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Esportes
Merecido descanso

João Carlos Cavalo relaxa com a família após tirar o Fast Clube da fila

Treinador falou com exclusividade ao CRAQUE sobre a campanha vitoriosa do Tricolor de Aço no Barezão Centenário 30/10/2016 às 05:00 - Atualizado em 30/10/2016 às 08:38
Show cava
Cavalo em momento de lazer ao lado dos filhos, Matheus (atleta no Fast), Fernanda e Gabriel (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Denir Simplício Manaus (AM)

“Um homem chamado Cavalo”. Sem muitas comparações com o filme hollywoodiano dos anos 1960, João Carlos da Silva Beto, ou João Carlos Cavalo, lembra o aristocrata inglês (John - João em inglês- Morgan) capturado e escravizado por índios selvagens nos Estados Unidos apenas por uma qualidade: a obstinação.

O treinador nascido em Lábrea, no interior do Amazonas, foi um jogador vencedor e marcou seu nome pelas equipes onde atuou. Como técnico, gravou de vez seu nome entre os grandes mestres do futebol amazonense ao comandar o Fast Clube ao título após 45 anos na fila. Primeiro técnico a levar um time do interior do Estado ao topo do Barezão (campeão com o Grêmio Coariense, em 2005), Cavalo agora colhe os louros da glória ao lado da família e dos amigos.

Em momento de pura descontração jogando futevôlei, o treinador, que também já ergueu taças fora do Amazonas, fala com exclusividade ao CRAQUE sobre as “pedras no caminho” do Fast até o título, das dificuldades de relacionamento no início da campanha, compara o elenco de 2015, e também analisa seu futuro e o do Tricolor de Aço para temporada de 2017.

Passada a tensão da final, é jogando futevôlei que o João Carlos Cavalo se diverte?

É um momento que a gente sempre aproveita junto, eu e meus filhos pra gente descontrair um pouco. A gente se reúne e joga um futevôlei, se não a gente bate uma pelada também. Nos últimos tempos, confesso que a pressão era muita, a gente estava focado nesse trabalho à frente do Fast Clube e depois que passou toda essa tensão a gente volta a ter uma rotina normal novamente. Porque você começa a ter a sensação de alívio do trabalho feito e nada melhor de que você retornar às suas atividades do dia a dia e, principalmente, com a família.

Vários técnicos de renome, tanto locais como de fora, passaram pelo Fast nesses últimos 45 anos e todos falharam. Como você se sente sendo campeão com o Fast e quebrando esse jejum?

Pra mim, em primeiro lugar, é um privilégio. Ser um amazonense, cujo Deus deu a oportunidade que pudéssemos tirar o Fast dessa fila há tanto tempo. E por outro lado, acho que dia após dia depois da conquista você começa a medir realmente todo o valor pelo fato de você ver a torcida comemorando. Caminhando nas ruas também você ter o reconhecimento. Acho que o reconhecimento que a gente tem na nossa caminhada nas ruas de Manaus não tem preço que pague. Porque a gente sabe também a importância desse título, o tanto que essa torcida esperou pra gritar campeão.

O Fast vem de conquistas seguidas nos últimos anos, tanto na base como no profissional. Acha que o clube se fortalece de vez com o título do Barezão deste ano?

Vejo depois dessa conquista que o Fast Clube se fortalece ainda mais, porque vejo o seu torcedor mais confiante. Desde o ano passado que a gente, depois do campeonato de 2015 que nós perdemos, veio a Taça Amazonas, onde fomos campeão, os Juniores foram campeões no Sub-20 lá em Belém, e continuou ganhando títulos aqui nas categorias de base, e para coroar tudo isso veio o título de campeão amazonense na categoria profissional.

O elenco do ano passado tinha mais jogadores experientes e mesmo assim o Fast ficou pelo caminho. Como você compara o elenco de 2015 e esse de 2016?

Em qualidade técnica, o time do ano passado era superior. Você tinha imensas variações dentro da equipe. Era um grupo, um plantel formado por muitos jogadores tarimbados e experientes. A bola dificilmente ‘queimava’ nos pés dos meninos e era um grupo bom. Acho que o grande diferencial é você começar o trabalho desde o início. Nós pegamos o barco andando já no segundo turno (Cavalo assumiu o Fast na vaga de Ney Júnior) a gente teve dificuldade de implementar nossa filosofia de trabalho no início e acho que quando nós estávamos vivendo nosso melhor momento no campeonato, vitória em cima do Nacional, depois veio a semifinal, o time estava muito bem dentro da partida contra o Princesa e, de repente, a coisa virou.

