Sábado, 24 de Agosto de 2019
Determinação

Jogadores enfrentam até 23 horas de barco para representar Urucará no Peladão

Um dos destaques da categoria Master do Peladão Brahma 2016, Filhos de Urucará já estão entre os 16 clubes restantes da competição.



IMG0017414252.JPG Time disputa a competição há oito anos e conta com a famosa 'vaquinha' para custear as viagens. (Foto: Evandro Seixas)
02/12/2016 às 21:03

Representando o município de Urucará, jogadores disputam Peladão Brahma 2016 superando adversários e a distância para fazer história na competição
 

Com 17 mil habitantes, Urucará é um município localizado no Baixo Amazonas e fica 270 km distante de Manaus. Mas nem mesmo a distância, vira obstáculo para os jogadores apaixonados do time Filhos de Urucará Futebol Clube representarem a terra natal, nos campos do Peladão Brahma 2016.
 

Formado em sua maioria por jogadores naturais de Urucará, o time busca reunir a comunidade que mora em Manaus em busca de algo maior do que as vitórias.
 

“É uma satisfação muito grande a gente poder participar do maior campeonato de peladas do mundo e isso é uma tradição para a gente. Para nós que somos peladeiros, o Peladão é uma Champions League. Participar e poder ter um time competitivo dentro da competição é de extrema importância não só para nós peladeiros, mas também para a gente poder divulgar o nome da nossa cidade, que é o município de Ucurará”, explicou Janderval Correia de Carvalho, o Canhoto, jogador e diretor da equipe.
 

Por falar em Champions League, alguns jogadores do time enfrentam uma verdadeira ‘viagem continental’ para jogar as partidas. Ao todo são cinco atletas que não moram na capital (quatro de Urucará e um de Itacoatiara) viajam até Manaus para defender a camisa do time.

“Quando o jogador vem de barco direto de Urucará, ele passa 23 horas dentro da embarcação. Quando o jogador vem via lancha e taxi, já se torna uma média de 5 horas. Quanto ao custo, a média de barco é de 80 reais, quando se torna lancha e táxi, a média se torna 130 reais. Isso só a vinda. Se nós somarmos ida e volta um jogador custa em média, de barco, 160 reais. Se for de lancha e táxi custa 260 reais”, explicou Kleber Lobão, um dos apoiadores do time, que participa das famosas ‘vaquinhas’ para levantar dinheiro para a vinda dos jogadores do município.
 

O esforço tem valido a pena. Hoje o time é um dos 16 classificados na categoria Master do Peladão, recompensando todo o esforço de seus jogadores.
 

“Primeiro nós temos a dificuldade logística e em segundo lugar o financeiro. Todos os jogadores que participam hoje do time eles não são remunerados, pessoal vem por livre e espontânea vontade com aquela vontade de participar e levar o nome do nosso município no lugar mais alto do futebol Master do Amazonas, que é o Peladão”, lembrou Kleber.
 

Durante a campanha, melhor do time nos oito anos que disputam a competição, a equipe já chegou a bater times de atletas pagos, superando todo o cansaço da viagem. Demonstrando, no campo, o verdadeiro significado de ser filho de Urucará, como o nome da equipe lembra.

“Urucará é isso, é essa somatória de culturas, de diversidades que reunidas acabam sendo belas. A gente acaba fazendo essa festa, sendo essa festa. O que mais identifica Ucucará é a nossa cultura, essa alegria, porque é uma cidade acolhedora e aqui a gente acaba refletindo isso aí. Urucará, por onde passa deixa sua marca e nós estamos aqui. Urucará é cheia de talentos, de cultura, de diversidade, como o próprio hino de Urucará já diz: “Urucará da cultura, da mistura, da diversidade. Urucará da nossa saudade”, explicou Pedro Santos, que nem soube ao certo especificar quando deixou a cidade natal para vir a Manaus, mas se derreteu entre sorrisos e lembranças de Urucará ao falar do que sentia ao representar sua terra natal.

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