Domingo, 17 de Janeiro de 2021
CAMPEONATO

Jovens indígenas e ribeirinhos participam de Campeonato de Canoagem

A competição aconteceu na comunidade Três Unidos, localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, a 60 quilômetros de Manaus



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22/11/2020 às 17:57

Com bastante habilidade técnica e destreza nos movimentos, jovens atletas indígenas e ribeirinhos participaram na manhã deste domingo (22) do Campeonato 2020 de Canoagem do Amazonas, realizada pela Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) em parceria com a Fundação Amazonas Sustentável (FAS). A competição aconteceu na comunidade Três Unidos, localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, a 60 quilômetros de Manaus.

Segundo o representante técnico da CBCa, Marcelo da Luz, a competição marca o aniversário de um ano do Projeto Canoagem Indígena do Amazonas, que buscou fomentar a modalidade entre indígenas e ribeirinhos, proporcionando a integração da canoagem tradicional – que faz parte do dia a dia dos povos da floresta – com a canoagem esportiva/olímpica. Para que, com a infraestrutura e apoio técnico oferecidos, os participantes poderão se tornar atletas de alto rendimento e disputar competições nacionais e internacionais.



"É uma prova comemorativa. Há um ano do projeto piloto da canoagem amazônica. É um projeto onde a Confederação, junto com o apoio de parceiros e a FAS, vem tentado difundir aqui na região amazônica. O projeto Três Unidos é um projeto piloto e hoje estamos fazendo um ano da implantação deste projeto. São provas com o intuito de medir a performance dos atletas, para que a gente tenha um completo reconhecimento e análise do desenvolvimento deles dentro desse um ano de projeto. Estamos medido qualidade técnica, tempo de raia em provas oficiais de 200 metros. Com isso a gente consegue avaliar e comparar a performance da equipe do Três Unidos com qualquer outra equipe de qualquer lugar do país", ressaltou o técnico.

Sonho olímpico

A jovem de 19 anos, Taila Vagen, que conquistou o segundo lugar na modalidade K1 feminino, conta que encontrou na canoagem uma forma de "esquecer dos problemas". Além disso, almeja se profissionalizar no esporte.

"Quando eu vi o caiaque na água foi amor à primeira vista. Foi o único esporte que eu me identifiquei. Outros esportes como futebol, vôlei não me dei bem. Foi na canoagem que eu me encontrei. Quando estou remando parece que todos os meus problemas somem. Na hora da competição o coração bateu a mil, muito nervosismo. Mas depois que comecei a remar, fui ficando mais tranquila. Pretendo continuar treinando e me profissionalizar na área. Tenho como inspiração o atleta Isaquias Queiroz. A história de vida dele é bem parecida com a nossa. Ele não tinha muitos recursos para treinar mas com muito esforço conseguiu conquistar diversos prêmios. Antes da canoagem queria cursar Enfermagem. Mas agora penso na Educação Física como uma segunda opção. Quem sabe no futuro eu possa ser uma treinadora também?", relatou a atleta.

Irmãos medalhistas

Os irmãos Thaís e Tailon Pontes de Araújo, de 14 e 16 anos respectivamente, foram os atletas que mais conquistaram medalhas. Ambos levaram duas medalhas de ouro cada: uma na modalidade solo e outra na modalidade em equipe. Para o técnico Marcelo da Luz, isso já legitima para que os irmãos possam competir em campeonatos nacionais e internacionais.

"Eles se destacam entre o grupo, cada um na sua categoria no masculino e no feminino. Eles tem praticamente a mesma idade. Tem uma desenvoltura quase natural. Talvez até genética para canoagem. Pretendemos trabalhar em cima disso. O trabalho tem que ser mais minucioso. Esse afloramento do potencial deles já se deu. Agora é trabalhar em cima deles para conseguirem resultados melhores. A aptidão deles é natural, não só deles, mas do grupo em si. E retrata o que a gente sempre teve em mente. O indígena que vive na beira do rio da região amazônica. Ele já tem uma aptidão natural para canoagem como esporte olímpico. A ideia é investir nesse público para que a gente colha resultados e quem sabe os nossos próximos campeões olímpicos possam ser os nossos indígenas amazônicos", ressaltou o técnico.

Orgulho da comunidade

Para o líder indígena, tuxaua Valdemir Silva, a competição demonstra que a comunidade Três Unidos possui grandes talentos no esporte.

"Hoje é com certeza um dia de alegria para todos da comunidade. Eu como tuxaua fico muito grato ver os jovens já marcando seu futuro. Agradeço muito aos professores que acreditaram neste projeto e que incentivaram os nossos jovens. É uma batalha e não é fácil. Temos aqui muitos atletas. O sonho só se ganha se esforçando e é nesse esforço que eles chegarão lá", agradeceu o tuxaua Kambeba.

Atualmente, o projeto é integrado por 27 atletas (20 do sexo masculino e 7 do sexo feminino) de quatro povos e comunidades diferentes: 10 atletas indígenas do povo Kambeba, cinco atletas indígenas do povo Karapanã, um atleta do povo Tukano e 11 atletas da comunidade São Sebastião. Os participantes têm a faixa etária entre 10 a 24 anos, sendo 17 anos a idade média.


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