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Investimentos, contratações, leilão de jogadores: conheça o 'mercado da pelada'

Com um dos mais fortes circuitos de futebol amador do mundo, Manaus vive fenômeno de "profissionalização do amador", onde jogadores ganham pra receber, alguns até melhor do que no profissional 16/03/2015 às 20:51
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Campeonatos com o Peladão geram renda para os craques, que são disputados pelos times maiores
Felipe de Paula Manaus (AM)

Manaus possui um dos mais fortes circuitos de peladas do mundo. Propulsor desse movimento, o Peladão é importante traço cultural na cidade e mobiliza centenas de times todos os anos. É conhecido por revelar talentos e acolher veteranos do futebol profissional. Hoje, aponta um caminho próprio, um crescimento que tem acompanhado o desenvolvimento econômico da cidade.

Juntos, os campeonatos amadores envolvem milhares de pessoas, entre jogadores, comissões técnicas, dirigentes, torcidas, patrocinadores. Movimentam dinheiro e geram ocupação, já que, além dos comerciantes locais, lucram também os jogadores, que hoje chegam a receber para vestir a camisa de um clube, numa espécie de profissionalização do futebol amador.

Estima-se que dos mais de 500 times que participam do Peladão, pelo menos 50 deles pagam jogadores para vestir sua camisa. Em geral, esses atletas amadores recebem no ato do acerto com o time, no dia de cada jogo (geralmente 50, mas até 150 reais em caso de vitória), nos dias de treinamento (20 reais, em geral duas vezes na semana) e, no caso de serem campeões, dividem a premiação entre si – o famoso “bicho”.

Quanto custaEm média, o valor do “contrato”, que quase sempre é verbal, é de 3 a 4 mil reais por jogador, geralmente para atuar em dois campeonatos. Além disso, eles recebem ajudas de custo para transporte e, nos campeonatos mais importantes, como o Peladão, têm algumas regalias, como um valor maior de bicho e ajudas extras para custear despesas fora do planejado.

Os craques, claro, são os mais “mimados”. Mais caros, ganham média de 8 mil por contrato; alguns passam de 10. Isso só para “assinar”. Os mais valorizados são meio-campistas, atacantes e goleiros (no Peladão, o mais visado, os jogos são curtos e muitas partidas são decididas nos pênaltis). Os melhores jogadores disputados ferrenhamente entre os times com maior poder aquisitivo.

Leilão de craques

A disputa pelos jogadores inflaciona o mercado e os melhores atletas procuram valorizar seu passe. “Quando um jogador é campeão, por exemplo, ele se valoriza, e começa uma espécie de leilão em torno dele. E aí vai valorizando o passe, e esse jogador já não joga sem receber. Quando se cobre a oferta, vai inflacionando o negócio”, conta o presidente, patrocinador e técnico do Obidense FC, Donis Bentes.

Os maiores times do campeonato não entram para brincar e levam esse mercado a sério. A média de investimento que se queira grande, segundo estimativa levantada com nossas fontes, é de 100 mil reais, podendo subir para mais de 200 mil reais por ano, levando em consideração que formam mais de um elenco para jogar várias competições, como Peladão, Taça Lima e Copa dos Bairros.

A origem

Neste cenário tão competitivo, não há time que se pretenda campeão que não tenha de desembolsar para montar o elenco. “Pra chegar ao título, tem que investir”, diz José Roberto, presidente do tradicional Unidos da Glória, que tem sua teoria própria para o surgimento do fenômeno da “profissionalização” das peladas.

“O futebol amador começou a ser pago quando começou o campeonato industriário, das fábricas do Distrito (Industrial). Os jogadores que eram bons começaram a serem contratados para jogar”, conta ele. Mal (ou bem!) acostumados, muitos deles, com idade e condições de figurar nos times profissionais da capital e interior, preferem disputar os campeonatos de peladas.

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