e o amazonense Augilmar da Silva Oliveira, o Gilmar Popoca, 53, sempre tiveram uma relação de muito amor e carinho. Ex-atleta rubro-negro de destaque nos anos 1980, Popoca chegou a ser apontado como substituto de Zico na Gávea.

Foram nove anos como atleta rubro-negro e após pendurar as chuteiras, Popoca retornou à Gavea como técnico das categorias de base. A nova passagem durou oito anos e terminou de maneira surpreendente para o medalhista de prata do Brasil nos Jogos de 1984. Há pouco mais de duas semanas Popoca foi demitido sem muitas explicações do clube que sempre amou e defendeu como poucos.

O CRAQUE conversou com Popoca, que se disse vítima de uma covardia por parte da direção da base rubro-negra. O treinador falou de seu futuro na profissão e avaliou a possibilidade de um dia trabalhar no futebol amazonense. Também não poupou críticas à política do clube e falou da jóia Vinicius Júnior, atleta o qual ajudou na formação.

O Flamengo tem por costume dar chances aos técnicos da base, foi assim com Carlinhos, Andrade, Jayme de Almeida e Zé Ricardo, mas também foi ingrato com praticamente todos eles. Como você analisa essa relação do clube dos os profissionais da base?

É uma relação muito estranha. Ele (Flamengo) sabe que no momento mais difícil que o clube atravessa no profissional ele sempre busca, principalmente, os atletas, aqueles que tem uma referência dentro do clube, que tem história dentro do clube e que normalmente dão resultado. O Zé (Ricardo) foi uma coisa atípica, uma coisa diferente, porque ele era treinador do Sub-20 naquela época e acabaram dando a oportunidade pra ele. Mas é muito estranho e difícil de explicar essa relação que a diretoria tem com os ex-atletas, com o pessoal que dá tanta vida, que se entrega tanto ao clube. Alguns como eu, o professor Carlinhos, o Jayme (Almeida), o Andrade e tantos outros que lutamos por essa camisa e jogamos e que honramos essa camisa. Depois, consequentemente, o professor Carlinhos, o Andrade e o Jayme puderam também dar essa retribuição também como treinador, não sei te explicar. É difícil explicar o inexplicável. Não sei o que passa na cabeça deles.

Quando jogador, você saiu de maneira meio conturbada do Flamengo, certo? Agora como treinador a história se repetiu. Tua relação de amor pelo Flamengo fica abalada com essa saída tão inesperada?

O amor sempre vai continuar, mas é lógico, sempre com suas reservas. Você investiu tudo aquilo na sua carreira dentro do clube como atleta e também teve momentos de tristeza na hora de sair. E depois, como treinador, de ter investido toda uma carreira, se formou, se qualificou, começou lá na Sub-13, passou pela Sub-17 e depois veio pra Sub-20, vem formando grandes atletas, fazendo um trabalho todo de crescimento dentro do clube, e, de repente, você é covardemente apunhalado pelas costas. Enfim, o amor permanece, mas um pouco mais, nem sei explicar, com um pouco mais de distância. Mas sempre existe (amor), o Flamengo é um clube apaixonante, mas vamos seguir a vida.

Voce acha que o vice-campeonato diante do Atlético-MG, pela Copa do Brasil Sub-20, dentro da Ilha do Urubu, influenciou de alguma maneira na sua saída?

Acho que não. A derrota pro Atlético Mineiro nos pênaltis não pode ser um dos pontos pra que eu seja demitido. Primeiro porque eu terminei a Copa do Brasil invicto e só perdi o título porque houve uma mudança no regulamento em que o gol fora de casa não prevalecia no jogo final. Então isso não procede. Outra coisa que na base, a prioridade não é vencer. O Flamengo tem metas e a meta é sempre chegar entre os primeiros e todos os campeonatos em que eu participei as metas foram cumpridas. Então não é por aí. Já que você trabalha na base, você tem que formar os seus atletas pra que no futuro eles cheguem no profissional de forma qualificada. Tenho estatísticas que provam o que digo. Como é que pode um profissional com um ano e meio na categoria ter tantos resultados positivos, estar formando grandes atletas, o próprio Vinicius Júnior, que de sete anos que ele tem de clube, praticamente cinco ele passou comigo. Não só o Vinicius, como o Paquetá (Lucas), o Matheus Sávio, e tantos outros atletas que ainda vão aparecer no profissional. É por isso que estou muito tranquilo em relação a isso. Foi uma ação covarde. Tem um grupo dentro do Flamengo, nas categorias de base, que não gosta dos ex-atletas. Eu sempre fui o ponto fora da curva deles, por ter qualificação, por ter formação acadêmica. Eles articularam muito bem, mas, faz parte da vida.

Já parou pra analisar teu futuro como treinador? Pensa em continuar como formador de atletas de base ou mira o profissional?

Sinceramente, não. Não pensei em nada ainda. Claro que a vida tem de seguir e realmente machucou muito. Não tenho porque mentir, não esperava. Fui surpreendido. A mágoa é muito grande, a tristeza também, mas tenho que reagir. É só questão de tempo. Preciso me reciclar um pouquinho, dar um tempo pra reorganizar minha cabeça e a vida vai seguir. Mas de imediato não tenho nada. Às vezes dá vontade de você chutar tudo pro alto. Mas vamos primeiro deixar a poeira baixar e relaxar um pouquinho a cabeça e a gente pensa no futuro.

Já pintou alguma proposta para assumir algum clube, mesmo na base?

