Sábado, 24 de Julho de 2021
Bloqueio das contas

Iranduba tem contas bloqueadas e teme por continuidade na Série A2

Por dívidas trabalhistas, o Hulk teve o bloqueio de contas e, com isso, não pode acessar valores repassados pela CBF para pagamento de despesas na Série A2



7a219b82-60b9-40be-9e4c-c4cfc3dc33b9_C90E6DFE-EDED-4101-BB42-859C0EA861D7.jpg Foto: Antônio Assis / FAF
18/06/2021 às 13:58

“Se o clube não entrar em campo por não fazer teste de covid ou por não pagar arbitragem, o clube deixa de existir, se isso acontecer, ninguém recebe, e não é porque não queira, é porque aí não vai ter verba entrando de lugar nenhum”. Estas palavras são o desabafo do diretor de futebol do Iranduba, Lauro Tentardini, após o clube ter as contas bloqueadas pela Justiça Regional do Trabalho. A determinação da juíza Eulaide Maria Vilela Lins, da 19ª Vara de Justiça do Trabalho impede que o Hulk tenha acesso aos valores que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deposita para que os times da Série A2 do Brasileiro Feminino realizem os testes de covid que estão previstos no protocolo da entidade.

O bloqueio se deu pelo não pagamento de acordos trabalhistas feito entre o clube e a ex-atleta Renata Costa, que atuou no clube entre agosto de 2017 e 2019 que totalizam 78 mil, de acordo com o processo. A falta de recursos do clube é consequência do calote sofrido da ex-patrocinadora Vegan Nation -multinacional de alimentos veganos e criptomoedas chamadas de vegancoin. Não bastasse o calote, a empresa, mesmo condenada pela justiça a pagar 600 mil dólares em março deste ano, não repassou nenhum valor ao Hulk, o que aumenta ainda mais o drama.



“É uma situação que foi criada pelo calote que levamos da Vegan Nation, uma pena. Já estou cansado de correr atrás de patrocinadores para conseguir manter o time em pé e segurar a onda deste calote que levamos de pessoas que agiram de má fé, mas desse jeito fica impossível”, explicou Lauro Tentardini, diretor do Iranduba.

Desde a determinação do bloqueio das contas, que aconteceu no dia 8 deste mês, o Iranduba tenta recorrer e pedir um desbloqueio parcial, mas os esforços foram em vão. O pedido mais recente foi negado no dia 17 de junho junto com a decisão de expedir a transferência eletrônica dos valores vinculados ao processo.

“O clube através do departamento jurídico pode tentar desbloquear, mas creio que seja difícil, afinal temos débitos trabalhistas. Porém, não é que estes débitos não sejam cumpridos porque o clube não quer, é que o clube não tem receita, tomou um calote milionário, e aí não tem como honrar”, completou.

Com as contas bloqueadas, o Iranduba não tem como pagar os exames de covid, que custam R$7,2 mil reais, mais as taxas de arbitragem para o próximo jogo, Nesta sexta-feira, o Hulk da Amazônia, já classificado, entra em campo para o último jogo da fase de grupos da Série A2 e nesta partida, os exames já foram pagos, a preocupação fica para o jogo seguinte, já na fase de oitavas de final da competição.

“Os exames desta sexta estão ok. O problema é que, infelizmente, não foi feito o reembolso do laboratório e, com isso, nada me garante que eles vão fazer o da próxima rodada. Para vocês entenderem, o clube faz os exames, o laboratório emite a nota fiscal, a CBF deposita o valor na conta do clube que paga o laboratório. Conseguimos pagar o da primeira rodada, o da segunda ficou bloqueado. E infelizmente se a CBF depositar as outras três notas também serão bloqueadas, por isso, pedimos por cheque, mas não sabemos quanto tempo leva. Solicitamos via FAF para que a CBF nos desse um documento sobre a finalidade deste valor de R$7.200,00 que foi bloqueado dos exames de Covid e, infelizmente, a CBF não nos deu. Com isso, fica impossível conseguirmos o desbloqueio do valor. Além disso, foi bloqueado os R$50.000,00 que a CBF deu de auxílio emergencial para os clubes. Afinal, pela lógica, na semana que vem, quando a CBF depositar o dinheiro da arbitragem, ele também será bloqueado. E este valor, por ser do legado da Copa, não pode ser pago em cheque”, contou Tentardini. A CBF deposita valores apenas via conta bancária por conta das prestações de contas com a FIFA.

