Quarta-feira, 16 de Outubro de 2019
MMA

Inspiradora, Anne teve a história contada em curta-metragem premiado na Coréia

Primeira lutadora transexual brasileira a lutar com homens, Anne Veriato foi atriz principal do seu próprio curta-metragem. A produção fez parte de uma campanha publicitária premiada no Festival AD Stars



ANNE_WINNETOU_2_0F31003F-D305-49DE-8DDF-8C5A2E1ECDA7.JPG Foto: Winnetou Almeida
15/09/2019 às 13:30

No Brasil, o futebol ocupa o posto de principal esporte do país há décadas. Mas se tratando de Amazonas, esqueça o jogo da bola, traves e ‘canetas’. Nosso estado é, mesmo, um dos polos mundiais da luta. De José Aldo a Wallid Ismail, amazonenses viajam de Norte a Sul do globo terrestre para representar o lugar onde nasceram. E os prêmios não se restringem às conquistas no ‘cage’.

Natural de Manaus, Anne Veriato fez história em 2018, quando se tornou a primeira lutadora transexual brasileira a lutar com homens. Na ocasião, a amazonense venceu Raílson Paixão, no Mr. Cage 34 - maior evento não-televisionado de lutas do Brasil -, por decisão unânime dos árbitros. Desde lá, foram mais dois confrontos com Anne levando a melhor em ambos. E não é só o cartel de 3-0 que explica tanto sucesso. 



Registrada como homem, Anne iniciou seu tratamento hormonal aos 12 anos de idade. Superou preconceitos, iniciou no jiu-jítsu, cresceu no mundo das lutas e construiu uma história digna de filme. Assim como Ronda Rousey, um dos maiores nomes da luta feminina, a lutadora amazonense foi personagem principal de obra da sétima arte. Mas diferente do papel de outras artistas, Anne precisou ser, somente, ela mesma nas telonas.

Digno de prêmio

Com uma história inspiradora, Anne foi convidada a fazer parte de uma campanha publicitária da ForceField - empresa brasileira de protetores bucais. Buscando combater o preconceito e o grave problema social dos crimes contra pessoas transexuais, a marca exibiu, em parceria com a Madre Mia Filmes, um curta-metragem contando a história da lutadora em pontos de São Paulo onde agressões a transexuais ocorreram.


Os protetores fizeram parte da campanha premiada em Busan. Foto: Winnetou Almeida

Impactante, a ação recebeu o prêmio Crystal, no Festival AD Stars 2019, que aconteceu em Busan, na Coréia do Sul. Conquista que equivale aos anúncios de vitória nas lutas. “Estava ansiosa, então quando soube que havíamos vencido pulei de alegria, chorei de emoção e liguei para os meus familiares. De tantas histórias legais, a minha ser reconhecida para ganhar o prêmio foi inacreditável”, comentou a lutadora Anne Veriato.

Foi com o auxílio, especialmente da mãe, que Anne conseguiu a força para superar os preconceitos de terceiros. “Graças a Deus a minha mãe é muito ‘mente aberta’. Além da minha treinadora que também ajudou muito. Tendo essas pessoas ao meu lado era suficiente. Foi bem natural. Tinha apenas que ser forte e não ligar para quem não conheço”, afirmou a amazonense, que também divide tatame com os homens nos treinos.

Do início aos duelos com homens

Praticante de esportes desde pequena, Anne iniciou seu caminho nas lutas através do jiu-jítsu. E foi como amor à primeira vista. “Sempre gostei muito de esporte, de lutas e tudo mais. Então pedi a minha mãe para me inscrever numa academia. Ali eu me apaixonei pelo jiu-jítsu, nem queria mais voltar para casa. Treinava e pedia para ficar lá. É o que eu adoro e nasci para fazer”, brincou Anne, que, hoje, com 22 anos de idade, já se estabeleceu no cenário do MMA.

Com três vitórias em três lutas, a lutadora está invicta. Por achar injusto lutar com mulheres, a amazonense pretende seguir no naipe masculino. “Lutar com homens é um desafio. Já tomo hormônios femininos que me fazem perder a força. Mas é desse desafio que eu gosto. Alguns quando sabem que vão lutar comigo já ficam nervosos. Outros não querem perder de jeito nenhum”, contou a lutadora, que disse se sentir tranquila em relação os resultados em cada luta.

Câmera! Ação!

O UFC já viu algumas de suas lutadoras se aventurarem no cinema. As americanas Ronda Rousey - a exponente mundial do MMA feminino - e Gina Carino já participaram até de um filme da grande série ‘Velozes e Furiosos’. E depois de Anne fazer seu próprio papel, a história de vida da lutadora rendeu novas propostas. Mas dessa vez, a obra é um pouco mais longa e vai para as telonas convencionais.

“Vou gravar um filme para o cinema mesmo. A produtora se interessou pela minha história, soube do prêmio e a equipe deve vir a Manaus para gravarmos aqui. É o que posso adiantar”, revelou Anne Veriato, que poupou detalhes por conta de a obra ainda estar no processo inicial de produção. Um dos cenários de filmagem deve ser uma luta na cidade do Rio de Janeiro.

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Repórter de A CRÍTICA

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