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Iriney Santos, do município de Humaitá à Europa

Volante amazonense de 32 anos hoje joga no futebol inglês, mas faz investimento no sua cidade natal 15/10/2013 às 20:24
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Iriney, quando jogava pelo Real Betis, brigando pela bola com Messi do Barcelona
Cynthia Blink Manaus (AM)

Há 11 anos, o amazonense Iriney Santos, 32, entra em campo vestindo a camisa de times da Europa. Com 17, ele saiu de Humaitá (a 600 quilômetros de Manaus), sua terra natal, para realizar o que muitos meninos sonham em algum momento: ser jogador de futebol.

Iriney começou sua carreira no Nacional. Seis meses depois, colocou a mochila nas costas e decidiu ir para São Paulo se arriscar em testes. Entrou para o São Caetano, nos tempos de ouro do clube, e com a dose certa de persistência e talento, conseguiu lugar no Rayo Vallecano, em 2002, seu primeiro time europeu.

Já incluiu no currículo o Celta de Vigo, Almeria, Betis, Sevilla (onde como capitão foi fundamental para a evolução do time, em 2011), Granada e há 3 meses está no Watford - da segunda divisão do futebol inglês. O clube  tem como ex-presidente o cantor Elton John, fanático pelo time. Direto da Inglaterra, onde o jogador está morando, Iriney concedeu uma entrevista exclusiva ao CRAQUE.

O salário de um milhão de euros por ano não impede Iriney de afirmar que “vida de jogador de futebol não é fácil”. Ele lembra da intensa rotina de treinos que os profissionais são submetidos. “Muita gente acredita que é tudo um mar de rosas; elas desconhecem que futebol não tem memória. Se hoje você joga bem é reconhecido, mas se amanhã apresentar um resultado inferior não será mais considerado tão bom jogador. Para dar sempre o seu melhor nos jogos é preciso treinar todos os dias, cuidar da alimentação, da saúde, da mente e das lesões, que são inevitáveis”, comenta.

A recente mudança de time levou Iriney e sua família da Espanha para Inglaterra. Por isso, a nova fase é de adaptação. “É tudo novidade: cultura, equipe, cidade, casa e o idioma é um pouco complicado. Minha esposa e eu ainda estamos como crianças quando estão aprendendo a falar”.

Visão de empresário

Outro sonho realizado foi o “Humaitá Quality Hotel”, um hotel de luxo na cidade natal do jogador, pensado para incentivar o turismo e gerar emprego. “Humaitá era um lugar esquecido, mas hoje em dia é mais fácil chegar lá. Por isso, achei que era o momento de investir nesse projeto”, explica Iriney, satisfeito com o sucesso do empreendimento.

Outra ação que combina turismo e futebol foi o pré-acordo feito entre ele e a Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur). Segundo informou Reginaldo Lima, empresário do jogador, que está de férias em Manaus, Iriney deve promover para a imprensa inglesa o Amazonas como destino fundamental da Copa do Mundo de  2014.

Trajetória começou no Naça

Não é de hoje que o esporte o convida Iriney a fazer as malas. O primeiro passo foi sair de Humaitá para disputar um torneio em Manaus. Valeu o esforço, já que o Nacional o contratou. “Lembro como se fosse hoje: eu estava feliz por fazer parte de um time importante do Amazonas, mas também me sentia sozinho. Fiquei uma noite dormindo no CT e, no final de um treino, olho para a arquibancada e vejo meus tios e primos, que me chamaram para morar com eles”, lembra o atleta, agradecido.

A falta de recursos não o intimidou, e Iriney partiu rumo a São Paulo, onde jogou pelo São Caetano. De lá, partiu para a Europa, mas a primeira tentativa do sonho europeu não deu certo. Ele foi reprovado no teste para o Atlético de Madrid e voltou para Brasil, onde foi vice-campeão da Série A pelo então mesmo São Caetano (2000).

No ano seguinte, cruzou o Atlântico para mais um teste e desta vez foi aprovado no Rayo Vallecano. Sete anos depois, tornou-se um ídolo no Sevilla: após três temporadas sendo um dos principais jogadores. Como capitão do Betis, levou o time de volta à primeira divisão do Espanhol em 2011.

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