Desabafo

Durante a entrevista para a matéria, Tentardini fez um longo desabafo: “Eu só queria fazer um apelo, o Iranduba tá indo para uma semana muito importante, oitavas de final, a gente não sabe ainda quem será o adversário, só saberemos amanhã com esse jogo em Ariquemes, mas o Iranduba está a quatro jogos de voltar para a primeira divisão, então é hora de especialmente a iniciativa privada somar forças com o Iranduba para que no ano que vem sem pandemia a gente volte a Arena da Amazônia, volte a bater recordes de público. Aí fica numa situação dessas que é chata e ‘tô’ eu mais uma vez me expondo. Queria fazer esse apelo a juíza que bloqueou as verbas, eu não discuto decisão judicial, acho que decisão judicial se cumpre e infelizmente a Vegan Nation não cumpriu, mas que visse pelo menos essa questão do teste de Covid, do dinheiro de pagamento de arbitragem que deve entrar semana que vem e não poderia ser bloqueado”, e continuou.

 “Se o clube não entrar em campo por não fazer teste de Covid ou por não pagar arbitragem, o clube deixa de existir, se isso acontecer, ninguém recebe, e não é porque não queira, é porque aí não vai ter verba entrando de lugar nenhum, o clube deixou de existir. É isso que eu queria deixar bem claro, se tocar no coração e alguém da iniciativa privada puder patrocinar essas meninas para que continue representando o nosso estado seria de suma importância”, solicitou.

O que diz a Justiça do Trabalho?

Procurado pela reportagem, assessoria da 19ª Vara do Tribunal Regional de Justiça do Trabalho (TRT11) explicou que a conta não pode ser desbloqueada em “hipótese alguma” já que os valores requeridos pela jogadora são de “natureza alimentícia e não tem como fugir disto”;

“Não importa que esse valor tenha uma finalidade, o clube é devedor então o sistema bancenjud é justamente para para ir ver a conta e bens que existem no nome deste CNPPJ para bloquear esses valores até que a dívida seja paga”, respondeu a assessoria da 19ª Vara.

O Bacen Jud – ou Sisbajud, como é chamado desde setembro de 2020 – é um sistema de comunicação eletrônica entre o Poder Judiciário e instituições financeiras. Cabe à instituição destinatária analisar e cumprir a ordem judicial e comunicar aos seus clientes, após cumprimento, sobre as determinações que alterem a disponibilidade dos recursos, bens, direitos e ativos (bloqueio, desbloqueio e transferências para contas judiciais), informando a origem da ordem judicial.

Confira a linha do tempo dos acontecimentos que culminaram com o bloqueio da conta do clube

Agosto/2017 – Renata Costa, Koke, é contratada pelo Iranduba

Fevereiro/2019 – Início da parceria com a VeganNation

Maio/2019 – Mês previsto para o início dos pagamentos, mas nenhum valor foi depositado pela patrocinadora

Março/2020 – Outra data limite para os pagamentos 

Junho/2020 – Koke informa seu desligamento do clube

Maio/2020 – Petição inicial da reclamação trabalhista feita por Renata contra o Hulk

Setembro/2020 – As partes do processo conciliaram os valores que seriam pagos a Renata

Março/2021 – Justiça determina pagamento de 600 mil dólares pela VeganNation para o Iranduba. Valores não foram depositados

Junho/2021 – Bloqueio das contas do Iranduba


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.