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EXCLUSIVA

Jair Ventura fala sobre a expectativa e armas do Botafogo para a Libertadores

De Auxiliar, ele virou técnico com uma missão difícil: tirar o Botafogo do Z4. Ele fez melhor: levou o Alvinegro para a Libertadores. Foi considerado revelação do Brasileirão e agora tem pela frente outro desafio: tentar conquistar a América 01/02/2017 às 05:00
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O treinador estreia na Libertadores contra o Colo-Colo (Foto:Reprodução)
Camila Leonel Manaus (AM)

Nesta quarta-feira (1°), o Botafogo terá a sua primeira final no ano de 2017, o jogo contra o Colo-Colo, do Chile, pela Libertadores da América, às 17h45 no estádio Nilton Santos. E contra um time de tanta tradição na América do Sul - que já conquistou o Continente em 91 - um Botafogo de novidades entrará em campo tentando a classificação para a segunda fase.

Uma das novidades, que não é tão nova assim está à beira do campo: o treinador Jair Ventura falou com exclusividade ao CRAQUE sobre como vem o Botafogo para um dos jogos mais importantes da temporada.

Uma das sensações do Brasilerão do ano passado, o treinador de 37 anos conseguiu tirar o time do Z4 e levar à Libertadores. Agora, no maior torneio da América do Sul, a missão é chegar na fase de grupos.

Apesar do tamanho do desafio, Jair está tranquilo e diz que o time está preparado para enfrentar o Colo-Colo mesmo com uma pré-temporada de apenas 10 dias. “Não é o ideal, mas temos que nos adequar ao calendário”, disse.

Mesmo com o pouco tempo de preparação, o torcedor botafoguense está empolgado com as contratações do time que tem como maior destaque a contratação do meia Montillo. O treinador do Glorioso não entrega como irá armar o meio campo, mas garante que está tendo “uma dor de cabeça boa” para montar o seu time.

Com seis participações na Libertadores da América (63, 62, 69, 73, 96 e 2014), está será a sétima participação do alvinegro que teve sua melhor campanha em 63 quando chegou à semifinal. Por coincidência, Jairzinho, pai de Jair Ventura, estava em campo naquela edição e foi um dos artilheiros do time.

Além da temporada, Jair falou sobre a ascensão rápida que teve desde que assumiu a equipe. Escolhido como treinador revelação no Campeonato Brasileiro, ele conta que isso é fruto de 11 anos de trabalho, estudo e um objetivo: não ficar à sombra do pai, que foi tricampeão da Copa do Mundo com o Brasil.

“Eu tinha dois caminhos na minha vida: ficar na sombra do meu pai, o que não seria nada ruim pela história que ele construiu, ou seguir a minha. E escolhi seguir a minha”, disse.

Acompanhe a entrevista com o treinador do Botafogo.

Apesar de ter muito tempo de clube, quando você assumiu o time no ano passado, havia a desconfiança, por ser novo, “desconhecido” e você conseguiu mostrar sua qualidade e levou o Botafogo de uma zona de rebaixamento para uma zona de Libertadores. Foi eleito a revelação do Brasileiro. Começar uma temporada como um técnico badalado mais ajuda ou mais atrapalha? A cobrança aumenta?

Em um clube grande como o Botafogo a pressão existe em qualquer situação. Se eu não estivesse preparado para sofrer pressão, não estaria aqui. Faz parte da profissão. Temos que saber conviver com isso e usar a nosso favor. 

Como foi o momento de pegar o time numa situação tão complicada e dar a volta por cima quando todo mundo dizia que o Botafogo iria cair? Como foi a união do time e o fato de ter tanto tempo de casa ajudou a compreender melhor o momento e ser eficaz nessa missão?

Eu sabia que não ia ser nada fácil, mas estava preparado esperando a oportunidade. Eu me preparei por 11 anos esperando essa chance que o presidente Carlos Eduardo Pereira me deu. O tempo de casa ajudou bastante, já conhecia bem os jogadores. O mais importante foi eles terem me abraçado. Não adiantaria nada eu chegar com as ideias se eles não as abraçassem. Quando assumi, o time estava na zona de rebaixamento e o objetivo era escapar dessa colocação incômoda. Fomos conseguindo os resultados e, quando atingimos a pontuação para nos livrarmos matematicamente do Z4, estávamos na zona de classificação para a Libertadores.

