Quinta-feira, 26 de Novembro de 2020
Encontro providencial

Goleira do Iranduba elogia 3B por abrir portas para o Brasileiro

Goleira do Iranduba fala ao CRAQUE como o 3B abriu as portas para que ela pudesse brilhar no Campeonato Brasileiro



120811080_10224198013202563_4389758308381212060_o_E12EE8EB-5323-4AE4-A7FE-4BBD755C402B.jpg Foto: João Normando
04/10/2020 às 15:15

Nos últimos três jogos do Brasileiro Feminino, as goleiras do Iranduba foram peças importantes fazendo grandes defesas. Em dois destes jogos, Stefane entrou em campo e se destacou até mais do que o placar do jogo propriamente dito. Por causa do rodízio que a equipe amazonense tem feito na competição, a defensora de 21 anos foi titular apenas contra o Corinthians, mas com a expulsão de Sol ainda no primeiro tempo do jogo contra o São Paulo, ela precisou assumir as luvas.

Até fez boas defesas no primeiro tempo, mas foi no segundo que ela se consagrou operando defesas de chutes de média, longa distância, à queima roupa de mão trocada e até um lance onde tirou a bola da cabeça da atacante do São Paulo que estava pronta para marcar a partida, um típico caso de estar no lugar certo na hora certa. Aliás, essa expressão poderia facilmente ser usada para definir como a goleira chegou ao clube do 3B e, consequentemente, ao Hulk.



No ano de 2018, quando o presidente da Fera da Amazônia, Bosco Brasil Bindá, estava montando o plantel para a disputa do Campeonato Amazonense Feminino, Stefane estava nos planos para integrar a equipe, mas com a ida acertada para o Flamengo/Marinha, a jogadora declinou do convite. Dois anos depois, com as voltas que o futebol dá, quem entrou em contato com a direção do clube foi a própria jogadora.

“Em 2018 quando o 3B foi estrear no estadual contra o meu rival, Iranduba, eu procurei a Stefane e fiz o convite pra ela. Na época ela estava na Seleção Sub-20 e não deu certo porque ela teve outros compromissos. Há um mês e meio atrás, eu tive a ótima informação de que ela estava disponível no mercado e tinha interesse em vir para o 3B. Eu na hora verifiquei e contratei e digo, com muita felicidade, que ela está fazendo essas grandes partidas e fico muito feliz com as atuações dela. Ela treina bastante e vale ressaltar que tava parada e, está há praticamente, um mês treinando. É uma gigante!”, disse o mandatário da Fera.


Foto: João Normando

No 3B, a goleira, que é do Rio de Janeiro, disse que se encontrou já que a comissão confiou no seu potencial.

“Dos times que eu passei nunca acreditaram de verdade no meu potencial, e eu precisava de uma equipe que acreditasse em mim, e o iranbuda/3b é uma equipe que conta comigo, que precisa de mim e que me apóia demais. Isso me ajudou bastante pra ter confiança e ver que eu tenho companheiras que confiam. Sou uma pessoa que eu me dedico em tudo: seja na alimentação, nos treinos, tudo. Porque eu quero ser a melhor um dia, mas sei que eu preciso trabalhar muito, mas muito pra isso acontecer. Quem vive comigo, quem tá do meu lado sabe o quanto eu já sofri por diversas coisas no futebol, mas nunca abaixei a cabeça pra nada”, disse a jogadora destacando a união com as outras duas goleiras, a venezuelana Yesica e Sol.

Sem parar

Aos 21 anos, Stefane está fazendo faculdade nos Estados Unidos, onde cursa Sport Management (ou Gestão Esportiva), em New Rochelle, Nova York, e jogando o torneio das universidades, o College, o time dela, o Monroe Mustangs, foi segundo colocado na competição nacional e a arqueira eleita a melhor da competição. Neste ano, por conta da pandemia, a jogadora acabou ficando parada e começou a treinar por conta própria em casa.

“Minha irmã joga no Grêmio (a zagueira Andressa), então ela sempre tinha os treinos dela e os preventivos de lesão e tudo mais. Eu fazia tudo com ela pra manter o físico e corria na rua todo dia, exceto domingos. E treinos de goleiro, eu montava os treinos e minha irmã me ajudava. Treinei bastante desse jeito, eu, minha irmã e a Luana Grabias. Treinávamos nós três juntas pra manter a forma”, contou.

Após sete meses treinando apenas em casa e longe dos campos, Stefane, por conta própria, começou a ir atrás de times onde pudesse jogar. Foi aí que surgiu a oportunidade de vir para o 3B. Na Fera não apenas surgiu a chance de jogar a Série A1 - O 3B disputa a Série A2 - como também de mostrar o potencial dela já que no Flamengo, Internacional e nas Seleções Sub-20 e Sub-17 ela foi reserva. O último time que Stefane entrou em campo como titular foi no Vitória de Santo Antão, onde atuou em 2017.

“Eu fui jogar os últimos quatro, cinco jogos no Vitória, eles estavam em uma situação ruim e precisavam de goleira, aí eu fui pra lá no final, Mas quando cheguei lá fui titular”, explicou a arqueira que ajudou o time a permanecer na primeira divisão naquele ano.

“Os treinamentos aqui são ótimos. Nós somos unidas, independente de quem tá jogando, uma apoia a outra. Está sendo uma passagem maravilhosa, eu venho fazendo ótimos jogos. Fiz três partidas boas. Infelizmente, o resultado não veio ainda, mas tenho certeza que tá chegando o momento. Nosso time tá melhorando a cada jogo, tá evoluindo a cada partida e disputar a Série A1 é ótimo porque a gente está pegando ritmo pra fazer uma ótima Série A2 e concluir o objetivo que é brigar pra ser campeão e subir pra série A1 ano que vem”, disse a jogadora que deve voltar para os Estados Unidos em janeiro do ano que vem para retomar os estudos.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.