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Esportes
A voz do comandante

Homem de confiança de Tite, Renato Augusto fala com exclusividade

Meio-campista é a voz do novo técnico da Seleção Brasileira dentro de campo; líder nato, o jogador é um dos símbolos das mudanças feitas pelo treinador no time Canarinho 11/09/2016 às 05:00
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De volante a armador, Renato Augusto é um dos homens de confiança na Seleção (Foto: CBF)
Denir Simplício Manaus (AM)

A voz do técnico dentro de campo. Essa é uma das funções do meia Renato Augusto na Seleção Brasileira, agora sob o comando de Tite. A parceria que vem desde os tempos de Corinthians segue dando certo agora no time Canarinho. Foi assim nos dois jogos de estreia do treinador à frente da equipe, nas Eliminatórias. Aos 28 anos, o jogador tem a total confiança de comissão técnica e companheiros de elenco e se tornou peça fundamental na nova fase da seleção pentacampeã mundial.

Homem de confiança de Tite, Renato Augusto é um dos líderes da nova Seleção e ganhou elogios por suas boas apresentações contra Equador e Colômbia, pelas Eliminatórias. Cria do Flamengo, o jogador já desfilou seu futebol em todas as seleções de base do Brasil antes de chegar na principal. Em conversa exclusiva com o CRAQUE logo após a vitória sobre os colombianos, na Arena da Amazônia, o jogador foi humilde e apontou o novo técnico como grande responsável pela mudança de atitude com a Amarelinha.

“Primeiro, que tem o mérito do Tite e do Staff todo porque deram todo um material já mastigado pra gente. E em segundo, tem o mérito dos jogadores de terem entendido e terem comprado a ideia. Acho que um grande time se forma um grande grupo e está se formando um grande grupo, e juntos vamos poder chegar à classificação, que é o nosso grande objetivo”, pontuou.

Caminho

Convocado pela primeira vez para a Seleção por Mano Menezes, Renato Augusto estreou com a Amarelinha em 2011, num amistoso contra a França. Esquecido por Felipão, o meia só voltou a vestir a camisa verde-amarela em 2015, quando Dunga o convocou já com o intuito de buscar um líder em campo. Convocado por Rogério Micale como um dos três atletas acima dos 23 anos para conquistar o inédito ouro Olímpico, Renato teve pouco tempo para se adaptar a mudança da Seleção Olímpica para a 
principal.

“É difícil você ficar trocando muito porque você tem pouco tempo pra trabalhar. Se você trocar muito os jogadores é difícil depois a gente começar a entender. Na Olímpica (seleção) o Douglas (Santos, lateral-esquerdo) gosta de receber a bola mais na frente, aqui (Seleção principal) o Marcelo quer a bola no pé”, revelou o jogador, lembrando um lance do jogo contra a Colômbia como exemplo. “No primeiro passe, eu fui dar pra ele (Marcelo) na frente e a bola saiu. Eu falei: ‘já entendi. Ele que a bola no pé’. São pequenas coisas que a gente tem que ir adaptando e adaptar rápido, porque não temos tempo”, analisou.

Polivalente

Poucos vão lembrar mais Renato Augusto já havia atuado em Manaus, num amistoso contra o Fast em 2006. Revelação do Flamengo, o meia entrou no segundo tempo e marcou belo gol de falta na vitória rubro-negra por 3 a 2. Jogador polivalente, certa vez o meia disse: "Eu era um 10 clássico quando subi para o profissional no Flamengo, mas percebi que aquela figura estava desaparecendo do futebol”, profetizou o atleta que alterna as funções de volante, meia de armação e até de atacante.

“Sempre que posso chego ao ataque. É claro, tenho a obrigação também de pensar com muita calma e não arriscar todas (subidas) porque é o lado do Marcelo, e ele sai bastante... é característica dele que é avançar. Também é o lado do Neymar, que é um lado de flutuação, então ele nem sempre consegue compor. Por isso eu tento dar essa sustentação ao Marcelo para que ele possa sair com qualidade e, claro, quando tiver uma brecha eu vou pra ser o elemento surpresa”, explica Renato Augusto comentando um lance contra os colombianos em que teve boa chance de marcar. “Quase fiz o gol. Então tenho de escolher a bola certa. Acho que nesse momento eu ainda estou conseguindo escolher as bolas certas. Espero manter esse nível pra poder ajudar”, disse.

Sem oba oba

Para se analisar o tamanho da mudança de ambiente na Seleção com a chegada de Tite é necessário avaliar o fator vitória. Os triunfos sobre Equador e Colômbia, pela sétima e oitava rodadas das Eliminatórias, ajudaram em muito na mudança de clima no time verde-amarelo. No entanto, Renato Augusto aponta que o técnico Tite quer muito mais que vencer, o novo comandante do Brasil quer resgatar o bom futebol da equipe.

“Claro que o resultado ajuda bastante. Dá um pouco mais de confiança. Mas, jogar bem é uma coisa que o Tite pede muito, independentemente do placar. Ele pede pra jogarmos bem pra poder alcançar o objetivo que é merecer vencer. E acho que nos dois jogos nós merecemos a vitória, jogou bem e por isso vencemos”, 
revelou.

Uma das provas de que Renato Augusto é uma das vozes de Tite dentro a Seleção é comprovada na avaliação sobre a apresentação da equipe em Manaus. Assim como o treinador, o meia apontou falhas do time que só poderão ser concertadas com o tempo e treinamento.

“Temos de manter os pés nos chão. Falhamos numa bola parada que a gente não pode errar e isso é uma coisa que temos de bater. Isso é natural por que tivemos pouco tempo pra trabalhar. Pela primeira vez o Tite implantou a forma dele de marcar a bola parada. Achei que contra a Colômbia foi muito um jogo de xadrez, a gente tinha de neutralizar o ponto forte deles”, disse o meia, explicando como Tite montou a estratégia para vencer a Colômbia em Manaus.

“Sabíamos da qualidade que o James (Rodrigues) tem. Depois que o Cuadrado entrou, tive uma preocupação maior até com o Marcelo, de poder ajudá-lo e auxiliá-lo naquele momento. Acho que a gente conseguiu neutralizar o lado direito (da Colômbia), e com os jogadores de frente que temos uma hora a bola ia chegar e eles iriam concluir. São jogadores acima da média e temos a obrigação de jogar a bola pra eles”, comentou Renato Augusto.
 

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