Sábado, 16 de Novembro de 2019
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‘Guerreiros do Futebol Baré’: Conheça a história do lateral do Rio Negro-AM, Carlinhos

De uma partida do Peladão para o Grêmio de Porto Alegre: foi meteórica a ascensão do jogador amazonense no futebol brasileiro.



1.jpg Fora de campo: Carlinhos tem uma lan louse no bairro Parque São Pedro, Zona Norte.
10/02/2015 às 09:26

De uma partida do Peladão para o Grêmio de Porto Alegre: foi meteórica a ascensão de Carlinhos no futebol brasileiro. De lá pra cá, jogou pelo Bahia, onde atuou na lateral oposta a de Daniel Alves, hoje no Barcelona. “A gente tinha muita afinidade, conversava muito”, lembra o lateral esquerdo do Rio Negro, quarto personagem da Série “Guerreiros do Futebol Baré”, todos os domingos, no CRAQUE.

Natural de Autazes e radicado em Manaus, no bairro Beco do Macedo, Carlinhos voltou ao seu estado natal em 2004 e jogou pelo Nacional, Libermorro, São Raimundo, Fast, Princesa e Manaus. Mas foi no América, de Amadeu Teixeira e Sérgio Duarte que o jogador viveu seus momentos mais memoráveis no futebol.



Segundo o jogador de 30 anos, que já conquistou até título internacional jogando pelo juniores do Bahia (Torneio de Marselha, na França, em 2003), foi o América de 2010 que lhe causou maior orgulho pela conquista, em campo, do vice-campeonato brasileiro da Série D naquele ano, revertido mais tarde na justiça desportiva por causa de uma escalação irregular.


“De todos, foi o mais importante, em termos de conquista, em termos de busca pessoal”, diz ele, que cita a superação das dificuldades pelas quais passava o time como principal componente do orgulho que ele diz e demonstra ter. “Éramos os filhos de Seu Amadeu”, diz ele, com carinho, em referência ao dirigente que foi treinador do time por 50 anos.

“Nosso time foi crescendo de acordo com as dificuldades”, diz o jogador, lembrando especialmente dos problemas de falta de campo para treinar e da falta de uma logística que permitisse ao time viajar todo junto. “Íamos de dois em dois, três em três, acho que por causa das passagens. Perdemos alguns vôos assim”, recorda.

O incentivo, no entanto, era justamente superar os obstáculos impostos pelo acaso a um time que tinha tudo para ser eliminado nas primeiras fases da Série D, mas que, dentro de campo, alçou um voo jamais igualado por nenhum outro time local, com exceção do São Raimundo de 1999. “Um time de guerreiros”, define Carlinhos, orgulhoso daquela campanha.

“Os atletas daquele time nunca chegaram tão longe. Seu Amadeu sempre acreditou no América, mas acho até que ele se sentiu surpreso de chegar onde chegou. O orgulho que a equipe deu pra ele, depois de tantos anos de sofrimento. O América não merece não estar em inatividade, por tudo isso que conquistou”, lamentou, por fim, o jogador.

Para a temporada de 2015, Carlinhos, um dos mais experientes em uma equipe formada em grande parte por jovens promovidos das categorias de base do clube, prevê um campeonato competitivo e se mostra entusiasmado para o início da temporada. “Este ano vai ter calendário (o ano todo). O campeonato vai ficar melhor”, comemora.


Homem de família
Casado com a designer Simone, com que tem o filho Saulo Alexandre, de cinco anos, Carlinhos é um cara-família. Membro da Assembleia de Deus e orgulhoso de sua fé, faz questão de mostrar para a reportagem do CRAQUE uma foto sua em emocionado testemunho na igreja.

Mas como também nem só de pão vive o homem, além das atividades como atleta do Rio Negro e da relação estreita com a igreja, que Carlinhos diz ter “desde sempre”, o jogador usa as horas vagas para tocar um negócio próprio no bairro: uma lan house no Parque São Pedro, onde mora.

Formado em montagem e manutenção, investiu no negócio, que lhe rende tanto quanto o futebol, com o adicional de ser durante o ano todo. Mas o curioso dessa história é que o jogador, que também ganha algum trocado com edição de vídeo, começou sua relação com computadores por causa do futebol. Como assim? Deixamos que ele explique.

“Em 2004, quando vim pro Nacional, não tinha segundo semestre no futebol amazonense. Então comecei a trabalhar tirando xerox e aí fiz um curso de montagem e manutenção. Aí fui começando a fazer edição em paralelo para editar meus lances e foi surgindo a curiosidade de aprender mais sobre computador”, revelou.


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