Domingo, 13 de Outubro de 2019
Craque

Jogo do Peladinho mostra que tamanho não é documento

Uma partida realizada pela categoria Peladinho, na manhã do último sábado (14), provou que nos campos do Peladão Verde, tamanho não é documento



1.jpg Marcos Alessandro, 11, o “Marquinho”, camisa 11 do Sul América (Glória), já chamava atenção antes mesmo de entrar no campo do CSU do Alvorada
20/09/2013 às 09:22

Marquinho, 1,40m, 38 quilos, uniforme sobrando no corpo, é a dor de cabeça de muito grandalhão por aí alguém com 1,40m de altura e 38 quilos dificilmente consegue colocar medo em alguém dentro de campo. E quando o dono do porte físico franzino enfrenta adversários com praticamente o dobro do tamanho dele, a coisa tende a ficar ainda mais complicada. Mas, uma partida realizada pela categoria Peladinho, na manhã do último sábado (14), provou que nos campos do Peladão Verde, tamanho não é documento.

O atacante Marcos Alessandro, 11, o “Marquinho”, camisa 11 do Sul América (Glória), já chamava atenção antes mesmo de entrar no campo do CSU do Alvorada, zona Oeste da cidade. Com camisa e calções bem largos, que pareciam ter sido confeccionados para alguém bem maior do que ele, Marquinho provocava reações irônicas no banco de reservas do adversário, o COP Jr, do Alvorada.

Porém, bastaram cinco minutos em campo para que as risadas dos adversários fossem silenciadas pelo menino de uniforme “folgado”. Marquinho aproveitou-se de uma sobra de bola na área do COP Jr. e mandou para as redes, marcando o primeiro gol do Peladinho 2013. E o garoto não parou por aí. Durante o jogo, ele driblou, deu caneta, chapéu, passe de calcanhar, arrancadas e não teve medo de dividir bolas com a zaga “gigante” do COP Jr.

Acompanhando todos os passos de Marquinho do lado de fora do campo, um senhor com uma camisa azul do Manchester United se destacava na torcida. O inspetor de qualidade Alex Rodrigues da Silva, 44, sofria e vibrava à cada lance. A tensão era tão grande, que Alex chegou inclusive a discutir com os mesários e com o árbitro da partida durante o jogo. Quando os ânimos se acalmaram, a equipe de reportagem do Caderno do Peladão descobriu o porquê do “nervosismo”: Alex é pai de Marquinho.

A ótima atuação do filho dentro de campo deixou Alex mais tranquilo. Ele acompanha todos os jogos que o filho habilidoso participa. “Vou a todos os jogos do Marquinho. Ajudo o pessoal do Sul América a coordenar os garotos também. Ele é muito pequeno e não pode estar andando sozinho por aí. O Marquinho começou a jogar bola desde os sete anos. Eu trabalhava em uma empresa do Distrito Industrial e eles sempre realizavam uma pelada de final de ano. E ele sempre acabava participando da brincadeira por lá. Ele também sempre gostou muito de jogar futebol na rua. Acabou pegando gosto (risos)”, contou o pai coruja.

Morador do bairro São Raimundo, Marquinho cursa o 1º ano do ensino fundamental na Escola Municipal Paula Frassinetti. Fã declarado do atacante português Cristiano Ronaldo, o garoto fez “jogo duro” na hora de dar entrevistas, por conta da timidez. Mesmo assim, revelou uma provocação que sofreu em campo. “Um garoto do time deles disse várias vezes durante o jogo que ía quebrar minha perna se eu fizesse graça. Não liguei pra ele. Na última semana, disputamos um amistoso contra um time do interior e o zagueiro também havia prometido me quebrar. Respondo dentro de campo, com gols”, disse, mostrando que não possui apenas o futebol afiado.

Alex garantiu que o filho é um menino tranquilo e que dá pouco trabalho em casa. Apesar do sonho de Marquinho em seguir carreira, o pai garantiu que vai começar a trabalhar com um plano “B”, cobrando também um bom desempenho no campo dos estudos.

E Alex também não foi o único pai coruja em campo, no sábado. Dejacir Nascimento, o “Bê”, também acompanhou os passos do filho, o camisa 10 Giovane, autor dos dois outros gols do Sul América, na vitória por 3x0 sobre o COP Jr.


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