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Historiador amazonense recria uniformes dos primeiros clubes do futebol ‘baré’ em projeto

Francisco Carlos Bittencourt reproduziu à mão centenas de uniformes de times antigos. O resultado é um show de estilo e muitas cores 28/09/2014 às 17:35
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Reportagem do CRAQUE desvenda como eram os primeiros uniformes dos clubes do futebol do Amazonas
Felipe de Paula Manaus

No universo do futebol, a camisa é, ao lado do escudo, a expressão máxima da identidade de um clube. Quando contratado, o jogador veste o uniforme do time para simbolizar a união recém celebrada entre ele, o clube e a torcida. Aliás, a expressão “vestir a camisa”, de tão significativa na cultura da nossa “pátria de chuteiras”, como definiu Nelson Rodrigues, hoje qualifica aquele indivíduo que se entrega, com amor e dedicação, corpo e alma, a alguma atividade, seja esportiva ou não.

Como no mundo da moda, a indumentária dos jogadores de futebol tende a se renovar, no entanto, sem deixar de fazer constantes referências ao passado, mantendo a tradição das cores e das formas que inspiraram e vestiram a torcida em outras temporadas. “A moda está sempre em busca do passado”, explica o estilista - e rionegrino de coração - Bosco Ferreira.

Ao longo dos anos, porém, essas renovações acabaram criando referências de época e estilo. A influência das cores e formatos das camisas, impulsionados pela paixão brasileira pelo futebol, acabam marcando um período no tempo, lançando moda e, sobretudo, fazendo história.

No Amazonas, não é diferente. Para o historiador Carlos Bittencourt, falar dos uniformes dos clubes amazonenses é falar também da própria história do futebol no Estado. Há anos, ele é um incansável pesquisador do assunto, a ponto de dedicar dias inteiros de trabalho para um projeto de causar inveja a qualquer estudante de design, moda ou amante da história do futebol bretão em terras amazonenses.


Carlos Bittencourt reproduziu a mão centenas de uniformes de times antigos. Foto: Antonio Lima

Cores da história
A fim de contar a história dos times do Amazonas por meio dos uniformes que lhes identificavam, ele reproduziu a próprio punho as camisas mais representativas de times dos clubes de futebol do Estado, num exaustivo porém não menos recompensador trabalho de mais de dois anos.

Por meio de fotos, relatos e da própria memória, Bittencourt reconstituiu centenas de uniformes de times amazonenses datados desde o início do século passado, quando o futebol começou a ser praticado na então pacata e charmosa Manaus no fim da época da borracha.

Guardado a sete chaves, o arquivo tem reproduções raras, como a primeira camisa do Rio Negro, de 1913, além de uniformes de clubes que já nem existem mais, como o Manaus Sporting Club e o Brasil foot-ball club.

Com data e vigência devidamente identificadas, os desenhos são um rico relato da evolução estética das camisas de clubes locais. “Não deixa de ser uma moda, e essa moda sempre vai chamar atenção. A camisa é a pele do clube”, poetiza o professor.

Craque em campo
Inspirados no trabalho do professor Carlos Bittencourt, o CRAQUE também decidiu entrar em campo e convocou o talentoso artista gráfico Thiago Rocha para entrar no jogo. Acima, Thiago reproduziu, à sua maneira, os uniformes de cinco clubes que já não desfilam pelos campos do futebol baré, mas que marcaram história em campos como o Parque Amazonense e, mais tarde, no Estádio Vivaldo Lima.

Do campo pra rua
Antes usadas só por atletas, as camisas de time também foram cada vez mais sendo incorporadas à cultura de vestimenta da sociedade. Tanto que até as mulheres, sempre atentas às tendências, hoje passaram a vestir os uniformes dos times que gostam, e modelos femininos para as torcedoras foram e estão sendo criados.

O estilista Bosco Ferreira conta que as alterações nos materiais utilizados nos uniformes, em especial para facilitar o desempenho dos atletas, mas também por razões estéticas, causou alterações significativas nos modelos clássicos mais clássicos.

“Há inovações importantes em termos de materiais e em termos de design”, diz ele, contando nunca ter tido a oportunidade de criar um modelo de uniforme para um clube amazonense. “Mas adoraria”, diz ele, que, por outro lado, pensa em realizar uma projeto na área. “Pretendo lançar uma coleção em 2015 inspirada nos uniformes de futebol”.

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