Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
CORONAVÍRUS

Jogando na Polônia, Arlilsom relata as medidas de prevenção à Covid-19

Meia amazonense chegou ao 'Velho Continente' em 2016, primeiramente na Alemanha. Com a oportunidade de jogar na Polônia, o jogador conseguiu trazer esposa e filhas, que hoje estão em isolamento junto com 'Ali'



ali_jogador_01AE30CB-7856-44C6-B313-69E2156C48D0.JPG Foto: Acervo pessoal
26/04/2020 às 18:17

Exportando talentos para o mundo tudo, o futebol baré rompe as barreiras do território amazonense. Longe de casa, muitos jogadores vivem do sucesso dentro das quatro linhas e agora, em um momento de pandemia global, precisam superar adversários fora de campo. Afinal, o combate ao novo coronavírus impõe novas rotinas e distancia Arlilsom Ferreira do que ele mais gosta de fazer.

Atuando há dois anos no Łazek Pisarzowice, clube das divisões inferiores da Liga da Polônia, o amazonense está em sua segunda passagem no Velho Continente. Depois de jogar nas categorias de base de Nacional, Holanda e Fast Clube, o camisa 10 teve a oportunidade de experimentar o futebol alemão. Após um ano e meio de sucesso, pode-se dizer, era hora de dar assistências e marcar gols na Polônia. 



Arlilsom vive junto com a esposa e duas filhas, também amazonenses. Foto: Acervo pessoal

Morando em Lubań - município polonês que fica a 20 minutos da Alemanha - com a esposa Blenda Costa e duas filhas pequenas, Arlilsom conta ao CRAQUE como tem lidado com o com o combate ao novo coronavírus em terras polacas, que até o fechamento desta reportagem, na sexta-feira (24), registrava 10.892 casos e 494 mortes em uma população de aproximadamente 40 milhões de pessoas - dados da plataforma Google. 

Cautela levada a sério

Segundo o jogador do Łazek, o governo polonês aprendeu com países vizinhos e outras nações do continente europeu e agiu rapidamente no começo vírus. Com o entendimento da população, as medidas de prevenção, como regulação das fronteiras e controle de entrada em supermercados, foram adotadas com facilidade, o que foi fundamental para o baixo número de óbitos - a quesito de comparação, só na quinta-feira (23), 407 pessoas morreram no Brasil.

“As medidas de prevenção estão sendo bastante eficazes. A população está obedecendo, é uma população bastante obediente. O Governo seguiu o exemplo de Alemanha, República Tcheca e já foi tendo os cuidados com entrada e saída de pessoas nas fronteiras. Nesta semana, alguns estabelecimentos e serviços que foram paralisados já estão voltando aos poucos, com cautela”, explicou Ali, como é chamado pelos companheiros de time na Polônia.

Colegas de profissão que o meia não vê desde a paralisação dos campeonatos, que concatenou com o fechamento do centro de treinamento do clube. As medidas de prevenção ao vírus, obviamente, afetaram a rotina do amazonense, que tem buscando manter o ritmo em dia mesmo dentro de casa. “Eu e minha esposa saímos, no máximo, para ir ao supermercado. Tenho filhas pequenas e me preocupo. Em casa eu faço bastante treinos físicos, para prevenção de lesões e fortalecimento muscular”, destacou o meia, que diz que alguns treinos acontecem através do grupo de conversa online dos jogadores. 

Antes de 'explorar' a Europa, o meia jogou nas categorias de base de clubes barés. Foto: Acervo pessoal

Bola ‘parada’ e outros planos

Ainda sem previsão para retornar, os campeonatos de futebol da Polônia foram paralisados, oficialmente, até hoje (26). Mas com a preocupação em relação à disseminação do vírus, as ‘pelejas’ devem permanecer sob clima de incerteza. “Alguns falam que a temporada 19/20 vai ser anulada, mas muitos clubes não estão aceitando por questões financeiras. Envolve contratos de patrocínio, com jogadores, então é provável que eles criem um ‘mini’ campeonato, de mata-mata, para definir quem é rebaixado e quem sobe”, detalhou o meia do Łazek.

As expectativas para a janela de transferências, porém, já foram deixadas de lado. Ali tinha a ideia de mudar de liga no meio do ano, mas a paralisação dos campeonatos adiou o movimento. “O projeto era subir nosso time, estávamos em 3º colocado e tudo parecia que daria certo. Estava com planos de ir para um time de divisão superior, mas essa ‘anulação’ do acesso deve me fazer ficar. Tenho muita gratidão com o presidente daqui, que ajudou bastante eu e minha família”, completou Ali.

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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