Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
Em Costa Rica

Indígenas do AM conquistam medalhas no 23º Pan-Americano de Tiro com Arco

Em performance histórica, os jovens indígenas alcançaram ouro, prata e bronze em competição realizada na Costa Rica. Eles fazem parte do projeto “Arquearia Indígena do Amazonas”



04d44593-3436-45c8-9e4e-e7f0461479db.jpg (Foto: Divulgação)
03/06/2016 às 16:14

Em uma performance histórica, jovens indígenas do Amazonas alcançaram ouro, prata e bronze no 23º Pan-Americano de Tiro com Arco, realizado na Costa Rica, entre os dias 23 e 30 de maio. Os atletas fazem parte do projeto “Arquearia Indígena do Amazonas” e trouxeram seis medalhas para o Estado em sua primeira participação na competição internacional.

No Pan-Americano, o projeto, que tem o apoio do Governo do Amazonas, esteve representado por três atletas, que compuseram a equipe brasileira. Ao todo, o Brasil, que também teve na disputa competidores do Rio de Janeiro e São Paulo, trouxe 19 medalhas para casa.

Entre os destaques da equipe está Drean Braga, que também atende pelo nome de “Iagoara”. Na competição, ele conquistou duas medalhas de bronze e uma de prata, sendo o maior medalhista da equipe. O atleta da etnia Kambeba começou a treinar há apenas dois anos no projeto “Arquearia Indígena”, da Fundação Amazônia Sustentável (FAS).

“Eu treinei muito para superar meus limites todos os dias e fazer bonito na competição. O resultado do meu trabalho agora está pendurado no meu peito trazendo muito orgulho para mim e toda a minha família e equipe”, explica o ribeirinho de 19 anos, que cresceu em uma comunidade a 60 quilômetros de Manaus, na margem esquerda do Rio Negro.

Além dele, também receberam medalhas os atletas Nelson Silva, de 16 anos, da etnia Kambeba, e Gustavo dos Santos, de 19 anos, da etnia Karapanã. A equipe amazonense é composta ainda pelos arqueiros Gibson dos Santos, 24, Jardel Gomes Cruz, 19, e Graziela Paulino, 20. Em julho, os competidores devem participar de um novo evento, desta vez na Argentina.

Paciência e insistência

Diretor técnico da Federação Amazonense de Tiro com Arco e técnico da Arquearia Indígena, Aníbal Fortes conta que muita gente acha que a origem indígena é uma vantagem para ingressar no esporte. "Eles têm um gosto pela prática do esporte, e isso é o mais importante. Não a técnica, porque eles têm que reaprender totalmente. O pessoal comenta que eles têm vantagem por já terem praticado quando jovem, mas essa vantagem não existe. Os arcos são totalmente diferentes", explica Aníbal.

O gosto dos jovens indígenas inscritos no projeto pelo arco também ajudou porque, em nível esportivo, a modalidade requer paciência e insistência. "O mais importante do tiro com arco é a constância. O atleta tem que executar o movimento de formas exatamente iguais todas as vezes que praticar o tiro. Isso não acontece com o tiro nativo, porque uma vez ele está agachado, outra está em pé, outra, abaixado", conta Aníbal.

Rotina pesada

Em sua preparação para as competições internacionais, os atletas do tiro com arco do projeto treinam sete horas diariamente, além de manter em dia a vida escolar. Em um dia de treino, eles chegam a disparar 300 a 400 vezes no alvo que fica a 70 metros de distância. Nem sempre é possível acertar o centro, mas errar o alvo como um todo é considerado um erro grosseiro.

A preparação inclui ainda exercícios aeróbicos e natação para melhorar a respiração, a postura e a circulação sanguínea, detalhes que ajudam a manter a mira mais estável na hora de se posicionar. "O batimento cardíaco tem que ser o mais baixo possível para não afetar a precisão", explica o treinador.

*Com informações da assessoria de imprensa

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