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Jogadores ribeirinhos do Amazonas encaram qualquer desafio para competir

Autênticos ribeirinhos, primos de município da região metropolitana de Manaus atravessam o Rio Solimões para treinar e jogar 09/04/2013 às 11:50
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Autênticos ribeirinhos, primos do Iranduba não medem esforços para competir
Bruno Tadeu Manaus

Caçula no futebol do Estado, o Esporte Clube Iranduba da Amazônia – fundado em janeiro de 2011 – também tem o elenco mais amazonense do Estadual deste ano: são 17 jogadores da terra. Dois deles, em especial, vivem uma rotina que enaltece a figura do caboclo ribeirinho. Moradores da Comunidade de Santa Luzia da Ilha do Baixio, região irandubense, o lateral esquerdo Fabrício Lima da Costa, 31, e o meia-atacante Waldir Vieira dos Santos Júnior, 27, atravessam diariamente o Rio Solimões para treinar e jogar defendendo o Verdão. Veja fotos aqui.

Nascidos e criados na ilha, os atletas, que são primos, levam aproximadamente 25 minutos para atravessar de uma margem à outra do rio numa voadeira. O pequeno barco, comprado por Fabrício, está a serviço da comunidade onde ele mora, exceto, é claro, nos horários de treino do time que representa aquele município no Campeonato Amazonense de futebol.

Talvez por ironia do destino, no dia em que o Iranduba conquistara a primeira vitória no Estadual de 2012, a travessia dos jogadores foi uma verdadeira aventura, como lembrou Fabrício. “Vínhamos de lá para cá e um barco passou perto da gente fazendo um banzeiro. Um colega nosso escorregou do banco e barco quase virou, mas nós caímos todos dentro d’água, só ficou o Júnior no barco. Ele olhou para trás e nos viu no rio. Todos se salvaram e chegamos a tempo, todos molhados. Foi o dia da nossa primeira vitória, contra o Nacional”, revelou bem humorado.

Apesar da aventura diária, os atletas nem pensam em deixar a Ilha do Baixio. “Somos felizes lá. A gente tem emprego, somos concursados e nos liberam para os jogos. A vida é tranqüila. É ruim na época da cheia, porque a água cobre os assoalhos e ai fica difícil. Somos ribeirinhos de sangue mesmo”, confessa o tranquilo Fabrício.

Carona

Tendo um barco como principal meio de transporte, os ribeirinhos do time, no fim das contas, são privilegiados. A maioria dos jogadores se locomove pela cidade graças à caronas dos companheiros de time. Para quem mora em Manaus, a rotina no primeiro turno do Campeonato Amazonense foi de idas e vindas entre a capital amazonense e Iranduba, pois, naquele período, o grupo não contava com alojamento no interior.

“O José Said (preparador físico) trazia no (carro) dele, eu no meu e o Tiago (jogador) no dele. Era a lotação máxima permitida, três no banco de trás”, garantiu o técnico Sérgio Duarte.

Até o mês de fevereiro, era comum o plantel inteiro utilizar cerca de quatro veículos para transitar em Iranduba. Até mesmo os moradores da Ilha do Baixio aderem à caronas para ir até o porto, onde seguem de barco.

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