Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
Craque

Iriney Santos, do município de Humaitá à Europa

Volante amazonense de 32 anos hoje joga no futebol inglês, mas faz investimento no sua cidade natal



1.jpg Iriney, quando jogava pelo Real Betis, brigando pela bola com Messi do Barcelona
15/10/2013 às 20:24

Há 11 anos, o amazonense Iriney Santos, 32, entra em campo vestindo a camisa de times da Europa. Com 17, ele saiu de Humaitá (a 600 quilômetros de Manaus), sua terra natal, para realizar o que muitos meninos sonham em algum momento: ser jogador de futebol.

Iriney começou sua carreira no Nacional. Seis meses depois, colocou a mochila nas costas e decidiu ir para São Paulo se arriscar em testes. Entrou para o São Caetano, nos tempos de ouro do clube, e com a dose certa de persistência e talento, conseguiu lugar no Rayo Vallecano, em 2002, seu primeiro time europeu.



Já incluiu no currículo o Celta de Vigo, Almeria, Betis, Sevilla (onde como capitão foi fundamental para a evolução do time, em 2011), Granada e há 3 meses está no Watford - da segunda divisão do futebol inglês. O clube  tem como ex-presidente o cantor Elton John, fanático pelo time. Direto da Inglaterra, onde o jogador está morando, Iriney concedeu uma entrevista exclusiva ao CRAQUE.

O salário de um milhão de euros por ano não impede Iriney de afirmar que “vida de jogador de futebol não é fácil”. Ele lembra da intensa rotina de treinos que os profissionais são submetidos. “Muita gente acredita que é tudo um mar de rosas; elas desconhecem que futebol não tem memória. Se hoje você joga bem é reconhecido, mas se amanhã apresentar um resultado inferior não será mais considerado tão bom jogador. Para dar sempre o seu melhor nos jogos é preciso treinar todos os dias, cuidar da alimentação, da saúde, da mente e das lesões, que são inevitáveis”, comenta.

A recente mudança de time levou Iriney e sua família da Espanha para Inglaterra. Por isso, a nova fase é de adaptação. “É tudo novidade: cultura, equipe, cidade, casa e o idioma é um pouco complicado. Minha esposa e eu ainda estamos como crianças quando estão aprendendo a falar”.

Visão de empresário

Outro sonho realizado foi o “Humaitá Quality Hotel”, um hotel de luxo na cidade natal do jogador, pensado para incentivar o turismo e gerar emprego. “Humaitá era um lugar esquecido, mas hoje em dia é mais fácil chegar lá. Por isso, achei que era o momento de investir nesse projeto”, explica Iriney, satisfeito com o sucesso do empreendimento.

Outra ação que combina turismo e futebol foi o pré-acordo feito entre ele e a Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur). Segundo informou Reginaldo Lima, empresário do jogador, que está de férias em Manaus, Iriney deve promover para a imprensa inglesa o Amazonas como destino fundamental da Copa do Mundo de  2014.

Trajetória começou no Naça

Não é de hoje que o esporte o convida Iriney a fazer as malas. O primeiro passo foi sair de Humaitá para disputar um torneio em Manaus. Valeu o esforço, já que o Nacional o contratou. “Lembro como se fosse hoje: eu estava feliz por fazer parte de um time importante do Amazonas, mas também me sentia sozinho. Fiquei uma noite dormindo no CT e, no final de um treino, olho para a arquibancada e vejo meus tios e primos, que me chamaram para morar com eles”, lembra o atleta, agradecido.

A falta de recursos não o intimidou, e Iriney partiu rumo a São Paulo, onde jogou pelo São Caetano. De lá, partiu para a Europa, mas a primeira tentativa do sonho europeu não deu certo. Ele foi reprovado no teste para o Atlético de Madrid e voltou para Brasil, onde foi vice-campeão da Série A pelo então mesmo São Caetano (2000).

No ano seguinte, cruzou o Atlântico para mais um teste e desta vez foi aprovado no Rayo Vallecano. Sete anos depois, tornou-se um ídolo no Sevilla: após três temporadas sendo um dos principais jogadores. Como capitão do Betis, levou o time de volta à primeira divisão do Espanhol em 2011.


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