Sábado, 20 de Abril de 2019
publicidade
1210696.jpg
publicidade
publicidade

São Raimundo

Goleiro do São Raimundo conta como superou dificuldades para vestir a Camisa do Tufão

Único jogador que vem tendo ‘refresco’ da torcida, Mazon é um dos remanescentes no Tufão e conta que realiza um sonho jogando no clube de coração


03/04/2017 às 05:00

Em um campo de terra batida no Santo Antônio, o São Raimundo treina sob um sol escaldante. Em um canto, os goleiros fazem a sua preparação, um deles é Moizaniel Lopes, 30, mais conhecido como Mazon. Só com meiões, ele faz a sua atividade. Com um sorriso no rosto ele fala que  vestir a camisa do clube é a realização de um sonho de criança.

“Eu passei pela base do São Raimundo em 2000 quando era campinho de barro e eu tinha um colete amarelo com o escudo do São Raimundo, o goleiro era o Iuna. Aí eu disse para um colega ‘um dia eu vou treinar aí (entre os jogadores do time principal)’”, declarou.

A realização deste sonho ficou evidente na expressão do arqueiro no dia do primeiro jogo do Tufão pelo Campeonato Amazonense já que o jogador era um dos mais empolgados. Beijava o escudo do clube alviceleste. Durante o jogo apesar das defesas que fez, Mazon levou dois gols, mas diferente dos outros jogadores teve seu nome gritado pela torcida que compareceu ao estádio da Colina. Ao fim do jogo, os familiares tinham a mesma alegria. “Quando eu peguei o meu celular no vestiário tinha uma mensagem da minha irmã ‘nossa tu tava na televisão’. Elas pararam de trabalhar. Minha mãe fechou o açougue pra me ver jogar. Todo mundo parou o que estava fazendo”, conta orgulhoso.

Mas o sonho de Mazon não está se realizando nos melhores cenários: onze gols sofridos em quatro jogos, protestos da torcida, treinos em campo de terra batida, mas ele não perde a fé. “Enquanto eu estiver vivo vou lutar para as coisas acontecerem. Se no passado as coisas não deram certo foi porque Deus quis que eu passasse pelas dificuldades para aprender”.

Se dificuldade para Mazon é um aprendizado, pode-se dizer que na vida ele aprendeu muito. Nascido em Pindaré Mirim, interior do Maranhão, ele, a mãe e quatro irmãos vieram fugidos do pai que não aceitava o fim do casamento e ameaçou a família de morte. Em Manaus, morando no bairro Novo Israel e posteriormente na Redenção, ele conta que passou por muitas dificuldades até que surgiu o futebol. “Eu comecei a jogar na base dos Atletas de Cristo. Eu disse que queria jogar bola e meu irmão mais velho disse que ia reparar carro pra me ajudar com o dinheiro do ônibus. Eu vi ele morrer quando eu tinha 12 anos e o que eu posso fazer é retribuir pra ele aqui. Tô tentando, né”.

Do atletas de Cristo, Mazon passou pelas bases de Clipper, Sul América, São Raimundo, tarumã até que começou com o tour pelo interior do Amazonas. Entre os muitos municípios, veio a oportunidade de jogar em Fonte Boa, convidado por Lúcio Braga, que trabalhou com ele ainda no Atletas de Cristo. Com o convite para o Tufão, a parceria continuou.

Na última semana muitos jogadores foram embora, mas Mazon continuou espera ajudar a reverter a situação do time. “Para a gente reverter esse placar a gente tem que jogar e se unir. Os torcedores estão cobrando para nos incentivar. Eu quero jogar para que possam ver que a gente tá fazendo as coisas com amor”.

 

publicidade
publicidade
Homem com tornozeleira eletrônica é morto a tiros por dupla no São Raimundo
Vila Olímpica recebe mais uma etapa do Estadual de Tênis de Mesa
publicidade
publicidade
publicidade
publicidade

publicidade
publicidade

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.