Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
ESTADO DE EMERGÊNCIA

Jogadores da base da pirâmide do futebol 'lutam' pela liberação do auxílio emergencial

Dos quase 24 mil jogadores de futebol profissional no Brasil, cerca 92% recebem menos do que R$ 5 mil. Em momento de pandemia e até desemprego para alguns, atletas buscam uma 'respiro' com o auxílio emergencial



WhatsApp_Image_2020-05-31_at_14.59.53_57A6DFA8-B82A-4F3B-B39A-AE2AF7A731DC.jpeg Foto: Junio Matos
01/06/2020 às 11:11

“Este auxílio para mim não é privilégio, é sobrevivência”. A frase forte e enquadrada na realidade foi dita por Alex Dida, goleiro do Atlético-AC, em vídeo de uma campanha organizada pela Federação Nacional de Atletas Profissionais do Futebol (Fenapaf). A ação pede a liberação do auxílio emergencial de R$ 600 para a categoria neste difícil momento de crise econômica por conta da pandemia da Covid-19.

Ao lançar o pacote de ‘socorro’, porém, o presidente Jair Bolsonaro incluiu na lista de vetos ao auxílio emergencial, atletas e profissionais ligados ao esporte. Segundo a Fenapaf, a decisão deixa em apuros 92% dos aproximadamente 24 mil atletas de futebol em atividade no Brasil. Minoria na numerosa classe, jogadores como Diego, do Flamengo, D’Alessandro, Internacional, e Felipe Melo, do Palmeiras, também usaram a voz em nome dos ‘operários’ da base da pirâmide do futebol.



Com a paralisação dos campeonatos, principalmente os estaduais, muitos clubes precisaram reduzir salários de jogadores, senão romper por completo os vínculos, em decorrência da dificuldade financeira. Para entender o lado dos atletas nessa história, o CRAQUE falou com profissionais ligados ao esporte baré, que explicaram como tem sido esse período de pandemia sem a certeza de uma renda familiar, em muitos casos.

‘Em análise’

Essa é a frase que muitos jogadores estão vendo quando entram com o pedido no programa de auxílio emergencial disponibilizado pelo Governo Federal. Distante dos gramados, atletas como Caio John tentam obter uma ajuda financeira em um período sem futebol e oportunidades. Após três tentativas, o atacante que teve o contrato com o Fast finalizado durante a paralisação ainda não conseguiu os R$ 600.


Ex-atacante do Fast, Caio John tem trabalhado na oficina de automóveis do pai. Foto: Acervo pessoal

“Ainda não tive nenhum êxito. A gente precisa (do auxílio emergencial) porque a estrutura do futebol amazonense não é igual aos grandes centros do país, que continuam pagando os atletas mesmo nesse período de paralisação. Aqui isso não é possível. Espero e torço para que meu pedido seja aprovado nos próximos dias”, afirmou o amazonense de 21 anos, que tem trabalhado na oficina de carros do pai no bairro Coroado, Zona Leste da capital.

Um dos representantes dos times das divisões inferiores do futebol nacional na campanha da Fenapaf, o lateral-direito Magnum ultimamente ganhou destaque no caçula Amazonas FC. Após o título da Série B do Estadual em 2019, o jogador vinha sendo considerado por muitos o melhor da posição no Barezão 2020. Mais um sem contrato após o término do Campeonato Amazonense, ele também não teve o pedido aprovado.

“Vejo que a liberação do auxílio emergencial, nesse momento, para os atletas, facilitaria um pouco a situação. A quantia é pouca, mas já ajudaria em algumas despesas que temos, porque no momento não temos noção de quando voltaremos aos trabalhos”, declarou o vice-campeão do primeiro turno do Barezão deste ano e, atualmente, desempregado. 


Magnum foi um dos jogadores que participou da campanha da Fenapaf. Foto: João Normando

Respiro no ‘caixa’

Aparentemente, o modelo de filtragem do sistema do Governo Federal para aprovação do pedido não segue critérios predefinidos. É comum conhecermos alguém próximo que teve a solicitação aprovada e se enquadra nos mesmos requisitos de outro indivíduo que não teve acesso aos R$ 600. William Sarôa, que também teve contrato rompido com o Fast, foi aprovado na ‘seleção’.


Sarôa, que contrato rompido com o Fast, foi um dos jogadores que conseguiu o auxílio. Foto: João Normando

Desempregado como o companheiro de profissão Magnum, o meia que possui mais de 50 jogos com a camisa do Tricolor de Aço vê o auxílio como uma ajuda não só para si, mas para toda a família. “O auxílio, nesse momento de pandemia e desemprego, tem ajudado muito a mim e toda a família. Graças a Deus foi aprovado. Acredito que deveria ser liberado para todos os atletas que estão nas mesmas condições que eu”, ressaltou o meia.

As dificuldades financeiras em meio à paralisação não se restringem aos atletas, claro. Membros de comissões técnicas e outros profissionais ligados ao clube no dia a dia também foram afetados com términos de contratos. Marinho, ex-jogador e ídolo do Tufão, atualmente é auxiliar técnico do clube. O ‘Tanque’ conta que recebeu a primeira parcela do auxílio nesta semana.

“Ajuda bastante na manutenção dos gastos em casa. Precisei buscar alternativas para manter o sustento”, completou o ex-atacante, que é um dos personagens - e por que não operário - da base da pirâmide do futebol, distante dos salários multimilionários e da infraestrutura da elite do esporte no país.

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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