Não tem como ter pintado qualquer tipo de proposta. Primeiro porque ainda estou vinculado (ao Flamengo), ainda vai haver a homologação da rescisão de contrato de trabalho. Mas existem alguns contatos, algumas pessoas que estão com interesse de buscar algo pra mim. Mas não tem nada definido, as coisas não aparecem da noite pro dia. Principalmente porque eu sou um cara que não tenho ninguém que agencie minha carreira ainda. Estou iniciando e se você já está com algum empresário ou já está trabalhando com ele fica mais fácil. Mas por enquanto não tem nada não.

Sem você no comando, o Flamengo perdeu a final do Carioca Sub-20 para o Vasco. Você acompanhou a partida, acha que a mudança no comando técnico influenciou na perda do título?

Lógico que influenciou. No primeiro jogo os garotos ficaram surpreendidos. Tem uma relação muito forte entre a gente. A equipe já tinha uma maneira muito definida de jogar, a gente tinha um relacionamento muito forte, muito intenso. Muitos desses atletas me conhecem desde a Sub-13. Foram atletas que subiram comigo, que cresceram comigo. Que ganharam títulos também na 13, na 17, e agora estavam comigo cumprindo esse último ciclo de categoria de base. Lógico que eles sentiram e o primeiro jogo foi crucial, principalmente porque foram dois jogos em que o Vasco criou toda a confusão em São Januário e a FERJ resolveu botar os dois jogos em campo neutro. E isso privilegiou quem criou o problema que foi o Vasco, e o Flamengo jogou duas vezes em campo neutro. No primeiro jogo não fez uma boa partida e acabamos perdendo, mas era um jogo importante porque te dava uma certa tranquilidade pro segundo. Não te dava uma garantia, mas te dava uma certa confiança. E no segundo, mesmo o Flamengo jogando melhor que o Vasco, o Vasco tinha uma tranquilidade e acabou que a garotada foi derrotada nos pênaltis.

Zé Ricardo acertou com o Vasco, você aceitaria proposta para trabalhar em São Januário?

Fiz uma história legal nas categorias de base. Pelos campeonatos nacionais eu ganhei respeito das outras equipes e dos treinadores pelo trabalho que eu vinha exercendo no Flamengo. Sou um profissional, se aparecer qualquer clube interessado e não importa que seja o Vasco ou qualquer outro adversário lógico que eu aceitaria porque afinal de contas é uma oportunidade e tenho de seguir minha carreira. Posso até lembrar que na época que saí do Flamengo, o Botafogo abriu as portas pra mim. Então a gente tem de seguir a carreira, e se é isso que quero não tem porque não aceitar.

Alguma vez já analisou a chance de trabalhar como técnico no Amazonas?

A gente nunca descarta qualquer possibilidade, já que estou iniciando uma carreira, se eu realmente pretendo continuar, espero começar primeiro por aqui (Rio de Janeiro). Não que eu descarte a possibilidade de um dia eu treinar um clube do Amazonas. É só questão de tempo mesmo e tudo pode acontecer, mas pra isso você tem de estar motivado, você tem de estar certo do que você quer. Primeiro eu prefiro esperar um pouco pra ver o que vai acontecer e qual o caminho que eu deva seguir

O Vinicius Júnior é a maior revelação do Flamengo desde Zico? Quais atletas que você treinou ainda podem despontar no cenário nacional?

Foram vários, muitos jogadores da Sub-17, Sub-15, Sub-20 que foram revelados, não por mim, mas participei da formação deles. É bom que fique bem claro que não fui eu sozinho, existem outros professores na base que fazem o mesmo papel. O Vinicius Junior é um atleta que dos sete anos em que eles está no Flamengo, ele chegou em 2010, quase cinco anos ele ficou comigo. Tenho um percentual grande na formação dele. O Paquetá também foi meu atleta, o Matheus Sávio já foi agora com 18 pra 19 anos. Têm outros atletas que futuramente estarão no profissional como o Jean Lucas que chegou pra mim com 16 pra 17 anos. O Clebinho, que já foi jogador de Seleção Brasileira, o lateral-direito. O Wesley, que é da Seleção Sub-17 também, foi campeão Sul-Americano. O Lincoln, que é um atleta que chegou pra mim com 13 anos. São muitos atletas. Posso garantir que atletas nascidos até 2002, que estão beirando a Sub-15, esses atletas eu tive participação na formação deles, com muito orgulho. Fico feliz com a evolução e com certeza o Flamengo, no futuro, têm gerações de muita qualidade.

O Flamengo enxugou suas dívidas mas a politicagem parece ainda reinar no clube. Quando você pensa que isso vai acabar?

Falar de política é difícil. Sei que é um clube muito grande, é um clube que todo mundo quer estar à frente dele. É um clube que se reestruturou economicamente, mas a politicagem nunca vai acabar. Só me decepcionei muito com as avaliações que eram feitas pela direção do clube, quando eu conversava com todos, o presidente, o vice, diretores de futebol, e de todas as avaliações, as minhas eram as melhores. Depois que aconteceu essa covardia, esse esquema por trás do diretor da base (Carlos Noval) com alguns integrantes da comissão e coordenação do clube (entre eles Léo Inácio). Fiquei muito triste como a diretoria principal. Me tratou com a frieza, dizendo que foi uma determinação do departamento de futebol. Mas é difícil, política vai existir sempre e é complicado falar. Nem me meto porque aí tem muitos interesses e não cabe a mim ficar fazendo qualquer tipo de avaliação.

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