Você falou que passou 11 anos se preparando para chegar onde chegou. Como foi essa preparação? Nesse tempo aconteceram mudanças no futebol (você chegou a dizer que numa época não existia analista de desempenho, por exemplo, e você tentava fazer isso). Como foram esses estudos e qual a vantagem de estar nesse meio do futebol tanto tempo, mas sem ter o mesmo nível de cobrança que um treinador geralmente tem?

Desde antes de parar de jogar futebol profissionalmente, eu já sabia que queria ser treinador. Sempre fui apaixonado pela parte tática. Como já tinha a vivência dentro das quatro linhas, fui estudar Educação Física e me formei. Acredito muito nessa mescla do conhecimento prático e da vivência, com a parte acadêmica. Além da faculdade, fiz diversos cursos de análise de desempenho, de treinador, de língua estrangeira. Sou um eterno aprendiz, estou sempre em busca de conhecimento. Gosto muito de estudar.

Libertadores. Como está a preparação para a competição? Vocês entram na chamada pré-Libertadores e já tem uma pedreira pela frente. Como é ter um jogo dessa magnitude logo no início da temporada, quando muitos estão se adaptando ainda?

Infelizmente, com o acidente com o avião da Chapecoense no ano passado, perdemos uma semana de preparação, já que entramos de férias mais tarde. Nossa pré-temporada durou dez dias. Não é o ideal, mas temos que nos adequar ao calendário. Na Libertadores não tem moleza, não tem adversário fácil. O Colo-Colo tem muita tradição na competição, tem um time forte, mas estamos preparados para enfrentá-los. Eles, com certeza, também estão muito preocupados com o Botafogo. Pedreira para os dois lados.

Com a chegada do Montillo, o que muda no meio campo do Botafogo? Como você vem pensando essa parceria dele com  o Camilo e com o João Paulo? Com relação aos reforços do Botafogo, o que deve mudar em relação à forma de jogar de 2016?

O Montillo é um excelente jogador, foi um ótimo reforço. Essa é a dor de cabeça que todo técnico gostaria de ter. Tenho na cabeça algumas maneiras de escalar o time e as variações que posso fazer, mas não posso entregar minhas armas (risos). Durante o ano vocês vão ver.

 Desde a saída do Neílton, uma incógnita tem sido o atacante de velocidade. Como armar o time sem esse jogador, se o Sassá ou alguém da base podem fazer essa função de extremo? Falando em base, você tem assistiu à Copinha? Pensa em aproveitar alguém desse time?

Com a saída do Neilton, precisávamos contratar um atacante de velocidade para suprir a saída dele. Temos alguns jogadores da função, como Pimpão, que já estava no elenco, o Joel, que contratamos há pouco tempo, o Guilherme do Grêmio também chegou. Assisti à Copinha, sim. O time foi muito bem, fiquei feliz com a campanha, perdemos nos pênaltis. Mas fomos com um time bastante jovem, pois alguns que ainda tinham idade estão treinando com os profissionais. Estou sempre de olho na base, é importantíssimo acompanhar esse trabalho.

Por muito tempo no Brasil, o nome do técnico pesava muito na hora de uma contratação.  Atualmente você, o Roger (CAM) e o Zé Ricardo (Flamengo) vem demonstrando bons trabalhos nos seus respectivos clubes. Acha que a visão dos clubes com relação a técnicos novos mudou, que eles estão apostando mais nesses nomes?

O novo sempre é olhado com desconfiança, o que é normal, pois ninguém conhece. Fico feliz que estão dando mais oportunidade ao novo. Temos ótimos profissionais esperando oportunidade. E que bom que vários desses nomes vêm dando certo.

Seu pai é um dos ídolos do futebol brasileiro. Qual o principal ensinamento sobre o futebol que ele passou para você? Você disse em uma entrevista que saiu de casa aos 16 anos. Como foi essa mudança e o desafio de sair do rótulo “o filho do Jairzinho”?

Filho do Jairzinho eu sempre vou ser e tenho muito orgulho disso. Meu pai foi um ídolo do Botafogo, do Brasil. Eu tinha dois caminhos na minha vida: ficar na sombra do meu pai, o que não seria nada ruim pela história que ele construiu, ou seguir a minha. E escolhi seguir a minha. Fui buscar o meu espaço, primeiro como jogador de futebol. Morei na França, no Gabão e em diversos lugares. Herdei do meu pai a paixão pelo futebol.

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