Se você tivesse de colocar um ponto primordial para que o Fast de 2016 finalmente conquistasse o título, qual seria?

Se fosse colocar um ponto primordial diria que o início. O início pra nós esse ano foi marcante porque a gente começou a conscientizar o grupo das dificuldades que nós tínhamos no início, principalmente na questão financeira. Mas foi um grupo que procurou se fechar conosco, com a comissão, com a diretoria e a gente via um ‘grupo família’, acho que a humildade ela foi o ponto primordial dessa equipe, em todos os aspectos. Até em parte minha mesmo, quando a gente extrapola.

E você extrapolou muitas vezes? Como contornou os problemas?

Teve momento também que eu extrapolei um pouco no quesito de cobrança dentro do vestiário, no intervalo de jogo pra chamar a atenção, mas pra que a gente não pudesse perder o foco. Depois a gente, de cabeça mais fria, pede perdão, assim foi com eles também todas as vezes que eles erraram o grupo se reunia e foi assim. Não tenho o que falar, mas se fosse pra escolher uma virtude, com certeza seria a humildade do grupo.

Você tem como pontuar uma partida marcante em que você percebeu que o time estava pronto pra ser campeão?

Foi o 3 a 0 contra o São Raimundo (9ªrodada). Foi nossa alavancada pelo fato das pessoas - naquele jogo nós tínhamos perdido o Ronan, ele não participou e todo mundo falava: Ah, se o Ronan não jogar... - e foi o melhor jogo da nossa equipe. Não que o Ronan não teve uma importância, mas ali eu vi o comprometimento do nosso grupo. Principalmente, quando nós fizemos as mudanças no intervalo e eu vi a nossa equipe um pouco mais solta e, naquele jogo eu encontrei o esquema certo. Foi a partir daquele momento que aconteceu, por exemplo: a entrada do Emerson Martins pra volante, juntamente ao Dinamite; o Cassiano na direita; o Robinho por fora; o Peninha por dentro e o Charles centralizado. Ali eu sei que começamos nossa caminhada verdadeira, ali nós começamos a formar uma equipe no quesito de conjunto. Nossa equipe foi moldada naquele jogo.

Você sempre fala que seu time é ‘operário’, mas tem como destacar um jogador na sua equipe que se destacaria mais que os demais?

Acho que o grupo todo foi muito importante desde o início, porque no início nós não tínhamos o Peninha, o Spice, que são jogadores que deram uma nova cara pra nossa equipe. Mas de todos os atletas que você me perguntasse a regularidade de um jogador, eu diria que foi o Thiago (zagueiro). O Thiago Brandão foi o jogador mais regular da nossa equipe, muito regular em todas as partidas. Você não via o Thiago falhar em um momento sequer, recuperação boa, bem na bola aérea, antecipação de jogo, um cara extremamente profissional também no dia a dia. Por isso, se eu tivesse que apontar um jogador regular em toda competição eu apontaria o Thiago, com certeza.

Sei que você está curtindo merecido descanso, mas qual o futuro do João Carlos Cavalo em 2017. Permanece no comando do Fast?

Já tive prévia com a diretoria, com o presidente (Ednaílson Rozenha) e a ideia deles é a de que eu permaneça e eu também quero permanecer. Então falta nós conversarmos para acertar detalhes da minha permanência. Tenho algumas situações que foram colocadas por outros clubes fora daqui de Manaus, que também precisam ser resolvidas. Acredito que ainda essa semana nós vamos reunir pra definir a minha permanência aqui ou que eu volte somente depois do campeonato regional. Mas a minha ideia é de permanecer pra montar um grupo forte e conseguir o acesso pra Série C, que é nosso objetivo. E pra que isso aconteça a gente têm de estar desde o início do projeto pra formar os atletas e ter uma base boa, depois dar uma enxertada com atletas que a gente ainda quer trazer pra cá pra ter um grupo um pouco mais forte.

Caso você realmente permaneça no Tricolor para a próxima temporada, já começou imaginar o elenco para 2017?

 Já comecei a dar uma pensada a respeito disso. Nós vamos procurar manter uma base boa do nosso grupo. Vamos procurar trazer alguns atletas que conheço também e alguns atletas também que a gente quer aproveitar aqui de Manaus e que estavam em outros clubes. Jogadores que a gente tem interesse de trazer pra cá pra fortalecer o nosso grupo.

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