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Jogadores do polo aquático amazonense mantém o esporte firme e forte com a união

Atletas amazonenses comemoram 2015 vitorioso, mas garantem que vão continuar trabalhando para que 2016 seja ainda melhor 30/12/2015 às 16:05
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No último sábado de 2015 atletas e ex-atletas participaram da 1º Copa da modalidade
Camila Leonel Manaus (AM)

Uma família bem grande que faz da união o combustível para suas conquistas, é assim que se define os jogadores e jogadoras de polo aquático do Amazonas. E mesmo com todas as dificuldades que o esporte enfrenta, eles continuam se dedicando à paixão e trazendo títulos para o Amazonas. O balanço de 2015 é positivo: no masculino, o Amazonas foi vice-campeão no Norte–Nordeste e vice-campeão na Liga Nacional de Polo Aquático.

 No feminino, o time amazonense foi vice-campeão do Circuito Open de Polo Aquático, campeonato que é o nacional de polo de praia. Porém, para o ano de 2016, a modalidade terá que enfrentar os mesmos desafios para continuar se destacando nacionalmente.

E os desafios não foram poucos: com a piscina da vila olímpica em reforma, o polo aquático ficou sem piscina para treinar. Mas eles não desistiram e conseguiram a piscina do Centro de Convivência Magdalena Arce Daou, Zona Oeste de Manaus. As dimensões da piscina eram menores do que as oficiais, mas mesmo assim eles prosseguiram nos treinamentos. Em junho veio o segundo lugar na Copa Norte-Nordeste. O vice campeonato garantiu classificação para a Liga Nacional. A preparação para a Liga Nacional foi feita no Sesi. Na competição Nacional, eles desbancaram equipes tradicionais como a Hebraica, de São Paulo e chegaram na segunda colocação.

Para o jogador Ítalo Figueiredo, todas essas conquistas vieram com a união e o trabalho. Ele salientou que tudo que eles fazem é por amor já que ninguém recebe salário ou patrocínio.

“Eu acho que o comprometimento e a união da galera foi muito importante porque quando a gente começou a movimentar a gente não tinha apoio para nada e o que a gente fez: feijoada, churrasco, várias coisas. Todo mundo ajudou, todo mundo se uniu e eu acredito que esse tenha sido o fator x, o fator principal pra gente ter conquistado tudo isso esse ano”, disse.

E já que toda família precisa de um esteio, com o polo aquático não é diferente, no caso deles, o suporte é o treinador Mike Moraes, o “tio Mike” como ele é chamado pelos jogadores, é quem tem levado à frente o projeto e ele garante que em 2016, o trabalho continua firme e forte.

“Nós devemos voltar depois do carnaval e com o mesmo objetivo: campeonato feminino, campeonato adulto, masculino classificatório para a Liga nacional e tentar de novo, quem sabe chegar novamente. Já fomos terceiro, segundo e vamos ver se conseguimos o primeiro lugar agora. Nós  não temos mais o que provar. Nos últimos 10 anos nós viemos sendo o melhor esporte coletivo do Estado. Em termo de provas não precisa mais, o que precisa é investir e acreditar que vai dar certo e a gente chega lá”, contou.

Um dos pioneiros no esporte no Amazonas é o ex-atleta Josué Nobre. Com 71 anos, ele ainda acompanha os eventos do polo, filma e documenta. Nascido em Manaus, ele jogou no Rio de Janeiro em clubes como Guanabara e Fluminense, além de fazer parte da seleção brasileira.

Na década de 60, quando voltou a Manaus, ele começou a treinar natação e polo na piscina do Clube Rio Negro e foi aí que o esporte deu seus primeiros passos. E até hoje ele acompanha a evolução dos tempos de “peladas do polo” para os dias atuais.

 “Eu parei, mas eles continuaram e até hoje eu acompanho e aqui no Amazonas é uma evolução total porque quando eu fazia pelada de polo aquático, na década de 60, todo mundo estava iniciando. Hoje o polo teve uma evolução extraordinária porque saiu do nada e hoje é vice-campeão brasileiro”, declarou.

Volta à ativa e ao pódio

O ano de 2015 também foi marcado pela volta à ativa do time feminino do Amazonas. Fundado em 200, o time feminino vivia as mesmas dificuldades que o time masculino, mas com um agravante: possuía menos atletas. Até que em 2015, a possibilidade de participar de um campeonato nacional uniu a equipe novamente.

“O polo feminino estava parado por falta de incentivo e cada uma foi atrás de seguir com a sua vida profissional. Aí esse ano a gente viu o campeonato em Morro de São Paulo e aí fomos juntar a galera e tal. Juntamos, treinamos três meses para o campeonato e fomos com toda a garra que podemos ter, com tudo o que sobrou”, disse Jamyly Macedo, jogadora de polo.

No Circuito Open de Polo Aquático em Morro de São Paulo, na Bahia, as amazonenses jogaram em águas abertas e mesmo sem o costume de jogar no mar foram vice-campeãs.

“Foi um campeonato dificil porque foi em mar aberto. Começa por aí e a gente não tem experiência de jogar em mar, mas o entrosamento do time é muito bom, as meninas são muito disciplinadas, então juntou as meninas antigas e as atuais e deu tudo certo. Foi muito treino e o entrosamento foi tranquilo. Foi lindo”, comemorou, Jamyly.

Mesmo sendo conterrâneas da atleta da seleção brasileira de polo, Lucianne Barroncas, que jogou no Estado, a falta de incentivo ainda é um incômodo para os atletas.

“A gente se sente desvalorizado porque o esporte no Brasil é desvalorizado. Mas a gente vai continuar em busca de dar bons resultados, de mostrar que tem   gente que dá resultado para que, de alguma forma, a gente possa chamar a atenção das pessoas”, declarou.

Além de abrir mão do tempo para treinar, a jogadora conta que elas também tem que deixar um pouco da vaidade de lado. E isso dificulta no recrutamento de novas atletas. “São poucas meninas, é um esporte de contato, tua unha tem que está sempre cortada, tu chega em casa toda roxa. Não é qualquer menina que aceita isso”, disse.

Mas mesmo com todas as dificuldades elas esperam que a família do polo siga lutando pelo esporte e por medalhas.

“Família polo aquático, nosso grito de selva sempre. Um segura a barra do outro e não fica restrito só aos treinos. Sábado, domingo, feriado, dia santo, não importa o que tenha tá todo mundo junto sempre”, finalizou a atleta amazonense.

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