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ENTREVISTA EXCLUSIVA

Lutador José Aldo sobre UFC: 'Voltei para acabar o meu contrato'

Lutador amazonense fala de presente e futuro na maior organização de MMA do planeta, o UFC. Meta do campeão é lutar apenas para cumprir o contrato e partir para o boxe 06/02/2017 às 20:12 - Atualizado em 06/02/2017 às 20:13
Show ze aldo
O lutador aguarda definição para unificar o cinturão dos penas contra Max Holloway (Foto: Reprodução Internet)
Camila Leonel Manaus (AM)

O futuro de José Aldo no UFC está indefinido. Com o cinturão linear dos penas, o amazonense aguarda por uma luta contra Max Holloway, que detém o cinturão interino da categoria, mas enquanto a luta não é definida, o Scarface prossegue levando a vida de forma pacata. Em entrevista exclusiva com o CRAQUE, ele falou de UFC, família e planos no esporte.

Dedicado à família, Aldo toca os negócios e se diverte com o futebol e futvôlei -modalidade na qual conquistou o vice-campeonato de um torneio em Copacabana recentemente.

Aliás, o lado humano de José Aldo Júnior foi mais uma vez colocado à tona já que o filme “Mais Forte que o Mundo”, que narrou a sua trajetória, virou uma série de TV, algo que emociona muito o amazonense que nasceu e passou os primeiros anos de vida no bairro da Alvorada, Zona Centro Oeste de Manaus.

Mas quando o assunto é UFC, a seriedade do lutador volta e ele dispara: “Esses caras (os adversários) são bons de dar entrevistas, mas pra sair na porrada quando o UFC faz a proposta eles negam as lutas o tempo todo”, disse.

Atual detentor do cinturão, parece que a relação de Aldo com a franquia de Dana White voltou aos eixos. O lutador que após conflitos e acusações de benefícios ao irlandês Conor McGregor, chegou a falar em aposentadoria, disse que não vê os brasileiros prejudicados no evento.

Mas isso não significa que a rivalidade entre o amazonense e o irlandês  tenha terminado. Aldo reafirma que tem intenção de subir de categoria para enfrentar o adversário que acabou com sua hegemonia no fim de 2015.

Sua última luta foi no dia 10 de julho, você lutou uma vez ano passado. Como está a sua vida nesses últimos tempos em que você não anda tão falado no UFC? Você foi vice-campeão em um torneio de futvôlei, anunciou franquia da sua hamburgueria... como funciona a vida do José Aldo quando ele não está voltado para as lutas?

Na verdade fizemos um desafio ao número 1 da categoria dos leves pra disputar o título interino, mas ele (Khabib Nurmagomedov, líder do ranking da categoria leve) não aceitou, mesmo o UFC insistindo. Agora é esperar o Max ( Holloway, campeão interino dos penas) voltar! Fora das lutas eu vivo pra minha família, pro meu futebol e futvôlei (risos).

Quando você vem para Manaus? Está planejando algum amistoso nos moldes dos que aconteceram aqui em 2015, contra o Delmo, e em 2016, com a presença de Zico?

Ainda não tenho data pra ir a Manaus, nada planejado com relação aos amistosos.

Recentemente seu filme virou série e isso deu ao brasileiro uma oportunidade maior de conhecer a sua vida, a trajetória difícil até virar campeão do mundo. Como foi para você ver a sua vida passar numa série assim? Você assistiu todos os capítulos, qual era a reação dos seus fãs durante a exibição da série?

Isso que aconteceu comigo é coisa que vou guardar pro resto da minha vida. Todo mundo conhecer parte da minha história foi uma coisa sensacional que poucos conseguem. Tanto eu quanto minha família ficamos muito emocionados!

Você tinha anunciado a aposentadoria, mas voltou atrás. O que te fez mudar de decisão? O valor da multa pesou? Também se falou que você poderia ir para o boxe. Isso realmente aconteceu?

Não  foi o valor da multa.  Eu quero lutar boxe profissional e eles não quiseram me liberar e aí não posso ficar parado sem fazer nada e por isso voltei para acabar logo com meu contrato para depois lutar boxe.

O Max Holloway disparou em uma entrevista que você estaria escolhendo adversários, o Khabib Nurmagomedov, da categoria dos leves, também afirmou isso. Como foi feita essa negociação da sua luta até chegar no Holloway no dia 11 de fevereiro? Está tudo certo mesmo para essa luta acontecer mesmo com as justificativas que ele deu (disse que não queria perder o aniversário do filho)?

Esses caras são bons de dar entrevistas, mas pra sair na porrada quando o UFC faz a proposta eles negam as lutas o tempo todo.

Você já viu alguma luta do Holloway? Quais os pontos fortes do seu próximo adversário?

Não vi, deixo os meus técnicos assistirem.

Essa luta irá unificar os cinturões dos penas, mas há a possibilidade de você subir de categoria. Essa possibilidade realmente existe? Quando deve acontecer? Como você e o seu técnico estão planejando isso? Nesse caso, você subiria de categoria abrindo mão do título dos penas, ou pediria o mesmo tratamento que o MCGregor teve quando subiu de categoria?

Sim, esta luta irá unificar os cinturões do Pena, acreditamos que logo depois dessa luta iremos desafiar o campeão dos Leves.

A Revista Tatame publicou uma matéria que os brasileiros estariam sendo injustiçados pelo UFC. Além do seu caso de esperar uma luta com o McGregor, tem o caso do Jacaré, que está sendo preterido na decisão do cinturão dos médios, por exemplo. Como você vê a questão dos brasileiros no UFC? Acha que há essa injustiça? Caso haja, por que acha que isso acontece?

A questão não é de injustiça ao meu ver e sim de quem faz mais dinheiro pra empresa, e como não vendemos muito Pay Per View, acabamos ficando pra trás.

Você acha que a situação dos brasileiros no UFC mudou a forma dos fãs do Brasil acompanharem o esporte? Você sentiu essa mudança dos fãs com você ou continua tudo normal?

Pra mim continua tudo normal.

O UFC nos últimos anos tomou como prática comprar as franquias ao redor do mundo.  E recentemente teve a venda para os chineses, se consolidando a maior franquia de MMA do mundo. Até que ponto isso é positivo para os atletas, já que isso gera um monopólio?

Não vejo como monopólio. Vejo mais uma consolidação da empresa , isso não me chateia.

Você e a Amanda são os únicos brasileiros detentores de cinturão do UFC. Olhando para trás e vendo que já tiveram muitos mais campeões brasileiros, isso aumenta a responsabilidade que você e a Amanda têm? Acha que paramos de ganhar cinturão porque houve evolução dos lutadores de fora e os daqui se acomodaram?

Acho que termos menos de chance de disputar o cinturão foi o motivo principal e não a queda dos brasileiros, se nós brasileiros disputássemos mais títulos, teríamos mais títulos. É isso.

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